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Por que o setor automotivo está mais presente no SXSW

Marcas como Porsche, Valeo e Honda investem no festival de inovação como parte da estratégia para engajar novos públicos, não tão familiarizados com o universo da mobilidade
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Giovanna Riato

21 mar 2024

6 minutos de leitura

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O South by Southwest, maior festival de inovação e criatividade do mundo, nasceu em 1987 com foco na indústria da música e do cinema. Nos últimos anos, o evento realizado na cidade texana de Austin, nos Estados Unidos, abriu espaço para inovação e tecnologia e, cada vez mais, desenvolve certa vocação para o setor automotivo. A edição de 2024, por exemplo, reservou uma trilha de conteúdo apenas para tratar de transportes e mobilidade.


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Os debates aconteceram nos últimos dias do evento, com público consideravelmente menor do que quando o festival abriu as portas. De qualquer forma, o tema mobilizou a participação de alguns figurões do segmento, como lideranças da Uber, Waymo (empresa de veículos autônomos do mesmo grupo do Google), Embraer, do departamento de transportes dos Estados Unidos, entre outros. 

SXSW é “diferentão”, mas com grande público

Nos palcos, o SXSW é capaz de fazer inveja a qualquer encontro corporativo mais tradicional: em 2024, teve mais de 1,9 mil palestrantes e recebeu 300 mil visitantes de todo mundo – a maior delegação de fora dos EUA, inclusive, é a brasileira, com quase 3 mil pessoas.

A audiência é composta por lideranças de empresas de vários setores, além de empreendedores e profissionais que entendem a importância de mapear o quanto antes as tendências que ditarão o futuro.


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Mesmo com tudo isso, o SXSW é, digamos, um evento raiz. O projeto se orgulha de seguir a filosofia da cidade que o sedia de “keep it weird”. Até pouco tempo atrás, o encontro se financiava exclusivamente com o valor (um tanto salgado) que os participantes pagam pelos ingressos, além de contar com muitas parcerias e voluntários trabalhando.

As marcas só tinham espaço no pavilhão de exposições do evento, que abriga pequenos estandes – tudo muito diferente de qualquer memória que tenhamos de eventos automotivos brasileiros, como o saudoso Salão do Automóvel.

Setor automotivo e da mobilidade torna-se grande patrocinador do SXSW

Só mais recentemente o South by Southwest abriu de forma mais ampla a patrocinadores. Essa parte virou, inclusive, mais uma grande atração do festival, com apoiadores que constroem estruturas para ampliar suas mensagens e posicionamentos ao longo do evento, além de lançar produtos.

E o setor automotivo surfa essa onda, com várias empresas entre grandes patrocinadores do evento. Ainda assim, o slogan “keep it weird” de Austin não penetrou na forma como o segmento aproveita o festival. É raro encontrar profissionais dessa indústria entre os participantes do evento, principalmente quando se trata do Brasil.

A seguir, trazemos uma lista das marcas do segmento com presença no evento.

– Porsche teve sua própria casa no SXSW

A Volkswagen e a Porsche estiveram entre as principais patrocinadoras do SXSW 2024, mas apenas a marca de luxo do grupo contou com espaço próprio como parte da programação oficial. A empresa transformou uma casa próxima ao Centro de Convenções de Austin, onde acontece a maior parte da programação do SXSW, em uma experiência imersiva na história e no futuro da marca.

Por lá, rolaram debates, shows e a apresentação em primeira mão dos novos Taycan e Macan. Jade Logan, porta-voz da marca, lembrou que essa foi a terceira vez que a marca investe no evento e o principal objetivo foi engajar o público e posicionar a Porsche para além dos espaços automotivos tradicionais.

– Valeo é primeira fornecedora automotiva no SXSW

Pela primeira vez, o South by Southwest contou com um grande fornecedor automotivo em sua agenda oficial. A Valeo, especializada na produção de itens como radiadores, faróis e ar-condicionado, construiu um espaço para receber visitantes no evento. 

“Buscamos mostrar o nosso pioneirismo aqui. Anos atrás, fomos os primeiros a apostar na CES (Consumer Electronics Show), que depois se tornou um espaço muito relevante para o setor da mobilidade. Entendemos que há o mesmo potencial aqui”, apontou Jonathan Rost, diretor de pesquisa e desenvolvimento da companhia na América do Norte. 

A empresa apresentou um carregador sem cabo para carros elétricos que, por enquanto, está em negociação com algumas fabricantes de veículos. Além disso, oferecia um jogo imersivo de corrida aos visitantes e mostrou uma bicicleta elétrica e um carrinho de golf.

– Honda mostrou cadeira, mas sem carro

A Honda seguiu caminho diferente para se apresentar no evento. A companhia teve um pequeno estande na área de exposição d SXSW. No lugar de mostrar ali um carro, exibiu a cadeira Uni-one. Como a própria companhia aponta, trata-se de um dispositivo de mobilidade pessoal, controlado pelo peso do próprio corpo de quem está sentado nela.

A experiência vinha acompanhada de um óculos de realidade virtual que permitia ao usuário enxergar vários cenários em seu deslocamento.

– Do Brasil, Toyota fortaleceu a Casa São Paulo

A também japonesa Toyota, foi outra com alguma presença de marca no evento, mas em formato bem diferente das outras empresas do setor. Não foi a matriz ou a operação dos Estados Unidos que investiu no SXSW, mas sim a filial brasileira.

A companhia não teve nenhuma ativação no evento, mas estava na lista de apoiadoras da Casa São Paulo, espaço dedicado a mostrar lá nos Estados Unidos as oportunidades de inovação e negócios do estado mais populoso do Brasil.

– Embraer em defesa do carro voador

Ainda que não seja do setor automotivo, mas parte do universo da mobilidade, a Embraer manteve presença relevante no South by. A fabricante de aeronaves patrocinou a trilha de transportes do evento, participou de debates e, principalmente, atraiu a visibilidade para a discussão sobre o futuro da aviação, incluindo as possíveis soluções zero carbono e a aguardada chegada do carro voador.

– CCR Mobilidade levou debate de mudanças climáticas e inovação social

Também como parte da Casa São Paulo, a CCR Mobilidade participou de dois debates no evento. Um deles focado no projeto Favela 3D, iniciativa com a Gerando Falcões para mudar a realidade das comunidades, que é parte do escopo do desenvolvimento de municípios sustentáveis.

Outra discussão foi sobre o futuro das cidades no contexto das mudanças climáticas e como poder público e privado podem trabalhar para fazer a transição para mobilidade limpa e segura. “Levamos a nossa experiência com inovação social para um evento global”, diz Renata Ruggiero, diretora executiva do Instituto CCR. Segundo ela, no entanto, mais valioso do que estar no palco, foi a possibilidade de acompanhar a programação do evento e escutar as tantas expectativas e projeções de especialistas para o futuro.