
O CEO da Stellantis, Carlos Tavares, ameaçou fechar as fábricas da Stellantis na Itália se o governo autorizar a produção de veículos de marcas chinesas no país.
Segundo informações da agência de notícias “Automotive News”, autoridades locais estão em conversas com fabricantes da China, como a Chery, na tentativa de convencer algumas delas a erguer uma fábrica no país. A Tesla também estaria entre as montadoras em negociações com o governo italiano.
VEJA MAIS:– Governo da Itália vai investir na Stellantis– ‘Se não nos transformarmos, vamos desaparecer’, diz CEO da Stellantis– Stellantis investirá R$ 32 bilhões na América do Sul
“Se alguém quer facilitar a concorrência chinesa, então será responsável por decisões pouco populares que podem ser tomadas. Se estamos sob pressão, a única coisa que poderemos fazer é acelerar nossos esforços para aumentar a produtividade para sermos competitivos”, disse o executivo em evento realizado em Turim nesta semana.
Stellantis mantém várias fábricas na Itália
Neste cenário hipotético, Tavares afirmou que a Stellantis provavelmente perderia participação de mercado e volume de vendas. O que não justificaria a quantidade de fábricas atual.
“Não precisaríamos de tantas fábricas como temos agora. Estamos prontos para a batalha, mas toda batalha tem consequências”, ponderou.
Entre as marcas que controla, a Stellantis administra as italianas Fiat, Alfa Romeo, Maserati e Lancia.
Além da emblemática fábrica de Mirafiori, que produz transmissões eletrificadas de dupla embreagem para os conjuntos híbridos dos carros da Stellantis, a empresa mantém unidades em Piedimonte San Germano, Modena, San Nicola di Melfi e Atessa.
Produção do Panda bancada até 2030
Enquanto enfrenta críticas sobre os planos de produzir veículos em países com custos mais baixos, a Stellantis garantiu que a produção do Panda (um de seus modelos mais vendidos na Itália) em Pomigliano d’Arco, nos arredores de Nápoles, será mantida até 2030.
O Panda, que atualmente é vendido apenas com motorização a combustão, seria descontinuado em 2027, sendo que uma versão elétrica deve estrear ainda neste ano.
Além disso, o CEO se comprometeu a investir € 100 milhões no desenvolvimento de uma bateria com custo mais acessível para o Fiat 500 elétrico.
CEO diz que Stellantis não sairá da Itália
Tavares classificou os rumores de que a Stellantis poderia deixar de investir na Itália como “fake news”
“Estamos investindo de forma pesada na Itália. Afinal, estamos aqui para ficar”, assegurou o CEO da Stellantis, que se envolveu em várias discussões com o governo italiano nos últimos meses acerca dos diversos níveis de produção da empresa no país.
Na última quarta-feira (10), Tavares se encontrou com representantes de sindicatos de toda a Itália, que protestam contra os planos da empresa de extinguir centenas de empregos na Itália.
De acordo com a Fiom (Federação Italiana dos Metalúrgicos), a Stellantis pretende cortar aproximadamente 3.700 empregos por lá. A montadora não quis precisar o número exato de demissões, mas disse que qualquer saída será realizada de forma voluntária.
Falta de incentivos dificulta vendas de carros elétricos
Assim como em outros mercados da Europa (e do resto do mundo), a demanda por carros elétricos despencou na Itália nos últimos meses. Além de problemas conhecidos de outros países, como a infraestrutura precária de recarga, os clientes aguardam por novos incentivos que baixem os preços deste tipo de veículo – como o que o governo de Roma adotou em 2023.
“Muitas promessas foram feitas para os clientes italianos para facilitar o acesso aos carros elétricos, mas, apesar disso, os incentivos ainda não surgiram”, concluiu Tavares.