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Powertrain | 11/10/2010 | 23h06

FPT demonstra Multiair e Dry Dual Clutch

Tecnologias inovadoras estarão disponíveis também para o Brasil.

Paulo Ricardo Braga

Paulo Ricardo Braga, de Turim, Itália

Texto atualizado dia 12 às 14h42.

Automotive Business participou nesta terça-feira, 12, no Centro Sperimentale Balocco, do Grupo Fiat, próximo a Turim, na Itália, de uma bateria de testes de novas tecnologias desenvolvidas pela FPT – Powertrain Technologies na área de motores e transmissões. As novidades começam a ser incorporadas a veículos produzidos em série e devem chegar ao Brasil oportunamente, como os propulsores dotados da tecnologia Multiair, motores de dois cilindros de alta eficiência e a nova embreagem dual clutch a seco (Dry Dual Clutch) produzida na planta de Verrone após investimento de € 500 milhões.

O Dry Dual Clutch, testado em uma Alfa Romeo Mito de 135 cavalos, deixou impressão muito favorável sobre o aperfeiçoamento que possibilita a rápida troca de marchas, sem perda de rotação do motor. Já os motores com Multiair apresentam desempenho acentuado pelo gerenciamento otimizado do volume de ar injetado. A engenharia da FPT já aplicou o Multiair ao motor Fire 1.4L, que oferece 135 a 170 cavalos no powertrain das Alfas Mito e Giulietta e do Punto, e trabalha para levar o sistema a motores a gasolina com injeção direta e ainda a diferentes combustíveis, incluindo o ciclo diesel.

Uma nova aplicação do Multiair foi introduzida também no SGE – Small Gasoline Engine, de 900 cc e dois cilindros, otimizado nas versões aspirada e turboalimentada que levam ao nível de potência de 85 ou 105 cavalos com gasolina. O motor compacto, cerca de 20% mais leve que um aspirado de 1.4 litro, demonstra boas características, embora seja preciso familiarizar-se com o regime de operação, trocas de marchas e para obter máximo rendimento. Uma versão turbo para gasolina e gás natural permite chegar ao patamar recorde de 80 g/km na emissão de CO2.

Resultados

Multiair é o nome que a FPT dá ao sistema eletro-hidráulico aplicado às válvulas do motor para controle dinâmico do volume de ar injetado para a combustão, de forma individual, nos cilindros. João Irineu Medeiros, diretor de engenharia da empresa, explica que se trata do primeiro esforço bem-sucedido para gerenciar de forma eficiente a quantidade de ar utilizada no processo de combustão. Até agora os esforços tecnológicos eram aplicados ao controle do fluxo de combustível, seja por meio da injeção eletrônica ou de avançadas tecnologias de injeção direta combinadas com sobrealimentação por emprego de turbos.

Os resultados práticos do Multiair são significativos, com acréscimo de até 10% na potência máxima em relação aos processos convencionais que utilizam controle de válvulas apenas mecânico. O torque em baixa rotação pode ser elevado em 15% e a eliminação de perdas de bombeamento leva a 10% de redução no consumo e emissões de CO2 tanto em propulsores aspirados quanto sobrealimentados.

A combinação do Multiair com turboalimentação e dowsizing pode levar a uma redução de até 25% no consumo de combustível em relação a motores convencionais naturalmente aspirados. Já estratégias para otimização do controle de válvulas durante a fase de aquecimento e uso de recirculação de gases de exaustão, promovido com a reabertura das válvulas de admissão durante o processo de exaustão, prometem reduzir 40% das emissões de hidrocarbonetos e monóxido de carbono e 60% dos óxidos nítricos.

Motor do ano

Segundo a FPT, o resultado final do Multiair, ao lado dos ganhos de eficiência, é uma resposta dinâmica do motor em patamar mais elevado e capaz de agradar amplamente o condutor, como já demonstrou o motor Fire 1.4L, aspirado ou turbo, que foi o primeiro a ganhar o conceito e levou o título de motor do ano de 2009, obtido em junho último. O propulsor de 135 a 170 cavalos, submetido a downsizing, foi introduzido nos Alfa Romeo Mito e Giulietta, além do Punto Evo e Punto Evo Abarth, e está pronto para chegar ao Fiat Bravo e Lancia Delta.

Junto com a notável potência específica de 124 cavalos por litro e de um torque de até 250 Nm, combinados para oferecer nível de esportividade na condução dos veículos, o Multiair garante um nível de 134 g/km para a nova Alfa Giulietta – um padrão recorde no segmento dentro dos esforços europeus para reduzir consumo e emissões.

Para o vice-presidente de engenharia de produto da FPT, Aldo Marangoni, o título de motor do ano reflete a capacidade de inovação do Grupo Fiat, que já havia conquistado outro reconhecimento semelhante em 2005 com o pequeno mas sofisticado 1.3 Multijet, no qual a tecnologiaDiesel aplicada com múltiplas injeções no mesmo ciclo leva a ganhos expressivos de eficiência na combustão.

A Fiat foi responsável pelo desenvolvimento da tecnologia common rail para sistemas diesel em 1997, que foi patenteada com o nome de Unijet pela Bosch depois de transferência de conhecimento. O Unijet foi o ponto de partida para a FPT desenvolver o Multijet.



Tags: Multiair, Multijet, dual clutch, Alfa Romeo, Fiat, Fire, Evo, Abarth, Bravo, Lancia Delta.

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