Para Fernanda Ferraza, da Bosch, ainda há muitas barreiras à equidade de gênero no setor automotivo

Fernanda Ferrazza trabalha há 18 anos Bosch, sendo a maior parte em posição de liderança - três deles na Alemanha

Por NATÁLIA SCARABOTTO, AB
  • 08/03/2021 - 16:44
  • | Atualizado há 2 months
  • 2 minutos de leitura


    A indústria automotiva ainda abre pouco espaço para as mulheres: em cargos de alta gestão elas representam apenas 6%, conforme aponta a pesquisa Liderança do Setor Automotivo, feita por Automotive Business com a coordenação técnica da MHD Consultoria. Dentro de todo o segmento, elas somam apenas 19% da força de trabalho, com maiores desafios, mas menores oportunidades e salários (veja aqui), segundo o estudo Diversidade no Setor Automotivo.



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    Apesar do empenho de diversas empresas para fomentar a equidade de oportunidades, ainda há um caminho longo a ser percorrido. Nesta Semana da Mulher, AB Diversidade convidou representantes do setor para falar sobre a busca por mais equilíbrio e representatividade na indústria. A cada dia da semana, será publicada uma nova entrevista.

    A primeira entrevistada é Fernanda Ferrazza, responsável pela área de Aceleração de Negócios Digitais na divisão de Powertrain Solutions da Bosch, na Alemanha. Ela é engenheira eletricista, pós-graduada em Gestão de Projetos, esposa e mãe. Há 18 anos trabalha na indústria automotiva, sendo 13 em posição de liderança - quase 3 deles em uma posição internacional. Ela se descreve como alguém em constante busca por conhecimento, apaixonada por liderar processos de mudança e pela possibilidade de fazer a diferença nos negócios e na vida das pessoas.

    Começou na Robert Bosch no Brasil no programa trainee, atuando nas áreas de qualidade, produção, e gestão da qualidade do cliente. Em 2016, foi para a área de inovação e desenvolvimento de novos produtos e negócios, dando continuidade ao desenvolvimento de carreira na Bosch na Alemanha, onde atuou na gestão de produto para novas tecnologias e atualmente no desenvolvimento de negócios digitais para a divisão de Powertrain Solutions.

    Na sua visão, qual é a importância da equidade de gênero para o setor automotivo?



    Acredito fortemente na diversidade, não apenas de gênero, mas de forma geral, como chave de sucesso para organizações altamente eficientes. Ambientes diversos são mais propícios à adaptabilidade e à criação de novas ideais e perspectivas que habilitam transformação e geram inovação. Temos de estar aptos não só a fomentar a diversidade, mas também a promover uma cultura de trabalho progressiva e uma gestão aberta e pautada em confiança.

    Que conselho você daria às mulheres que querem construir carreira no setor? E aos homens que buscam fomentar a equidade?



    A equidade de gênero não está perto de ser uma realidade no setor. Ainda existem muitas barreiras a serem vencidas. Portanto, nós mulheres precisamos ter coragem e resiliência.



    Para isso, meus conselhos para elas são: não espere estar pronta, acredite na sua capacidade e aceite desafios; se disponha a errar, aprender e crescer durante o caminho; não tenha medo de ser você, é a sua diferença que te empodera; seja fonte de inspiração e encontre tempo para contribuir ativamente na luta pela igualdade, na perspectiva que escolher.

    Aos homens que buscam fomentar a equidade, meu pedido é que valorizem a diversidade na prática no dia a dia. Cada mudança de atitude pode gerar um grande movimento. Estejam dispostos a aprender e a mudar, questionem-se constantemente. Uma atitude sensível ou emotiva, mais comum entre as mulheres, é frequentemente vista pelo homem como fraqueza no ambiente profissional. Busquem entender a diversidade de atitudes como positiva e sem julgamentos. Mais ainda, se posicionem frente a comentários preconceituosos ao invés de apenas escutar passivamente.

    Quais oportunidades e desafios você enxerga na busca por equidade de gênero dentro do setor?



    O setor automotivo, principalmente na carreira técnica, é extremamente masculino. Não é um setor considerado atrativo pelo público feminino e pouco ainda foi feito para mudar este cenário. Além disso, o lento progresso em números em direção à equidade de gênero não se reflete em posições de liderança. Mas este também é um setor que enfrenta e continuará a enfrentar muitos desafios e mudanças em um futuro próximo e vejo isso como uma oportunidade para promover a diversidade. Tecnologias digitais, por exemplo, aparentam ser muito mais atrativas para mulheres do que temas tradicionalmente abordados no setor.

    Existe hoje um ambiente muito mais aberto para se discutir questões como esta do que existia há 18 anos, quando comecei. Muitos tabus foram quebrados e, aos poucos, a diversidade começou a ser vista como vantagem.