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Mercado e Negócios | 25/02/2011 | 06h46

GM tem primeiro lucro anual desde 2004

Recém-criada divisão América do Sul lucra quase US$ 1 bilhão

Pedro Kutney, AB

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Pedro Kutney, AB

Após acumular sucessivos prejuízos nos últimos cinco anos, a General Motors apurou seu primeiro balanço anual positivo desde 2004, conforme anunciou o CEO Dan Akerson na quinta-feira, 24, para investidores e jornalistas. Considerando todas as operações da companhia no mundo, o faturamento em 2010 somou US$ 135,6 bilhões e o lucro líquido foi de US$ 4,7 bilhões, com fluxo de caixa líquido de US$ 6,6 bilhões.

Akerson destacou que este foi o primeiro ano inteiro de operação após a “refundação” da GM, que em 2009 precisou ser socorrida pelo Tesouro dos Estados Unidos com a injeção US$ 49,5 bilhões para salvar a empresa. “A GM demonstrou sua habilidade em ser lucrativa mesmo operando nos mais baixos níveis de produção da indústria americana, registrando quatro trimestres lucrativos consecutivos”, comemorou. Das quatro divisões da companhia, três registraram lucros: a GMNA (América do Norte), GMIO (Internacional) e GMSA (América do Sul). A GME (Europa) foi a única que fechou o ano com prejuízo.

América do Sul

Foi particularmente positivo o resultado da recém-criada divisão América do Sul, a GMSA – até o ano passado a região era incluída nas operações da GMIO, que engloba todo o mundo fora da América do Norte e Europa. Pela primeira vez foi possível saber com quanto os mercados sul-americanos contribuem no balanço da companhia. Em 2010 essa contribuição foi de praticamente 20% do resultado mundial: a GMSA apurou lucro líquido de US$ 933 milhões no último exercício, fechando assim quatro anos consecutivos de lucros crescentes na região, segundo informou Jaime Ardila, presidente da divisão.

O lucro operacional da GM sul-americana, sem incluir pagamento de impostos e juros, foi curiosamente menor do que o resultado líquido, somando US$ 900 milhões. “Isso se explica pelos ganhos financeiros que tivemos com a aplicação de nosso caixa”, explicou Ardila – o que em muito foi ajudado pelos juros muito acima da média mundial praticados no Brasil.

Segundo o executivo, a diferença de US$ 33 milhões em relação ao resultado líquido da GMSA também diz muito a respeito das remessas de lucros e dividendos à matriz, pois significa que o dinheiro ficou aqui, recebendo remuneração em bancos locais, e não houve remessas significativas em 2010 – ao contrário do que aconteceu em 2008 e 2009. “A companhia tem hoje US$ 33 bilhões em caixa no mundo todo e não precisou receber recursos daqui”, garantiu o executivo, negando que existam pressões para aumentar o volume de pagamentos ao cofre central da GM, como sugeriram alguns veículos de comunicação como motivo para a saída de Denise Johnson do comando da GM Brasil no início desta semana.

Ardila, que assumiu a presidência da GMSA em agosto de 2010, contou que todos os objetivos da divisão para o ano foram superados: “Nossa meta era vender mais de 1 milhão de veículos na região e a soma final foi pouco maior do que isso. Também precisávamos apresentar lucro significativo e fluxo de caixa positivo, o que também foi conquistado com folgas”, comemorou.

O Brasil se consolidou na posição de terceiro maior mercado mundial da GM e, por consequência, foi o país que mais contribuiu para os resultados positivos da divisão sul-americana da companhia, com faturamento de US$ 10,4 bilhões, ou 65% da receita total de US$ 16 bilhões da GMSA em 2010, e vendas de 658 mil veículos, ou 65% das 1 milhão de unidades vendidas na América do Sul no ano. Embora a GM não divulgue o ganho líquido por país, pelos números divulgados é possível estimar que a participação do Brasil no lucro da divisão fique entre 60% e 70%.

Para 2011, Ardila acredita que a chegada de mais produtos (serão nove lançamentos de veículos completamente novos até o fim de 2012, sendo três este ano) e o crescimento sustentado do mercado brasileiro vão continuar a garantir resultados robustos para o Brasil e a GMSA. A estimativa é vender 700 mil unidades no mercado brasileiro em 2011, que a GM projeta atingir o total de 3,55 milhões de licenciamentos. “Já tínhamos antecipado a desaceleração das vendas este ano no Brasil, levando em conta o aumento dos juros para segurar a inflação, por isso vamos manter a projeção que fizemos no fim de 2010”, avalia.

“As estrelas da GM nos últimos anos são China e Brasil, por causa do crescimento forte desses mercados e da perspectiva de continuação da expansão, por isso a companhia deve seguir com grandes investimentos nestes países”, ressaltou Ardila. Ele lembrou que somente este ano a GM Brasil investirá R$ 2 bilhões, dentro do programa de R$ 5 bilhões até 2012. “Mas há uma boa chance de aumentarmos esse valor para fazer frente ao significativo sucesso de vendas que estamos experimentando”, revelou, citando o exemplo do Chevrolet Agile, lançado no segundo semestre de 2009, quando a expectativa era de vender 5 mil unidades/mês e atualmente são vendidos 9 mil/mês.

Foto: Dan Akerson, CEO da GM/divulgação.



Tags: General Motors, balanço, Dan Akerton, Jaime Ardila.

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