Como a promessa da Europa de zerar emissões até 2050 afeta a mobilidade

Organizada pelo presidente dos Estados Unidos Joe Biden, Cúpula do Clima debate on-line caminhos para desacelerar o aquecimento global

Por VICTOR BIANCHIN, AB
  • 22/04/2021 - 17:00
  • | Atualizado há 2 meses
  • 2 minutos de leitura


    Na quarta-feira, 21, feriado de Tiradentes no Brasil, a União Europeia anunciou que irá reduzir suas emissões de gases do efeito estufa em 55% até 2030, com base nos índices de emissão de 1990. Para 2050, o objetivo é que as emissões sejam completamente zeradas. O anúncio foi feito na Cúpula do Clima, que está sendo realizada virtualmente e foi organizada pelo presidente americano Joe Biden.

    O plano é chamado de Lei Climática da União Europeia e já havia sido previamente anunciado em dezembro. “A Lei Climática coloca a União Europeia em um caminho verde para uma nova geração”, afirmou a chefe da comissão europeia na Cúpula, Ursula von der Leyen.

    Uma série de instruções foi determinada pelo Parlamento europeu para atingir essa meta, incluindo novas regras para uso de terra e manejo de florestas, maior ênfase em energia renovável e alterações nas exigências de performance para automóveis. É essa última parte que afeta mais o setor de mobilidade.

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    EUROPA LIGADA NA TOMADA



    A primeira medida para diminuir as emissões de gases dos veículos é aumentar a frota de carros elétricos. Esses veículos não são neutros em emissões - além dos gases gerados na produção das peças, a eletricidade para abastecer as baterias também pode ser gerada com fontes não renováveis. Por isso, o plano da União Europeia inclui também diminuir o nível de emissões permitidas para a indústria e aumentar a oferta de energia elétrica a partir de fontes limpas.

    Como parte do plano, até 2030, pelo menos 40% dos carros e vans em circulação terão de ter baixa ou nenhuma emissão. As montadoras que produzirem carros poluentes acima dessa cota precisarão pagar multa. Elas também terão de cortar 45% das emissões de suas linhas de produção.

    Isso significa 30 milhões de carros limpos na rua, possivelmente elétricos. Para os caminhões, a meta é de 80 milhões. O plano também inclui dobrar até 2030 e triplicar até 2050 as viagens por veículos sobre trilhos no bloco em substituição às viagens de avião para curtas distâncias. A ideia é que todas as jornadas de até 500 km dentro do bloco sejam neutras em emissões.

    Também serão necessárias, obviamente, estações de carregamento por todo o continente para os carros elétricos. A Europa atualmente tem cerca de 200 mil dessas estações. O plano é que elas cheguem a 3 milhões até 2030. Além disso, o plano europeu também prevê incentivos a serviços de car-sharing, ride-hailing e à locomoção por bicicleta.

    As montadoras já estão de olho nas oportunidades que surgem com as novas metas (veja aqui). A BMW anunciou planos de aumentar as vendas de elétricos e híbridos em 25% ao ano até 2030. A Toyota anunciou que, até aquele ano, pelo menos 35% da frota será de elétricos. Para a Renault, essa cota será de 50%. Já a Volkswagen, que foi multada no passado na Europa por sua frota emitir mais gases do que a meta de redução exigida, afirma que 70% de suas vendas no continente serão de elétricos até 2030.

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