Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias

| 04/08/2010 | 00h00

Ótica ajuda autopeças a combater pirataria

Lições do setor foram levadas à reposição automotiva.

Giovanna Riato, Automotive Business

NOTÍCIAS AUTOMOTIVAS EM QUALQUER LUGAR
Email RSS Twitter WebTV Revista Mobile Rede Social


Giovanna Riato, AB

Apesar das grandes e aparentes diferenças, os setores ótico e de autopeças têm um ponto em comum: a invasão do mercado por produtos piratas. Os dois segmentos são grandes importadores, o que facilita a entrada de falsificações no País.

Na última terça-feira, 4, as ações promovidas pelo setor ótico para combater a pirataria foram apresentadas no Seminário de Reposição Automotiva, em São Paulo. “Nossos problemas são os mesmos do setor automotivo e as medidas que tomamos para inibir a ilegalidade podem servir de inspiração”, declarou Flávio Augusto Meirelles, presidente do Imeppi - Instituto Meirelles de Proteção à Propriedade Intelectual, que trabalhou em parceria com a Abiótica – Associação da Indústria Ótica no combate à pirataria.

A campanha começou em 2007 e contou com a união do setor para conseguir êxito. O projeto foi motivado pela projeção de crescimento de 70% no setor nos próximos anos, que contrastava com uma presença de 60% de produtos ilegais no País - subfaturados, sem registro de importação, que não atendiam às normas ABNT ou eram falsificados.

“Também detectamos que apenas 5% das importações eram fiscalizadas e, a partir daí, agimos em várias frentes”, lembra Meirelles. O primeiro passo foi uma medida antidumping que impunha US$ 2 como valor mínimo para óculos que chegavam ao país.

As entidades também prepararam um dossiê com informações sobre as companhias do setor e enviaram às autoridades aduaneiras. “Eram dados simples que ajudaram muito. Informávamos, por exemplo, que uma determinada empresa só importava por Guarulhos. A partir daí as autoridades nos alertavam quando mercadorias chegavam por outros caminhos”, explica Meirelles.

A Receita Federal também teve acesso ao desenho industrial dos produtos originais e às normas técnicas do setor. Assim foi possível deter mercadorias que chegavam sem marca. O passo final foi emitir laudos de que os produtos eram prejudiciais à saúde e impróprios para o consumo, o que obrigava o governo a destruir os itens apreendidos e evitava que os óculos chegassem ao mercado por meio de leilões.

Resultados

Mesmo com o esforço do mercado ilegal em driblar cada barreira, as entidades chegaram a uma redução de 50% na presença de produtos piratas no mercado entre 2006 e 2009. No ano passado foram apreendidos e destruídos 11,5 milhões de produtos – um recorde.

Meirelles afirmou que uma campanha de mudança nos hábitos do consumidor deu força ao projeto. Segundo ele, o mais importante é destacar o risco à saúde. “As pessoas não deixam de comprar só por conta da ilegalidade. A questão da saúde, sim, é capaz de estimular uma mudança. Para o setor de autopeças este seria um argumento interessante, já que produtos sem qualidade podem ocasionar acidentes”, analisa.

Autopeças

O setor de autopeças estrutura um projeto similar para reduzir o alto índice de ilegalidade. Antônio Carlos Bento, coordenador do Grupo de Manutenção Automotiva (GMA), revelou a Automotive Business que a entidade já firmou uma parceria com o Imeppi para desenvolver o projeto.

Paralelamente, o setor desenvolve trabalhos para auxiliar a fiscalização, como a certificação de autopeças. “O combate à pirataria é um trabalho de fôlego. Junto com a homologação de peças queremos certificar fabricantes e profissionais do setor. É um trabalho de conscientização”, revela o dirigente.


Foto: Antônio Carlos Bento, coordenador do Grupo de Manutenção Automotiva (GMA)

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

ABTV