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Os maiores flops do setor automotivo em 2024

Projetos, caros, iniciativas e programas que não vingaram e que ficaram (esperamos) para 2025
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Fernando Miragaya

17 dez 2024

6 minutos de leitura

Nem só de realizações um ano é marcado. Naquele balanço do apagar das luzes de 2024, sempre é tempo também de observar o que ficou na promessa de 12 meses atrás e aprender com os maiores flops do setor automotivo.

Afinal, o seu tio que prometeu emagrecer no último réveillon, ou sua prima que jurou que ia parar de fumar não estão sozinhos entre os que não cumpriram as resoluções. Montadoras também não obedeceram aos seus próprios cronogramas e outras empresas pecaram pela prostração em 2024.

Teve também a inércia do governo entre os maiores fracassos do setor automotivo em 2024. Especialmente no que diz respeito a ações importantes para estimular a produção e acelerar a descarbonização.

Confira agora os maiores flops do setor automotivo em 2024.

Renovação da frota

Essa aí é aquela resolução de ano novo que se arrasta e fica sempre para depois. Desde 2021, ou seja, ainda no governo anterior, que o Poder Público promete um programa consistente de renovação da frota.

No ano que passou a iniciativa não foi adiante. E virou, de novo, um dos maiores flops do setor automotivo. Em agosto, o MDIC chegou a prometer o lançamento das regras para o programa ainda em 2024.

Havia até a expectativa que a presença do vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, na abertura da Fenatran, viesse acompanhada do lançamento do projeto. O que, obviamente, não ocorreu.

A renovação de frota é uma pauta antiga, especialmente do segmento de veículos pesados. Além de ser apontada como um pano essencial para a descarbonização do setor automotivo.

Cadê a produção?

BYD e GWM tiveram mais um ano com fortes vendas e de onipresença no mercado. Mas, em meio a zilhões de eventos de necessidade questionável e uma avalanche de releases sobre assuntos dos mais fulgazes, a produção local ficou para trás.

As duas montadoras chinesas haviam prometido o início de suas operações industriais para 2024. Mas adiaram a produção por mais de uma vez e entraram para os flops do setor automotivo este ano.

Em abril de 2023, a GWM, por exemplo, tinha prometido o início da produção em Iracemápolis (SP) para maio de 2024. Depois, o cronograma previa início da produção pré-série do Haval H6 para o segundo semestre.

O tempo passou e a nova previsão, revelada neste mês de dezembro, dá conta de que a linha de montagem na ex-fábrica da Mercedes-Benz começa no primeiro semestre de 2025.

A BYD, por sua vez, havia garantido o começo da produção em Camaçari (BA) para o último trimestre de 2024. Quem acreditou, que espere sentado até o segundo semestre de 2025.

Pois é, enquanto promete uma segunda planta no Brasil e um complexo para fabricação de motores na própria unidade baiana, a chinesa agora fala em produção só para a última metade do ano que vem.

Cadê o ESG?

E por falar na BYD, outro flop do setor automotivo para a fabricante diz respeito à denúncia de maus tratos a trabalhadores que atuam na construção da ex-fábrica da Ford.

A empresa está sob investigação do Ministério Público (MP) sob acusação de ter funcionários chineses trabalhando sob condições degradantes. O VP da BYD garantiu que a empresa não vai tolerar “qualquer desrespeito à dignidade humana”.

Seres

Muitas empresas chinesas se animaram com o sucesso de vendas de importados de BYD e GWM no Brasil. Porém, a aventura durou pouco para a Seres, que virou um dos flops do setor automotivo.

A marca apresentou seus carros, iniciou vendas em um modelo de e-commerce sem rede de concessionárias e projetou vender até mil unidade sem menos de um ano.

Contudo, em 2024 reviu suas atividades e suspendeu as operações com a promessa de abrir 20 lojas até 2025…

Mover se moveu, pero no mucho

Beleza, o Mobilidade Verde e Inovação (Mover) foi sancionado no apagar das luzes de 2023 e deu aquela tão pleiteada previsibilidade para a indústria. Tanto é que na esteira da publicação do plano setorial vieram diferentes anúncios de investimentos.

Além disso, em poucos meses, o Mover superou o Rota 2030, seu antecessor, no número de adesões. Fora a promessa de agregar a cadeia de autopeças.

Só que ainda falta regulamentar o projeto. E a demora em definir detalhadamente as regras preocupa o setor automotivo e foi um dos flops de 2024.

Picapes

O mercado de picapes médias não flopou. Pelo contrário. Em contrapartida, algumas marcas que atuam nesse segmento decepcionaram.

Se por um lado a Ford lançou um produto que virou referência, a terceira geração da Ranger – uma das vencedoras do Prêmio Lançamento do Ano, da AB -, por outro Volkswagen e Fiat decepcionaram.

A marca italiana lançou a Titano cercada de expectativas. Versão brasileira da Peugeot Landtrek, a picape contudo recebeu uma saraivada de críticas da mídia especializada.

Culpa do projeto datado. A Titano é feita sobre uma geração antiga de uma picape da Dongfeng, fruto de uma parceria da chinesa com a então PSA Peugeot Citroën. E suas origens se refletem no comportamento dinâmico e no desempenho.

Já a Volkswagen fez uma maquiagem na Amarok. O que não adiantou muito, pelo menos até agora, para livrar o modelo da penúltima colocação em vendas na categoria – fica à frente apenas da… Titano.

Vale lembrar que lá fora a Amarok tem uma nova geração. Que usa o mesmo chassi da novíssima Ranger já elogiada aqui.

No Mercosul, contudo, a marca alemã optou por não gastar muita grana e fez essa atualização. Que só serviu para expor a defasagem da sua picape;

O ano de 2024 também teve outra reestilização de picape média. Porém, no caso da Chevrolet S10, a remodelação foi mais profunda, com mudanças consideráveis na cabine e em diferentes partes da carroceria, além de nova calibragem do motor e suspensão.

Tudo bem que a General Motors perdeu a vice-liderança do segmento para a Ranger. Mas as vendas se mantêm acima das 2 mil unidades/mês.

Onix devagar…

A GM cometeu um dos flops do setor automotivo em 2024 em outro mercado. Justamente naquele que garante volume de produção.

A fabricante virou o ano sem apresentar o renovado Onix. Hatch e sedã não sofreram qualquer atualização desde o lançamento, em 2019. Tampouco ganharam versões ou séries para dar uma sacudida na linha.

No ranking dos mais vendidos, o Onix é o segundo carro de passeio mais licenciado do país. Porém, o Volkswagen Polo abriu vantagem de mais de 40 mil unidades para o modelo da Chevrolet.

A boa notícia é que a GM não deve mais flopar com seu compacto em 2025. O renovado Onix já começou a ser produzido em Gravataí (RS) e dará as caras nos primeiros meses do ano que vem.