Nissan prepara expansão de oferta

March e Versa terão câmbio CVT, importados podem vir, Kicks só em 2016

Por PEDRO KUTNEY, AB
  • 11/08/2015 - 20:00
  • | Atualizado há 2 months
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    Aos poucos, a Nissan prepara a expansão da oferta de seus carros no Brasil. “Com apenas quatro produtos [March, Versa, Frontier e Sentra] conseguimos aumentar de 2,1% para 2,5% nossa participação no último trimestre e estamos presentes em 63% dos segmentos do mercado. March e Versa ainda não têm opções automáticas, mas com [câmbio] CVT até o fim do ano devemos subir [o porcentual] para 70%”, informou Ronaldo Znidarsis, vice-presidente de vendas e marketing da Nissan do Brasil, para logo em seguida desconversar: “É uma opção que estudamos”.

    Além do aumento de versões dos dois carros já fabricados em Resende (RJ), também não se descarta importar produtos europeus. Znidarsis reforça que nada está decidido, mas admite que os crossovers Qashqai e Juke, ambos fabricados no Reino Unido, estão na lista de possibilidades. Segundo fontes, o Qashqai seria o mais viável, pois no futuro poderia conviver como irmão maior do Kicks, o projeto de crossover compacto a ser fabricado no Brasil apresentado pela primeira vez ao público no Salão do Automóvel de São Paulo de 2014. Guardadas algumas diferenças, a Nissan teria uma oferta muito parecida com a da Honda nesse segmento no País, que importa o CR-V, maior, e faz aqui o HR-V, menor, lançado este ano.

    “Claro que o segmento que atualmente causa mais excitação no mercado também chama nossa atenção”, limita-se a dizer Znidarsis. Parece mais provável que as decisões sobre importações e o lançamento do Kicks fiquem mesmo para o ano que vem, talvez só para o segundo semestre, após as Olimpíadas do Rio, que já ocuparão boa parte das atenções da Nissan como patrocinadora oficial do evento, que pretende usar para tornar a marca mais conhecida no Brasil (leia aqui).

    COMUNICAÇÃO

    “A Nissan ainda não é conhecida no Brasil, por isso precisamos fazer um trabalho consistente nesse sentido, mas mesmo assim vamos fechar este ano com crescimento de dois dígitos porcentuais”, projeta Znidarsis. Segundo ele, essa é uma conquista lenta, que envolve a comunicação dos atributos de uma marca japonesa que se vincula à qualidade, confiabilidade e segurança, além de desconstruir a imagem de produto importado. A ideia é usar e abusar do mote “tecnologia japonesa agora fabricada no Brasil” que a Nissan vem inserindo em sua publicidade no País.

    O executivo destaca que essa construção de imagem está indo bem: “A Nissan não é tão conhecida, mas também não tem rejeição. Temos também a maior taxa de fechamento de negócios após o test-drive, cerca de 30% dos que experimentam nossos carros compram”, afirma. Ele lembra que existe fila de espera para o Versa, pois Resende por enquanto trabalha em um só turno para produzir dois modelos.

    Znidarsis cita ainda outros bons resultados para a picape Frontier, ainda fabricada na planta da sócia Renault em São José dos Pinhais (PR). “Fomos líderes do segmento em uma das maiores regiões picapeiras do País, em Ribeirão Preto, e temos ótimos índices de participação para a Frontier em outros lugares, como 7% em Manaus (AM). Mas ainda temos apenas 0,7% em Goiás, que é importante nesse mercado, porque estamos reformulando nossa rede no Centro-Oeste, o que mostra o grande potencial para crescer.”

    O executivo também se mostra feliz com o desempenho do sedã médio Sentra, atualmente o único modelo que a Nissan segue importando do México, isento de imposto de importação. “Com uma rede quatro vezes menor o carro está à frente de concorrentes como Chevrolet Cruze e Volkswagen Jetta. O Sentra recebeu a melhor nota da pesquisa da JD Power nos Estados Unidos. Com mais conhecimento sobre ele aqui vamos encostar nos líderes do segmento Honda Civic e Toyota Corolla”, avalia.

    A questão da expansão da rede, hoje com 160 concessionárias no País, é vista com cautela diante do atual cenário de retração do mercado. “Imaginava-se que hoje o Brasil estaria consumindo algo como 4,2 milhões de veículos por ano. Eu era um dos que acreditavam nisso e sempre defendi a expansão da rede para atender esse patamar. Mas isso não aconteceu. Hoje a Nissan precisa crescer mas vamos fazer isso de forma cuidadosa, sem necessidade de se construir Taj Mahals para a marca. É preciso ser rentável, não adianta expandir sem isso”, afirma Znidarsis, que por muitos anos trabalhou no desenvolvimento de redes da General Motors e, mais recentemente, da Volkswagen na Alemanha e no Brasil. “Já trabalhei por 27 anos na empresa que era líder mundial de vendas, depois mais dois anos e meio na que quer ser a líder, aprendi muito com os erros cometidos nesse tempo e hoje conheço alguns atalhos”, resume.