Onda colaborativa começa a se espalhar

Braço esticado e polegar para o alto, gesto quase universal e ainda aplicado, passou a negócio por meio do telefone móvel

Por FERNANDO CALMON, PARA AB
  • 25/02/2016 - 18:53
  • | Atualizado há 2 meses
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    Se você já ouviu falar – ou mesmo nem sabe – sobre economia colaborativa ou participativa talvez o assunto mereça um pouco mais de sua atenção. Em resumo, trata-se de partilhar ou combinar meios de produção e de serviços com benefícios diretos e indiretos que se estendem do meio ambiente à produtividade individual e/ou coletiva. Hoje é difícil prever o impacto potencial desse conceito sobre quem tem ou pretende ter um automóvel. No exterior essa onda ainda está em formação, embora aponte para um maremoto no bom sentido. Tende a se espalhar pela economia formal e informal. Atingirá também negócios de fabricantes, concessionárias, lojistas e de manutenção.

    No Brasil esse conceito econômico ainda engatinha por excessos de intervenção regulatória e alta burocracia. Atividades colaborativas prosperam graças aos aplicativos (apps) para telefones inteligentes. Compartilhar está em curso para caronas e aluguel de carros.

    Tudo começou há cinco anos com o app da empresa americana Uber focado, de início, exclusivamente em dar e receber caronas. Romantismo do passado deu lugar a algo mais organizado e seguro. Braço esticado e polegar para o alto, gesto quase universal e ainda aplicado, passou a negócio por meio do telefone móvel. O segundo passo estimulou o caroneiro a contribuir com as despesas.

    Transformar carona em serviço alternativo de transporte gerou a ira de taxistas ao redor do mundo. O app foi teoricamente banido em algumas cidades por serviço ilegal na visão de críticos. Uma saída poderia ser taxar a atividade. No Brasil, alvará de táxi vale até R$ 200 mil e se enquadra como bem de herança, algo mais absurdo que o Uber, além da isenção de impostos do veículo.

    Caronas, porém, se popularizam no Brasil. Há pelo menos cinco aplicativos: BeepMe (200 mil usuários), Tripda (opção de uso apenas por mulheres e 60 mil usuárias), Ponga (semelhante ao de chamada de táxi, mas caronas), Zumpy e Carona Fácil. Até o popular programa de rotas Waze (comprado pelo Google) testa, em Israel onde nasceu, o aplicativo RideWith (Rode Comigo) que limita a duas viagens por dia e pretende diminuir veículos nas ruas.

    Em São Paulo, o fleety.com.br oferece a qualquer proprietário de automóvel cadastrar e alugar o veículo por curtos períodos. O site se intitula a primeira rede de carros compartilhados do Brasil. Oferece seguro, lida com eventuais multas, controla combustível gasto e a pontuação forma reputação de locador e locatário. Empresas de locação, que também alugam por hora, teriam aí um concorrente parecido a Uber versus taxistas.

    A economia colaborativa pode diminuir o mercado de veículos novos e usados, embora ainda não se estimem eventuais perdas. Por outro lado, automóveis passariam a rodar mais e gerar manutenção. Impulso para fabricantes de autopeças, pneus, lubrificantes, combustíveis e uma longa cadeia de serviços.

    Que todos se preparem. A onda deve chegar.