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Empresário se espelha em Elon Musk para criar carro elétrico nacional

Lecar Model 459 estreará em 2025 com alto índice de nacionalização
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Redação AB

05 jan 2024

3 minutos de leitura

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Um empresário brasileiro pretende lançar o primeiro carro elétrico fabricado no Brasil. A ambição nada modesta vai além: criar uma montadora nacional que alcance faturamento de nada menos que R$ 1 bilhão.

O Model 459 será o primeiro modelo da Lecar, empresa fundada por Flavio Assis. Nascido no Espírito Santo, o executivo não esconde a inspiração em Elon Musk, CEO da Tesla, por terem “histórias semelhantes”- ainda que não detalhe quais são as similaridades.

O sedã deve ser lançado em meados de 2025 por R$ 279 mil e com autonomia de até 400 km..

A estimativa é de produzir 300 veículos por mês já no primeiro ano de fabricação, com expectativa de gerar 600 empregos diretos. 

Com sede em Barueri (SP) e fábrica em Caxias do Sul (RS), a Lecar possui uma equipe de 30 profissionais, que acumulam passagens por empresas da indústria automotiva, como Gurgel, Troller, Ford, Toyota e Nissan.

Empresário aposta na força da produção nacional

O projeto prevê o uso de 35% das peças importadas da China, incluindo motores e baterias. Esses componentes serão fornecidos pela Wiston, que atualmente trabalha com Volkswagen e Hyundai. A Lecar assegura que o restante das peças será produzido por aqui.

“Nosso objetivo é fazer com que o Brasil seja visto de forma valorizada, assim como sempre deveríamos ser vistos”, acredita.

Dono de um Tesla, Flavio desmontou um veículo da marca norte-americana “para entender a engenharia do concorrente à fundo”. O executivo acredita que o maior diferencial do Model 459 estará no fato de ser adaptado às condições das vias brasileiras.

“Nosso projeto é de um carro feito para os desafios das estradas do Brasil, com tecnologia de ponta, resistência, prazer na direção e alinhado à necessidade de redução de emissões de CO2”, afirma.

Carro será testado na Inglaterra antes do lançamento

O empresário diz que os contratos fechados com fornecedores “preveem a transferência de tecnologia e cooperação técnica, científica e operacional, o que viabiliza uma fábrica de células de bateria e motores elétricos no Brasil”.

Atualmente o projeto encontra-se na fase de desenvolvimento. Em seguida, a empresa pretende enviar um protótipo a Londres, na Inglaterra, onde realizará uma série de homologações, bem como testes de impacto, aerodinâmica e simulações de segurança.

A empresa diz que essa etapa deverá ter duração de nove meses. Após isso, o produto entrará em linha de produção e a previsão de lançamento comercial é para dezembro de 2024.

O faturamento projetado é de R$ 1 bilhão e o foco inicial das vendas será na região da Grande São Paulo, sobretudo na região que liga a capital com Campinas e São José dos Campos, onde a Lecar promete investir em uma rede de infraestrutura de recarga.

Para 2025, a empresa pretende instalar carregadores rápidos espalhados pela BR-101, com um ponto a cada 150 km. A meta é que, até 2030, a Lecar ofereça cobertura total de estações de carregamento nas principais rodovias do país, embora a companhia não especifique onde (nem como) construirá esses pontos.

Planos incluem carro “popular” e entrada nos EUA e Mônaco

A Lecar espera atingir, daqui a cinco anos, uma capacidade produtiva de 50 mil carros por ano, gerando seis mil empregos diretos e R$ 13 bilhões de faturamento anual.

Assim como várias montadoras tradicionais, a empresa pretende oferecer o modelo de assinatura do veículo. O plano de locação de 36 meses, por exemplo, será oferecido por aproximadamente 3% do valor de venda do carro, com quilometragem mensal de 1 mil km.

Nos próximos anos, a Lecar pretende lançar um segundo modelo chamado POP.  O veículo teria uma proposta mais acessível com uso de baterias e motores elétricos produzidos no Brasil. Com custo estimado de R$ 100 mil, o projeto teria autonomia de até 200 km.

Após expandir suas operações para o mercado nacional, Flavio pretende levar sua marca para outros países. Mercados importantes, como Estados Unidos, França, Itália e Mônaco, estão nos planos.

“Estamos alinhando uma série de parcerias nesses países para levar nossa marca para o mundo”, assegura.