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Automóveis e Comerciais Leves | 12/04/2011 | 11h36

Montadoras priorizam o suprimento local

Há gargalos para borrachas e custos elevados para aço e plásticos.

Sueli Osório, para AB

Sueli Osório, para AB

No painel Novas Equações na Cadeia de Suprimentos, realizado nesta segunda-feira durante o II Fórum da Indústria Automobilística, os executivos responsáveis por compras das quatro principais montadoras instaladas no País garantem que contam prioritariamente com o suprimento de fornecedores locais, mas tendo sempre em vista a competitividade.

Osias Galantine, diretor de compras do Grupo Fiat, informou que neste ano o grupo aplicará R$ 14 bilhões em compras produtivas e de R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões em compras não produtivas. Desse total, a fonte prioritária é local. “Em média, compramos 95% de fornecedores locais. Importamos para modelos de baixo volume ou se a competitividade é muito diferente.

Osias entende que hoje a definição de comprar ou importar tem um sentido mais amplo: “Agora, a decisão a ser tomada é se faço o carro aqui ou fora. Se faço aqui, as peças são locais”, enfatizou. Ele salientou que 70% do que compra vem de empresas situadas em raio de 150 quilômetros da fábrica.

João Pimentel, diretor de compras da Ford, informou que a empresa tem 350 fornecedores para a América do Sul e a metade deles é local. “A opção é por comprar componentes localmente até valer a pena. Quanto mais perto da nossa localização, melhor. Trabalhamos para trazer mais fornecedores a Camaçari. Nosso objetivo é sermos mais competitivos. Decidimos isso junto aos fornecedores e às vezes eles mesmos optam por importar alguns componentes para melhorar custos.”

Na General Motors, segundo o diretor de compras, Orlando Cicerone Filho, há 90% a 95% de conteúdo local nas plataformas correntes. “Vamos ter vários lançamentos e tivemos de puxar alguns produtos importados de saída. Queremos ter conteúdo local grande até para não ter problemas como os acarretados pela tragédia do Japão. Mas nas plataformas correntes temos muito pouco conteúdo importado, como na S10.” Segundo Cicerone, não dá para assumir que, na vida inteira de uma operação, conte-se sempre com frete marítimo ou até aéreo. Ele informou que, em 2011, a General Motors América do Sul vai desembolsar US$ 7 bilhões em compras produtivas, US$ 600 milhões em materiais indiretos e US$ 1 bilhão em investimentos em equipamentos.

Cicerone completa que, para as commodities, gostaria de ter mais fornecedores. Alexander Seitz, vice-presidente de compras da Volkswagen para a América do Sul, reforça que é importante definir duas fontes: uma nacional e outra importada. Segundo Seitz, hoje a Volkswagen conta com 80% a 85% de conteúdo local – contabilizado para a região do Mercosul –, o que considera um nível bom.

“Espero do meu fornecedor que ele defina se vai importar o componente ou terá produção local. Os carros chineses têm preços muito mais baixos que os nossos e, se não atacarmos essa questão, teremos problemas em breve”, argumentou Seitz.

Commodities Segundo Galantine, a montadora tem tido problemas com o fornecimento de borracha natural e sintética, principalmente por causa da crise na Líbia, que afeta a produção de petróleo. Além de ser usada nos pneus, a borracha é utilizada em tubos e guarnições. Outro material que exige alerta é o alumínio. “O valor do dólar está ajudando, mas o preço subiu consideravelmente desde o fim do ano passado”, disse. Em relação ao aço, a Fiat negocia com o fornecedor. “Importamos 30% do aço”, disse.

Seitz, da Volkswagen, afirmou que fez um contrato com o fornecedor de aço e tem proteção do preço por um tempo determinado. “Aqui no Brasil temos toda a matéria-prima para fazer aço, por que tem de ser 30% mais caro que lá fora?”, questionou. Segundo ele, a mesma coisa ocorre com o plástico, que custa 30% a mais no País.

Investimento

Os participantes do painel de debates concordaram que é importante que os fornecedores também aumentem a produtividade e invistam em automação. Segundo Seitz, enquanto no Brasil os salários têm aumentado de 5% a 10% ao ano, a produtividade só cresce 0,9%, ao passo que, na Alemanha, os salários subiram, mas a produtividade também.

João Pimentel, da Ford, alerta que os fornecedores que não estiverem investindo deixarão de fornecer em breve. “Há linhas de crédito disponíveis para investimentos em ferramental, automação e engenharia. Se isso não ocorrer, vamos importar peças e até trazer veículos importados. Espero que isso não aconteça.”

Galantine reforçou que a Fiat também tem orientado os fornecedores a buscar financiamentos do governo para investir e admite que é preciso disseminar o conhecimento a respeito da disponibilidade de linhas especiais para inovação e desenvolvimento. Seitz enfatizou que é uma hora boa para investir em automação. “Com o real forte, é o melhor momento para investir em equipamentos e elevar a produtividade”, concluiu.

FOTO: Alexander Seitz, vice-presidente de compras para a América do Sul da Volkswagen; Orlando Cicerone, diretor de compras da GM América do Sul; João Pimentel, diretor de compras da Ford; e Osias Galantine, diretor de compras do Grupo Fiat, durante o II Fórum da Indústria Automobilística. (foto de Ruy Hiza).



Tags: Compras automotivas, Fiat, Volkswagen, Ford, General Motors, gargalos.

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