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Financeiras | 10/11/2010 | 19h18

Coutinho fala de câmbio e crescimento

Saiba o que pensa o presidente do BNDES.

Vladimir Platonow, Agência Brasil

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A economia deverá sofrer pressões motivadas pelos desajustes cambiais internacionais. A análise é do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que participou nesta quarta-feira da abertura da edição especial do Fórum Nacional, Manifesto por um Brasil Desenvolvido, que ocorre na sede do banco, no centro da cidade.

“Existe um processo de relaxamento monetário nos Estados Unidos, com injeção de US$ 600 bilhões nos próximos meses, inundando o mercado mundial de liquidez. Isso tende a pressionar as moedas flutuantes, especialmente nos países onde existem a perspectiva de crescimento econômico e condições de atração de capitais. Isso exerce naturalmente pressão forte sobre o real”, afirmou.

Para Coutinho, a chave para o crescimento está no investimento empresarial em pesquisa e desenvolvimento. “A grande deficiência está na insuficiência do esforço do setor privado. O Brasil vem melhorando, mas precisa acelerar, pois os objetivos são ambiciosos. Um engajamento amplo do setor privado leva a um salto em matéria de inovação”, disse o presidente do BNDES, citando áreas estratégicas onde o país pode ter grandes vantagens competitivas, como desenvolvimento de software e biocombustíveis.

O ex-ministro do Desenvolvimento Luiz Fernando Furlan participou do fórum e também demonstrou preocupação: “Guerra cambial é assunto grave, que afeta alguns segmentos de produção maciça de produtos industrializados. As commodities estão tendo uma defesa natural pelo aumento da demanda, com o crescimento do preço. Industrializados, como eletroeletrônicos, confecções e calçados, acabam sendo vitimados, porque a competição torna-se desleal”, afirmou Furlan. “No caso dos eletroeletrônicos, especialmente os eletroportáteis, a indústria brasileira tende a desaparecer”, alertou.

Perguntado se poderia participar na montagem do novo governo, Furlan afirmou que a possibilidade não estava em seus planos. “Eu considero muito prazerosa minha passagem pelo governo. Tenho muito boas lembranças e não tenho saudades. Não fui convidado e também não estou disponível”, disse.

O Fórum Nacional especial prossegue até a quinta-feira, reunindo lideranças políticas e econômicas, sob a condução do ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso.



Tags: BNDES, Luciano Coutinho, economia, câmbio.

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