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Mercado e Negócios | 24/03/2011 | 21h55

Qualidade, rentabilidade e volume na equação da VW

É nessa ordem que Schmall avalia resultados e acelera a Mach 18.

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Paulo Ricardo Braga, AB

Quando vai à matriz alemã prestar conta de resultados, a primeira explicação que o presidente da Volkswagen do Brasil, Thomas Schmall, tem que dar é sobre os níveis de qualidade dos veículos produzidos no País. Diante da experiência vivenciada pela Toyota no ano passado, não é de estranhar essa preocupação dos alemães de Wolfsburg em evitar constrangedoras sessões de recall, que podem resultar da complexidade nas operações logísticas atuais. Em segundo lugar na pauta vêm o questionamento sobre lucros e, afinal, do volume de veículos comercializados.

“É claro que pretendemos ficar à frente do ranking de produção e vendas no Brasil. A própria corporação já definiu a meta de ser o maior player global do setor até 2018. Mas estamos sempre ocupados em observar as planilhas de resultados financeiros, antes de somar os carros vendidos”, enfatiza Schmall. Ele explica que pretende manter um portfólio equilibrado, com veículos de entrada e também carros que deixam margens mais generosas, como é o caso dos importados. O lançamento do novo Jetta, sedã médio, reforça essa estratégia.

O presidente da Volkswagen projeta um crescimento de 5% nas vendas de veículos leves no Brasil em 2011, para 3,5 milhões de unidades, e pretende acompanhar a evolução do mercado. Para ele, é preferível ter um crescimento sustentável no nível previsto do que avançar no patamar de dois dígitos por pouco tempo e depois mergulhar em redução expressiva.

Ele está de olho aos movimentos das marcas chinesas que estão chegando com veículos de entrada e só mais tarde vão pensar em segmentos mais altos. O executivo não pretende importar veículos pequenos, abaixo do Gol, para enfrentar os newcomers asiáticos: “É preciso ter produção local para vender volumes expressivos”, diz. O executivo acredita que o segmento de veículos populares, básicos, vai duplicar em quatro ou cinco anos, já que há um potencial importante no País para a categoria.

O carro pequeno da Volkswagen está a caminho, já se sabe. Schmall nada comenta a respeito, nem mesmo sobre os motores de 3 cilindros que a fábrica de São Carlos vai produzir, com blocos de ferro. Inicialmente cogitou-se em utilizar alumínio. Ele admite que a unidade de motores no interior paulista dá conta do recado e atualmente pode montar 3.600 propulsores por dia.

Para resolver

Schmall alinha três questões fundamentais que afligem os fabricantes de veículos no Brasil. A primeira é o custo do aço. Ele esclarece que 80% do custo de um carro está relacionado a matérias-primas. Delas, metade corresponde ao aço. Sem entrar em detalhes sobre a queda de braço entre usinas siderúrgicas e fabricantes de veículos, o executivo afirma que há contratos de longo prazo que protegem de flutuações bruscas nos preços. Esse ‘guarda-chuva’ se estende a muitos fornecedores, que se beneficiam das negociações em bloco para suprimentos de insumos. Importações da ordem de 30% são admitidas pela empresa, como forma de combater elevação de preços.

A segunda dificuldade da indústria automotiva é a fragilidade da infraestrutura, que reflete na queda de competitividade dos fabricantes locais, agravada pelo câmbio, carga de impostos e burocracia. A terceira diz respeito à educação, que exige investimento de longo prazo na qualificação de pessoal, como fez a Coreia com sucesso. “Precisamos de um contingente maior de profissionais preparados e equacionar o custo de mão de obra na produção. Hoje nossos custos nessa área superam a realidade de países do leste europeu”, adverte. A Volkswagen tem programas para completar a formação de pessoal e aplica este ano 35 horas de treinamento por empregado.

Pintura tem sido um dos gargalos no parque de manufatura da empresa no Brasil. Parte dos R$ 6,2 bilhões que estão sendo aplicados pela empresa alimentam projetos para dar maior capacidade nesse campo. A unidade Anchieta ganhou novas instalações em dezembro e a de Taubaté recebe R$ 300 milhões para substituir os equipamentos atuais por outros mais modernos, que eliminam solventes.

“Estamos empenhados no programa conhecido por Mach 18, para acelerar a corporação rumo à liderança global em 2018. O Brasil está envolvido nessa trajetória”, afirma Schmall. O grupo Volkswagen produziu 7,2 milhões de veículos em 2010, volume 14% acima do registrado em 2009. Foi um recorde histórico. Dos 4,5 milhões de automóveis desse total, o Brasil contribuiu com 697 mil, o equivalente a 15%, que garantiram ao País a posição de segundo maior mercado mundial da marca.

O fôlego na produção continuou ao longo de 2011 até 18 de março, com a montagem global de 1,2 milhão de carros e um avanço de 17% sobre 2010.

Em 2010 a operação brasileira da Volkswagen produziu 815.821 mil veículos (a Fiat ficou com 757.418 e a GM com 635.073) sem computar CKD. As exportações foram de 151.267 unidades, contra importações de 38. 104 unidades. No final de dezembro a operação local contabilizava 23.189 trabalhadores.

Até 23 de março já haviam sido emplacados no Brasil 533.228 carros e 150.183 comerciais leves de todas as marcas, com uma evolução de quase 10% sobre 2009. No período a marca Volkswagen comercializou 125.370 carros e 23.066 comerciais leves. “Sem os benefícios do IPI a indústria está acima dos números do ano passado. É algo que ninguém imaginou”, registra Schmall.

O Gol continua disputando a primeira posição no ranking de vendas com o Novo Uno. “A briga continuará”, garante Schmall, que anunciou também novidades na linha 2012 para o Gol, Fox e Voyage.

Foto: Thomas Schmall na apresentação do novo Jetta



Tags: Volkswagen, Jetta, Gol, Voyage, Fox, fábrica Anchieta.

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