
O ranking das 70 cidades com o melhor transporte público mostra que o Brasil ainda está muito atrás no conceito de mobilidade. São Francisco, nos EUA, lidera a lista, seguida por Paris e Singapura.
O Brasil tem três cidades na relação. Porém, lá atrás : São Paulo (49), Rio de Janeiro (52) e Brasília (57).
Os critérios para as cidades com melhor transporte público
A pesquisa é realizada pelo Oliver Wyman Forum em parceria com a Universidade da Califórnia e avalia as cidades de acordo com o que elas oferecem em termos de mobilidade. São 71 métricas diferentes avaliadas para produzir a nota de cada cidade.
Os critérios incluem infraestrutura, eficiência do sistema, adoção de novas tecnologias, impacto social e inovação. Nos últimos anos, a sustentabilidade também ganhou bastante importância, com a adoção de veículos com zero emissão sendo um fator importante.
“Sentimos que, neste ano, era realmente importante atribuir um peso maior à tecnologia, considerando o crescente número de veículos automatizados em operação no ambiente urbano e, em um horizonte de tempo um pouco mais longo, o surgimento de eVTOLs como um novo paradigma de mobilidade”, declarou à Bloomberg Alexandre Bayen, vice-reitor e professor de engenharia elétrica e ciências da computação na Universidade da Califórnia.
Em comum, as cinco cidades que lideram o ranking têm sistemas de transporte público robustos e universidades que colaboram em proximidade com o setor privado. Confira o top 10 a seguir e um resumo do porquê elas pontuaram bem.
10 cidades com melhor transporte público
1. São Francisco
O foco em tecnologia acabou favorecendo as cidades norte-americanas, mesmo com elas tendo sistemas de transporte público deficientes.
A líder São Francisco, por exemplo, peca em infraestrutura para bicicletas e pedestres. No entanto, ganha pontos devido aos incentivos a veículos elétricos e à infraestrutura que está criando para táxis voadores.
A cidade pretende que pelo menos 25% dos novos licenciamentos sejam de VEs até 2030. Também anunciou que irá instalar 1.500 carregadores públicos até lá. Ainda está se abrindo para a direção autônoma e recebeu os primeiros testes em 2023.
No que diz respeito aos eVTOLS, a cidade faz parte de uma rede municípios que devem começar a receber voos a partir de 2025, de acordo com as empresas que montam o sistema. A ideia é reduzir viagens que demorariam uma hora para apenas 10 minutos.
Para completar, São Francisco também tem uma rede de universidades e centros de pesquisa muito forte e ativa, a qual trabalha junto às empresas para desenvolver novas tecnologias, incluindo soluções de inteligência artificial.
2. Paris
A capital francesa se beneficiou muito da realização dos Jogos Olímpicos em suas terras, o que estimulou a finalização da expansão da rede de metrô, que custou US$ 3,9 bilhões. Entre as iniciativas notáveis a extensão da Linha 14 para alcançar o Stade de France, que fica no subúrbio, e a criação de acessos de bicicleta para arenas esportivas.
Os maiores pontos positivos da cidade foram justamente sua estrutura para pedestres e ciclistas: entre 2021 e 2026, Paris está investindo € 250 milhões na construção de 180 km de vias seguras para bicicletas. As linhas de metrô têm acessibilidade para PCDs e são, em grande parte, automatizadas.
3. Singapura
Capital do país de mesmo nome, Singapura se destaca pelas amplas opções de transporte público. Há muitos modais, muitas estações e tudo fica perto das áreas residenciais.
O município tem o chamado plano da “cidade em 45 minutos”, criado em 2019, cuja meta é fazer com que nove entre 10 rotas na região sejam realizadas em até 45 minutos. Para isso, está expandindo sua rede metroviária e pretende colocar 80% das casas a 10 minutos de uma estação de metrô até 2030.
A cidade também tem poucos congestionamentos (principalmente porque é caro e difícil licenciar um carro por lá). E investe em carros autônomos, com testes sendo realizados desde 2020.
4. Munique
A cidade alemã apresentou um projeto ambicioso de dedicar 80% de suas vias para transporte público, bicicletas e veículos elétricos até 2035. Isso inclui a criação de uma extensa rede de ciclovias que ligam o centro aos subúrbios.
