
A Peugeot lança oficialmente no Brasil a nova geração do 2008. A apresentação repleta de plumas e paetês, contudo, esconde uma certa preocupação da marca francesa que pertence ao grupo Stellantis: a de retomar seu posto no top 10 de mais vendidas na seara de automóveis e comerciais leves – algo que, às duras penas, vinha tentando recuperar.
Em 2024, porém, a Peugeot viu seu market share minguar. Justifica-se. De todos os tentáculos do grupo Stellantis, a marca de origem francesa foi a que mais sofreu com a greve no Ibama, fato que prejudicou suas importações. Não à toa, teve um primeiro trimestre difícil.
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No entanto, por meio de desentraves e polpudas ofertas do 208 (que passará em breve por facelift), até R$ 20 mil mais barato em revendas dependendo da versão, se recuperou e teve 14.665 licenciamentos no primeiro semestre. Mesmo assim, se seguirmos nessa toada, a companhia não chega aos quase 35 mil emplacamentos do janeiro-dezembro de 2023.
E é aí que o 2008 entra na jogada. Com preços competitivos, ao menos por ora, se posiciona de modo interessante para brigar no disputado segmento B-SUV (crossovers compactos). Até o fim do mês, o modelo sai a partir de R$ 119.990 em sua versão de entrada, a Active, e chega até R$ 149.990 na configuração topo de linha, a GT.
São valores que, na atual conjuntura, aquecem os corações do consumidor. Todavia, importante destacar: os preços são promocionais. A Peugeot promoverá reajuste já na virada do mês. Concessionários disseram à reportagem da Automotive Business que o 2008 ficará cerca de R$ 15 mil mais caro.
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A fim, porém, de manter o modelo competitivo ante aos rivais de origens sul-coreana, estadunidense e alemã, a marca oferecerá certas condições especiais aos clientes por mais tempo. Pelo menos é o que as fontes ouvidas por AB garantem.
“A estratégia de preços é muito boa. Só que queremos manter o consumidor conosco e queremos atrair mais clientes nos próximos meses. Vamos ter a flexibilidade para trabalhar com uma boa margem e garantir valores próximos aos atuais para os nossos leads”, disse um interlocutor da seara de redes. “Não podemos trabalhar mais apenas com um produto [o 208]. O 2008 é um belo carro, com bom nível de equipamentos e que, por valor condizente, tem mercado. Desse modo, esperamos um volume para ele similar ao de 2022 [quando vendeu 5.176 unidades]”, completou a fonte.
Peugeot 2008 é o primeiro SUV argentino da Stellantis

Mais informações acerca de estratégia para 2008 e marca Peugeot divulgaremos no dia 12, quando cai embargo sobre tais tópicos. Por isso, voltemos ao que confirmamos sobre o SUV em Alagoas – local escolhido para o debute da segunda geração no Brasil.
Para começo de conversa, o novo 2008 é o primeiro SUV da Stellantis a ser fabricado na Argentina, na unidade de El Palomar. Antes, era feito em Porto Real (RJ). O utilitário esportivo usa a mesma plataforma do 208, a CMP.
Em medidas, o novo Peugeot 2008 tem 2,61 m de entre-eixos, 4,3 m de comprimento, 1,99 m de largura e 1,54 m de altura. O porta-malas tem capacidade para 419 litros. Os ângulos de ataque e saída são de, respectivamente, 18,2 e 29,7 graus.
No tópico visual, a marca de origem francesa garante que o SUV tem design “magnético”. O repórter crê que o modelo seguirá não causando torcicolos nas ruas. Todavia, admite que o 2008 é um veículo, de fato, que tem sua beleza.
Entre as nuances no quesito, destaque para a assinatura luminosa da dianteira, que conta com as já notórias garras do leão integradas ao para-choque. A grade pode ter acabamento em preto brilhante ou vir na cor da carroceria, a depender da configuração. Ela une os faróis, algo já usual nos modelos atuais de inúmeras montadoras. Ao centro, vemos a imponente insígnia da marca.
As rodas são de liga-leve e com aros de 17 polegadas em todas as versões. Há design chamado de “8K”, mas a nomenclatura é mais uma daquelas que surgem nos brainstorms do marketing. Todavia, têm belo visual, bem ao estilo “símbolo do Homem-Aranha”. O emblema da marca fica ao centro.
As lanternas traseiras de LED trazem leve reinterpretação das garras que representam… Vocês já sabem o quê. Estas são conectadas por faixa em preto brilhante, onde está localizado o nome da Peugeot.
A motorização T200 e o nome do modelo ficam evidenciados na tampa do porta-malas. Luzes de ré e pisca, de acordo com a empresa, também são de LED.
Capas dos retrovisores e barras vêm em preto brilhante. Na versão topo de linha, GT, ainda há pintura em dois tons, com teto na cor preta e badge que identifica a configuração, bem como adesivo que emula dinamismo na coluna traseira.
Equipamentos da nova geração do Peugeot 2008

Antes de listarmos os equipamentos de segurança e conveniência, importante frisar que o 2008 peca, infelizmente, por não ter seis airbags de série desde a opção de entrada. Apenas a GT, topo de gama, oferece o sexteto protetor.
Além disso, apenas a opção mais cara dispõe, de série, do pacote ADAS, que inclui reconhecimento de limite de velocidade, frenagem automática de emergência, alerta de ponto cego, comutação de farol alto automática, alerta de atenção e fadiga, aviso de risco de colisão, assistente de permanência em faixa e câmera de auxílio ao estacionamento com visão 360 graus.
Desde a versão de entrada, o novo Peugeot 2008 dispõe, entre os principais itens, de faróis dianteiros com tecnologia Eco LED, luzes DRL em formato de “garras de leão” de LED, retrovisores externos com comandos elétricos, Peugeot i-Connect 10″ integrada ao painel que dispensa fio para integração com Apple CarPlay e Android Auto, quatro entradas USB, hill assist, controle eletrônico de estabilidade, piloto automático e limitador de velocidade, sensor de estacionamento traseiro, sensor crepuscular, quatro airbags e ar-condicionado digital.
Na versão GT, o SUV tem faróis em LED, grade dianteira na cor da carroceria, volante GT e bancos em couro com costura verde, também presente nos detalhes internos e painel da porta, pedais esportivos em alumínio, airbags adicionais de cortina e o supracitado pacote ADAS.
Conjunto mecânico do novo Peugeot 2008
O motor da segunda geração do 2008 é o já conhecido T200, da Stellantis. Tal evidencia a sinergia entre as marcas do grupo. O tricilíndrico 1.0 turbo da família GSE de origem Fiat rende 125 cv quando abastecido com gasolina e 130 cv com etanol. O torque é de 20,4 kgfm com quaisquer dos combustíveis no tanque.
O modelo tem transmissão automática do tipo CVT com simulação de sete marchas e tração dianteira. A direção é elétrica e a suspensão dianteira é do tipo McPherson.
De acordo com a fabricante, o 0 a 100 km/h é feito em até 10,1 segundos (etanol). O consumo, por sua vez, também conforme dados da Peugeot, é de 8,6 km/ l (etanol) e 12,3 km/l (gasolina) na cidade e 9,8 km/l (etanol) e 13,7 km/l (gasolina), em ciclo rodoviário.
Mais informações acerca das nossas primeiras impressões ao dirigir serão divulgadas em breve aqui, na Automotive Business. Assim como, claro, as estratégias da Peugeot para o 2008 e o futuro da marca no país, que, como mencionado no primeiro parágrafo, não é no momento dos mais aprazíveis.
