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Pesquisa inédita mostra efeitos da pandemia sobre profissionais do setor automotivo

Estratégia | 24/11/2020 | 20h49

Pesquisa inédita mostra efeitos da pandemia sobre profissionais do setor automotivo

Pesquisa realizada por AB e MHD mostra que, na situação emergencial, organizações ofereceram poucos recursos para acolher novas necessidades dos profissionais

NATÁLIA SCARABOTTO, PARA AB

A pandemia afetou diversos âmbitos da vida dos colaboradores do setor automotivo. No trabalho, a maioria passou a atuar em home office, que foi adotado pela primeira vez e, portanto, sem qualquer preparação, pela maior parte das empresas do segmento. A redução de jornada e salário foi ampla, cresceu a insegurança em relação ao emprego e, diante do contexto, as empresas ofereceram poucos recursos para acolher seus funcionários.



- Faça aqui o download do relatório completo da pesquisa Pandemia no Setor Automotivo: Trabalho e Sentimento
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No âmbito pessoal, a maioria dos profissionais sente-se esgotada física e mentalmente, além de demonstrarem alto índice de ansiedade. Essas são algumas conclusões da pesquisa Pandemia no Setor Automotivo: Trabalho e Sentimento, realizada por Automotive Business com coordenação técnica da MHD Consultoria e apresentada na terça-feira, 24, no primeiro dia do Fórum AB Diversidade no Setor Automotivo – o evento vai até a quarta-feira, 25.

O levantamento foi respondido por 754 profissionais de todas as áreas do setor, sendo 41% funcionários de empresas de autopeças e 21% de montadoras. Participaram colaboradores da alta liderança (20%), média gestão (41%), além de especialistas e áreas técnicas (40%). Foram ouvidas também 76 empresas. O levantamento, realizado entre julho e agosto de 2020, cruzou as respostas de colaboradores e das empresas a fim de obter uma visão mais ampla do setor durante a pandemia.



REDUÇÃO DA JORNADA, DO SALÁRIO E MEDO DE PERDER O EMPREGO



Segundo a pesquisa, houve um esforço da indústria automotiva para reter empregos mesmo diante da abrupta queda do mercado. Das empresas entrevistadas, 100% usaram recursos de flexibilização ou férias para segurar a mão de obra. Ainda assim, 30% admitiram que precisaram cortar colaboradores.

Diante deste contexto, quase 40% dos colaboradores sentem-se inseguros em relação ao trabalho. Já 6% dos profissionais declaram estar inseguros e desamparados pelas organizações em que trabalham. Ainda assim, a maioria dos respondentes, 61%, afirma sentir-se amparada e acolhida por suas empresas.

Para o futuro, 43% dos colaboradores temem perder o emprego em consequência da pandemia, enquanto 38% expressam receio de redução no salário e 32% se preocupam com a possibilidade de ter promoções adiadas e aumento da cobrança e do estresse. Todos estes receios são mais intensos entre as mulheres.



HOME OFFICE ESTÁ EM ALTA, MAS JORNADA FLEXÍVEL É O MODELO MAIS DESEJADO



Para garantir a segurança e saúde dos colaboradores, o home office integral foi adotado por quase todo o setor em alguma medida durante a pandemia. Em 59% das empresas, não havia qualquer política de trabalho remoto anterior e, portanto, a adoção foi emergencial, o que pode ter aumentado os desafios naturais da implementação do home office.

Para o período pós-pandemia, 81% dos colaboradores querem continuar em regime flexível, com dias de home office e outros no trabalho presencial. Este modelo de trabalho pode ser o futuro no setor, visto que 62% das companhias também consideram vantagem dividir o tempo de trabalho entre a casa e o escritório, sendo que 26% das empresas pretendem apostar em mais dias de trabalho remoto.



MULHERES SOFREM MAIS COM ANSIEDADE E ESGOTAMENTO



O trabalho em casa é considerado benéfico em alguns momentos, mas em período integral, durante muitas semanas de pandemia, contribuiu para o aparecimento ou aumento de sintomas negativos: 84% dos entrevistados relataram sentir ansiedade, 71% esgotamento mental, 57% insônia e 51% sentiram esgotamento físico.

As mulheres são as mais afetadas pelos sintomas negativos por serem a maior parte dos colaboradores em home office, ao mesmo tempo em que grande parte delas relatam serem as únicas ou as responsáveis principais pelas tarefas domésticas em suas casas.



EMPRESAS OFERECEM POUCOS RECURSOS PARA ACOLHER DEMANDAS DOS FUNCIONÁRIOS



Os sentimentos negativos dos colaboradores podem ter se agravado pelos poucos recursos ofertados pelas empresas para acolher as novas demandas dos colaboradores na pandemia. De 11 quesitos avaliados pela pesquisa, as empresas do setor automotivo tiveram desempenho satisfatório em apenas três, segundo os profissionais: oferta de transporte seguro, informações sobre cuidados com a saúde (manuais, e-books e lives) e monitoramento de grupos de risco para a Covid-19 – ações básicas ou determinações obrigatórias da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Para os respondentes da pesquisa, os pontos mais insatisfatórios ou ausentes foram: testes para detecção da Covid-19, ações para promover o equilíbrio entre vida pessoal e profissional; e-books, manuais e lives sobre diversidade, além do monitoramento da saúde emocional e mental.

O levantamento aponta também a baixa oferta de mobiliário para home office por parte das empresas, além da falta de suporte nos custos com energia e internet. No futuro, esta ausência de colaboração pode acarretar, inclusive, demandas trabalhistas.


Arte: Márcio Reiff



Tags: pandemia, trabalho, sentimento, setor automotivo, pesquisa, home office.

Comentários

  • RenatoAlmeida

    Seriainteressante aplicar a mesma pesquisa em outros segmentos e comparar os resultados. A pandemia só acelerou um processo de deterioração que já ocorre há alguns anos no mercado automotivo brasileiro.

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