Seis fatos para entender a presença da mulher no setor automotivo

Elas são mais escolarizadas do que os homens, mas ganham menos e enfrentam barreiras para ascender profissionalmente nas empresas do segmento

Por GIOVANNA RIATO, AB
  • 08/03/2021 - 14:31
  • | Atualizado há 2 months
  • 3 minutos de leitura


    O Dia da Mulher comemorado na segunda-feira, 8 de março, marca o necessário esforço que a sociedade deve fazer para alcançar a equidade de gênero. Dentro deste contexto, o setor privado tem papel importante e a indústria automotiva, que responde por quase 5% do PIB brasileiro, carrega um enorme potencial de fomentar transformações positivas.



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    Além do aspecto social, o investimento das empresas em equidade de oportunidades a todos os gêneros também se traduz um melhoria de performance. Em 2020, o estudo Diversity Matters: América Latina feito com 700 empresas na região mostrou que aquelas que têm equipes executivas diversificadas, com homens e mulheres, têm 14% mais chances de superar a performance de seus concorrentes.

    “É preciso ter em mente que para pensar em soluções para uma realidade, devemos tirá-la da invisibilidade”, já disse a filósofa Djamila Ribeiro em seu livro Pequeno Manual Antirracista. Apesar de se referir ao racismo, a análise cabe como uma luva outros grupos minorizados.

    Com isso em vista, neste Dia da Mulher, Automotive Business traz os seis fatos mais relevantes sobre a participação feminina no setor automotivo com base nos estudos Diversidade no Setor Automotivo, de 2019, e Pandemia no Setor Automotivo: Trabalho e Sentimento, de 2020, ambos realizados por AB com coordenação técnica da MHD Consultoria. Porque ter conhecimento sobre uma situação é o primeiro passo para transformá-la.

    1 - A ASCENSÃO FEMININA AINDA É UM DESAFIO



    O chamado teto de vidro é um conceito bastante conhecido: uma barreira invisível que prejudica a ascensão profissional das mulheres – algo que também é percebido na indústria automotiva. No segmento, há certo equilíbrio entre a contratação de homens e mulheres para posições de aprendizes e trainees. A questão é que o crescimento profissional feminino é muito mais restrito.

    Nas 89 empresas que responderam à pesquisa Diversidade do Setor Automotivo, 77% dos cargos de diretoria são ocupados por homens, deixando somente 23% das oportunidades para as mulheres. O desequilíbrio se agrava nas posições de vice-presidência e presidência, em que 85% das cadeiras têm comando masculino.





    2 - ELAS GANHAM MENOS DO QUE OS HOMENS



    Para garantir equidade, o setor automotivo precisa enfrentar a desigualdade salarial – um problema presente em muitos segmentos da economia. No segmento, o salário médio das mulheres é 23% inferior ao dos homens, movimento que se agrava em posições de liderança, em que elas chegam a ganhar 34% a menos do que eles para exercer funções equivalentes.

    Há muitos motivos para o desequilíbrio, entre eles o perfil mais ambicioso dos homens na hora de negociar salários e a prática adotada por muitas empresas de, ao contratar uma mulher, basear a proposta salarial na remuneração que ela recebia na empresa em que trabalhava anteriormente – algo que reforça um desequilíbrio estrutural. Apesar da diferença salarial ser um desafio tão presente no segmento, apenas 38% das empresas automotivas indicam ter ações para reduzir estas desigualdades.



    3 - AS MULHERES SÃO MAIS ESCOLARIZADAS



    Mesmo com as desigualdades salariais e a dificuldade para ascender profissionalmente, mulheres são mais escolarizadas do que os homens que trabalham no setor automotivo. Enquanto 33% delas têm curso superior completo, apenas 21% deles apresentam o mesmo grau de instrução. As mulheres também investem mais em pós-graduação: 8% colaboradoras do setor automotivo completaram este nível, enquanto apenas 6% dos colaboradores. A diferença mostra que o público feminino está se preparando para assumir mais desafios no segmento.





    4 - HÁ MAIS PAIS DO QUE MÃES NAS EMPRESAS AUTOMOTIVAS



    Dos homens que trabalham no setor automotivo, 46% têm filhos. O número é significativamente superior ao de mulheres: só 36% das funcionárias do setor são mães. O dado aparentemente inofensivo pode indicar uma dificuldade das organizações para manter talentos femininos. Apenas 22% declaram ter medidas concretas para reter mulheres após a licença-maternidade. Há ainda aspectos culturais, como a própria sobrecarga de trabalho em casa com os filhos, que podem contribuir com a saída das mulheres do setor automotivo.





    5- A PANDEMIA TEM IMPACTO EMOCIONAL MAIOR PARA ELAS



    A pandemia tem significado sobrecarga emocional para a maioria das pessoas, mas este movimento é mais intenso entre as mulheres. Enquanto 81% dos homens que trabalham em empresas automotivas dizem ter ansiedade, entre as mulheres este sintoma tEm prevalência de 92%. Elas também se dizem mais esgotadas física e mentalmente. Neste momento, as mulheres também relatam receio maior que os homens de perder o emprego ou de ter redução na remuneração ou o adiamento de promoções.





    6- A MAIOR PARTE DAS MULHERES ESTÁ NA MANUFATURA



    Pode soar contraintuitivo, mas é na produção e na manufatura que está a maior parte das mulheres empregadas no setor automotivo. Algumas empresas declaram, inclusive, dar preferência aos talentos femininos em algumas posições da linha de produção que demandam mais atenção aos detalhes ou têm processos mais refinados. Ainda assim, o fato de a maior parte das mulheres empregadas na indústria trabalhar nesta área tem uma explicação mais simples do que esta: é na produção que se concentra o maior volume de posições de trabalho do segmento.