Recentemente, a cidade também expandiu sua zona de baixas emissões, onde não podem circular veículos movidos a diesel.
Outro ponto que contou a favor foi o transporte público barato, eficiente e seguro, que recebeu investimentos federais recentemente. Por lá, já é possível usar um sistema que está virando moda na Europa, em que você paga uma taxa mensal (neste caso, € 49, ou R$ 310) e pode usar todos os modais da cidade livremente.
5. Amsterdã
Chamada de “a capital do ciclismo” no mundo, Amsterdã tem investido pesado nas bicicletas, com o objetivo de que, até 2030, elas correspondam por 35% de todas as jornadas feitas.
Para isso, investe em ciclovias e também em áreas de estacionamento para as magrelas — em 2023, duas delas foram inauguradas, capazes de receber 7 mil bicicletas. Esses lugares funcionam 24 horas por dia e o estacionamento é gratuito.
Amsterdã também é a cidade líder no mundo em densidade de estações de carregamento para veículos elétricos. A meta é chegar a 80 mil pontos até o fim da década e eliminar todo tipo de transporte por combustíveis fósseis até 2030.
6. Estocolmo
Além da boa oferta em modais, a capital da Suécia também tem se destacado na sustentabilidade. Desde 2017, o transporte público da cidade é 100% alimentado por fontes sustentáveis. E isso não é pouco, considerando que são 100 km de trilhos e 400 linhas de ônibus e balsas, transportando 800 mil passageiros por dia.
Até 2026, a cidade deve criar duas zonas de emissão zero (ou seja, não será possível circular com carros movidos a combustíveis fósseis) e pretende neutralizar suas emissões até 2030. Para isso, investe em eletrificação: até 2028, todos os estacionamentos públicos terão estações de recarga.
7. Berlim
Assim como em Munique, os cidadãos podem pagar € 49 mensais (R$ 310) para viajar livremente pela cidade, inclusive com troca de modais. O metrô é gigante, com 146 km e 173 estações (o metrô de São Paulo, por exemplo, tem 104,4 km e 91 estações).
A cidade também tem investido em ciclovias, mas, assim como Munique, está atrasada na adoção de veículos elétricos. A explicação foi a retirada em 2023, por parte do governo federal, dos incentivos para a compra desses carros.
8. Nova York
A cidade de Nova York enfrenta uma crise em seu transporte nos últimos anos, com o metrô sofrendo com a degradação, a sujeira e a falta de investimentos (não faltam vídeos no TikTok mostrando a situação). Recentemente, também houve um aumento na violência causado pela falta de policiamento.
Apesar disso, a cidade aparece bem no ranking devido à sua ampla variedade de modais (ônibus, metrô, balsa, trem e trólebus). Há um plano de renovação no metrô, que inclui a reforma de estações, o aumento da acessibilidade e a compra de 2 mil novos trens. A cidade também tem se preparado para começar a receber carros voadores.
Recentemente, foi criticada a decisão da governadora Kathy Hochul de adiar a implementação do pedágio urbano na cidade. Um plano antigo e considerado necessário para melhorar a mobilidade por ali.
9. Zurique
Os pontos fortes da cidade foram sua variedade de modais e sua forte rede ferroviária, que leva a todo o país. O município também investe na multimodalidade e lançou um app que permite planejar viagens que combinam diversos meios, como táxis, bicicletas e transporte público.
A cidade, que já tem várias áreas livres de carro, também cria zonas com limite de velocidade de 30 km/h. E transforma algumas vias em túneis para diminuir a emissão de barulho.
10. Londres
Andar em Londres é muito fácil, pois o metrô (em combinação com os trens de superfície e monotrilhos) leva a qualquer lugar. E a rede não para de crescer: a mais recente adição foi a linha Elizabeth, inaugurada em 2022 e que já transporta mais de 700 mil pessoas por dia.
O carro também é desincentivado por meio de pedágio urbano e pela implementação de zonas de baixa emissão, em que você paga uma taxa se circular com um carro poluidor. A cidade planeja aumentar de 40% (em 2021) para 80% até 2041 o número de viagens feitas a pé, pedalando ou com transporte público.
