
O ano de 2025 começou com uma novidade para o setor automotivo na parte de emissões de poluentes. A nova fase L8 do Proconve, que estabelece novas métricas e limites para os veículos leves no país. E que trouxe desafios para as engenharias das montadoras, tema da série de reportagens da AB que começa agora.
Isso porque esta etapa do Proconve aperta bem mais as metas de redução de poluentes na comparação com a fase anterior, a L7. Além de índices mais baixos para hidrocarboneto (HC), monóxido de carbono (CO), o L8 tem metas mais severas para óxidos de nitrogênio (NOx), que entram no chamado cálculo do NMOG (gases orgânicos não metano).
Para começar a série, organizamos a seguir quatro informações essenciais para entender a transição para o Proconve L8.
1- Proconve L8 determina redução de 40% nas emissões
Vale lembrar que o Proconve L8 terá etapas graduais de redução de emissões até 2031. Mas, nessa primeira fase que entra em vigor em 1º de janeiro de 2025, os carros de passeio terão de respeitar um NMOG+NOx de até 50 miligramas por quilômetro rodado. O limite atual é de 80 mg/km – ou seja, a redução é drástica, de quase 40%.
O objetivo do programa é, em seis anos e após três fases, garantir que automóveis de passeio não emitam mais que 30 mg/km. No caso dos comerciais leves, os limites que entram em vigor estabelecem 140 mg/km e chegam aos mesmos 30 mg/km no começo da próxima década.
“Essa norma escalonada é positiva porque dá previsibilidade para toda a indústria e para a engenharia das montadoras. E pode parecer pouco em termos de diminuição de poluentes, mas é uma enormidade”, garante João Dias, gerente de P&D da Horse Brasil.
2- Nova etapa da legislação desafia montadoras
Apesar da previsibilidade, o Proconve L8 impõe desafio considerável aos projetos de engenharia das fabricantes. Segundo Eduardo Bennacchio, gerente de engenharia da Toyota, diz que a fase anterior da legislação implicava em transformações com complexidade mais baixa. Muitas das quais foram solucionadas com calibragens e software.
“Só a mudança de software no L8 não será suficiente e faz as montadoras partirem para estratégias mais complexas e robustas. A calibração de software continua, porém entramos fortes para aumentar o sistema de pós-tratamento, elevar a eficiência e a rapidez da função do catalisador, por exemplo”, explica o executivo da marca japonesa.
3- L8 impõe mudanças em catalisadores e injeção
Só que essa foi apenas uma das frentes da engenharia automotiva para seguir a cartilha do Proconve. Os sistemas de injeção também serão importantes, assim como variação nos comandos de válvulas.
“Curiosamente, depois do L7, quase a totalidade dos modelos no Brasil já tem variação, seja só admissão, seja só no escape, seja nas duas. O próximo passo é criar ciclos de combustão”, adianta o engenheiro Everton Lopes, vice-presidente da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA).
Outras soluções devem ser ampliadas no setor. Desde maior adoção de turbo e injeção direta, até a difusão de recursos como start stop e mesmo a implementação de conjuntos híbridos-leves.
“Cada um desses recursos tem sua contribuição específica para redução de emissões. Por isso, precisamos entender cada mecanismo de formação de poluente para tomarmos as atitudes mais assertivas e de menor custo possível”, esclarece André Drigo, gerente executivo do produto completo da Volkswagen do Brasil.
4- Proconve L8 deixará carros mais caros
Como regra na indústria, uma nova tecnologia implica em aumento de custos. E no efeito dominó capitalista, é bastante provável que os automóveis sofram reajustes de preços.
Bom lembrar que, assim como no L7, no Proconve L8 o cálculo não é individual por carro, mas baseado na média da frota vendida por cada fabricante, levando em conta a faixa de emissões e o número de emplacamentos de cada modelo.
Nas próximas reportagens da série, vamos detalhar cada uma das tecnologias possíveis e futuras, materiais e peças, além dos custos dessas movimentações para a cadeia automotiva para atender às normas do Proconve L8.
