
Terminou sem acordo a primeira de uma série de negociações que a Volkswagen mantém com os representantes do sindicato dos metalúrgicos da Alemanha, o IG Metall, realizada na quarta-feira, 25.
O litígio eleva as pressões sobre montadora, que cogita o fechamento de fábricas em sua terra natal em nome de um corte de custos que, segundo a empresa, a tornará mais competitiva na disputa com montadoras asiáticas.
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O movimento é inédito na história da companhia e enfrenta forte – e óbvia – resistência dos seus 130 mil trabalhadores.
O IG Metall ameaçou fazer greve desde o início de dezembro e insiste em um aumento salarial de 7%. “Fechamentos de fábricas e demissões em massa continuam na mesa”, disse Thorsten Groeger, negociador-chefe do sindicato. Nenhuma data foi definida para a próxima rodada de conversas com a montadora.
Estruturas institucionais complexas, investimentos pesados em veículos elétricos, queda nas receitas da China e a burocracia paralisante da Alemanha são fatores apontados como responsáveis pelo momento turbulento vivido pela segunda maior montadora do mundo.
No entanto, a turbulência não é algo exclusivo da Volkswagen. Outras fabricantes europeias também enfrentam a mesma situação, em menor ou maior grau.
Montadoras apresentam ociosidade na Alemanha
Levantamento feito pela agência Reuters mostrou que as fábricas instaladas em países como Alemanha, França e Itália enfrentam altos custos de produção, o que teria resultado em queda da capacidade de plantas instaladas nessas regiões.
Por outro lado, ainda segundo o levantamento, a taxa de produção seguiu estável em outros países europeus, como República Tcheca, Eslováquia e Espanha.O que mostra que ficou mais caro produzir na Alemanha.
A Renault cortou milhares de empregos na região como parte de uma iniciativa de redução de custos de € 3 bilhões, iniciada em 2021. A Stellantis deve cortar 20 mil empregos na Europa até o fim de 2024, em processo que começou também em 2021.
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Ambas cortaram linhas de produção e reduziram a capacidade para ficarem menos dependentes de grandes linhas de montagem, com mais trabalhadores temporários e menos funcionários permanentes na folha de pagamento.
A Volkswagen, por sua vez, espera algo muito maior do que o corte de € 10 bilhões que projetou para sua operação. Dentro da empresa, avaliam analistas internacionais, esse corte já não é visto como algo que vai salvar a montadora.