Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias

| 16/08/2010 | 00h00

Sindipeças alerta sobre vulnerabilidades no setor

Não-qualidade custa R$ 5,5 bilhões a autopeças.

Automotive Business

O custo da não-qualidade foi um dos principais problemas enfrentados pelas empresas de autopeças no Brasil em 2009, atingindo 7,3% do faturamento total do setor – o equivalente a R$ 5,5 bilhões. O ônus reflete problemas como desacertos logísticos, necessidade de refazer componentes, retificação de projetos ou treinamento de pessoal.

Essa vulnerabilidade na cadeia de suprimentos automotivos foi detectada em levantamento promovido pelo Sindipeças no primeiro trimestre do ano e revelado pela entidade nesta segunda-feira, 16. “O objetivo do estudo foi detectar gargalos e necessidade de investir em capacidade de produção”, explicou Letícia Costa, diretora da Prada Assessoria, que conduziu os trabalhos junto com a entidade.

A especialista disse que as indústrias se recuperaram da queda em 2009 neste ano e devem crescer. Ela entende que o setor metalúrgico enfrentou sérios problemas de entrega no primeiro trimestre. “As principais restrições para aumento de produção são falta de capacidade e de matéria-prima, particularmente de aço”, declarou.

A falta de capacidade atinge vários setores, pois apenas três dos onze segmentos analisados apresentam ociosidade superior a 20% em regime de 24 horas por sete dias. No entanto, 87% dos pesquisados pretende investir e o total de investimento é estimado em R$ 3,6 bilhões.

O relatório considera que as empresas de menor porte, com faturamento inferior a R$ 50 milhões, apresentam desempenho insatisfatório em qualidade.

Dificuldade

A análise mostrou que o segmento de borracha é crítico para a expansão da indústria automobilística. A maioria das empresas que produzem artigos com base nesse material afirmou ter algum obstáculo para aumentar a capacidade de produção.

Na média 46,4% das empresas que responderam a pesquisa do sindicato admitiram algum tipo de dificuldade para elevar o potencial de suprimento à cadeia automotiva. O índice é de 48% para metalúrgicas, 37,5% para eletrônica, 33,3% para fundições, 20% para forjarias, 12,5% para plásticos, 10% para elétricos e 6,7% para estamparias.

A capacidade instalada nas empresas é a principal restrição ao avanço e recebeu 27,4% das citações de gargalos. Vêm a seguir falta de matéria-prima (17,9%), atraso na importação de componentes (15,5%) e problemas com subfornecedores (15,5%).

Entre as matérias-primas, o aço é o vilão em 53,9% das respostas que apontam problemas de suprimento, seguido do alumínio (15,4%), polímeros (12,8%), produtos químicos (7,7%), borracha (7,7%) e matais não-ferrosos (2,6%).

Letícia Costa considera que os resultados encontrados no primeiro trimestre do ano podem servir como referência atual na avaliação de capacidades e gargalos na cadeia de suprimento. Ela destaca como um desafio o nível de utilização em quase todos os segmentos, considerado elevado.

Ocupação

O porcentual de capacidade ociosa efetiva, medida pela utilização 24 horas em sete dias da semana, registrada alerta vermelho para forjaria (10,8%), plástico (10,2%) e borracha (5,6%). Próximo à média de 16,1% da indústria estão acabamento (19%), estamparia (17,3%), eletrônica (15,5%) e vidros (15%). Foi registrada também ‘alguma ociosidade’ no segmento elétrico (24,3%), fundição (22,5%) e metalúrgica (21,6%).

Investimento

O número de empresas que manifestou determinação de investir cresceu nesta edição da pesquisa em relação à realizada em 2008. Todas as empresas que responderam os questionários e têm capital acima de R$ 500 milhões declaram intenção de aplicar; a porcentagem cai para 95% na faixa de R$ 200 milhões a R$ 500 milhões; para 80% na faixa de R$ 50 milhões a R$ 200 milhões; para 81% entre as que têm capital de até R% 50 milhões.

Qualidade

As avaliações da qualidade ao longo do supply chain indicaram que o desafio maior fica entre as empresas de menor porte (capital até R$ 50 milhões) que registraram 70,3 ppm de defeitos no recebimento contra 74,7 ppm na expedição.

Na faixa de R$ 50 milhões a R$ 200 milhões as empresas registraram 2,2 ppm na entrada e 1 na saída; na categoria seguinte, até R$ 500 milhões, houve 4,4 ppm na entrada e 1,9 na saída. Já entre as maiores empresas, com capital acima de R$ 500 milhões o nível de ppm na expedição chega a apenas 0,6, contra 6,8 no recebimento.

Foto: Letícia Costa, diretora da Prada Assessoria

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

ABTV

AB Inteligência