Primeira diretora industrial da ArcelorMittal anuncia meta de ampliar presença feminina

Para Tatiana, o engajamento masculino é essencial para alcançar a equidade de gênero

Por NATÁLIA SCARABOTTO, AB
  • 11/03/2021 - 08:15
  • | Atualizado há 2 months
  • 3 minutos de leitura


    Nesta Semana da Mulher, AB Diversidade convida lideranças para compartilharem como avaliam a equidade de gênero no setor automotivo. Tatiana Nolasco, diretora industrial da ArcelorMittal Sul Fluminense - a primeira mulher a comandar uma siderúrgica da organização, é uma das convidadas. A executiva anuncia que a empresa estabeleceu a meta de ter ao menos 30% de mulheres entre seus empregados até 2030.



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    Ela aponta ainda que as mudanças, apesar de lentas, estão acontecendo e precisam ser impulsionadas por todos. “Quando cursei engenharia, há 23 anos, esse quadro era bem pior”, conta. “Nós só conseguiremos alcançar a equidade de gênero com o apoio dos homens. Além de ser uma questão de justiça, este é um caminho que agrega valor. Diversidade é bom para os negócios.”

    As mulheres ainda são minoria em cargos de alta gestão da indústria automotiva, representando apenas 6%, segundo a pesquisa Liderança do Setor Automotivo, feita por Automotive Business com a coordenação técnica da MHD Consultoria. Dentro de todo o segmento, elas somam apenas 19% da força de trabalho, com maiores desafios, mas menores oportunidades e salários, aponta o estudo Diversidade no Setor Automotivo.

    Tatiana iniciou carreira no Grupo Votorantim em 2001, onde passou por áreas como planejamento e controle de produção. Com a aquisição das operações pela ArcelorMittal, ficou à frente da área de suprimentos do Sul Fluminense até agosto de 2019, quando assumiu a Gerência técnica e qualidade. Em 2020, passou a liderar a gerência de laminação de Barra Mansa.

    Na sua visão, qual é a importância da equidade de gênero para a indústria em geral e, principalmente, para o setor automotivo?



    A equidade de gênero é um caminho sem volta. A sociedade avançou, direitos foram conquistados, alguns paradigmas foram quebrados e as mulheres passaram a ocupar espaços outrora dominados por homens. Temos de seguir avançando nessas estatísticas se queremos construir uma sociedade mais inclusiva, equânime e justa para todos.

    No Dia Internacional da Mulher, a ArcelorMittal Brasil lança a meta de ter ao menos 30% de mulheres entre seus empregados até 2030. O desafio está colocado para todas as áreas da empresa, incluindo as atividades operacionais, administrativas e cargos de liderança.



    Atualmente, dos cerca de 17 mil empregados da ArcelorMittal Brasil, 14% são mulheres. Em suas trajetórias profissionais, as mulheres devem ser estimuladas e ter a oportunidade de desenvolvimento, inclusive no setor automotivo, historicamente associado à figura masculina.

    Que conselho você daria às mulheres que querem construir carreira no setor?



    O segredo do sucesso é fazer aquilo que algumas vezes pode te assustar, sair da sua zona de conforto e enfrentar os desafios que a vida coloca na sua frente. Tenha autoconfiança, encare qualquer situação de forma positiva. A coragem é uma das competências mais importantes, junto com resiliência e a disciplina. Pratique o autoconhecimento e capacite-se.

    E aos homens que buscam fomentar a equidade?



    Nós só conseguiremos alcançar a equidade de gênero com o apoio dos homens. Além de ser uma questão de justiça, a equidade de gênero agrega valor. Diversidade é bom para os negócios. Equipes diversas são mais criativas, pensam de forma diferente e trazem soluções inovadoras para as empresas. Em um ambiente em que todas as pessoas conseguem se sentir contempladas e respeitadas, tem-se também um espaço mais produtivo. Sempre que posso, converso com lideranças masculinas sobre a importância de darem apoio às mulheres e a oportunidades iguais.

    Quais oportunidades e desafios você enxerga na busca da equidade de gênero dentro do setor?



    Os números ainda são muito desiguais quando falamos das mulheres no mercado de trabalho, na indústria e em posições de liderança. Mas quando entrei no curso de engenharia, há 23 anos, esse quadro era bem pior. Com certeza essas estatísticas vêm melhorando, e eu me vejo como parte dessa evolução. O movimento que a ArcelorMittal e outras empresas estão fazendo é para que se acelere o ingresso da mão de obra feminina nas empresas. É uma jornada.

    O que você gostaria de receber de presente de Dia da Mulher?



    Gostaria de receber de presente mais respeito, valorização e liberdade para todas as mulheres. Gostaria de ler e ouvir notícias sobre diminuição da violência contra a mulher, sobre o respeito crescente à condição da mulher em seus ambientes de trabalho e também em seus lares. Também ver o aumento do número de mulheres nas empresas, na indústria, na política e em todas as esferas da sociedade.