Automotive Business
  
ABLive

Notícias

Ver todas as notícias
Ministério Público pede recall de mais de 1 milhão de Onix
Crash-test do Latin NCAP no Chevrolet Onix em maio de 2017: na ocasião carro recebeu nota zero em segurança, o que gerou ação no Ministério Público

Segurança | 15/09/2020 | 14h49

Ministério Público pede recall de mais de 1 milhão de Onix

Ação movida contra a GM, Denatran e a União é baseada no teste de colisão feito em maio de 2017 pelo Latin NCAP

REDAÇÃO AB

O Ministério Público Federal (MPF) em conjunto com o Ministério Público de Minas Gerais (MP/MG) entrou com uma ação civil pública contra a GM, o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e a União para pedir o recall de 1,3 milhão de unidades do Onix, referentes a todas as unidades fabricadas desde o fim de 2012, quando o modelo foi lançado. A ação é baseada no teste de colisão feito pelo Latin NCAP, Programa de Avaliação de Veículos Novos para a América Latina e o Caribe, que afere a segurança dos carros na região.

A ação se refere a um teste realizado em maio de 2017 no Chevrolet Onix (reveja vídeo abaixo), que na ocasião não alcançou nenhuma estrela das cinco possíveis na classificação do órgão. Depois disso, em janeiro de 2018, o Latin NCAP submeteu novamente o Onix (e o sedã Prisma) a um novo crash-test: desta vez, com chassi reforçado, os dois carros foram reavaliados com três estrelas para a proteção de adultos e crianças.

Em nota, a GM esclarece que o Onix foi avaliado com três estrelas quando foi lançado e que o Latin NCAP mudou o protocolo e testou novamente em maio de 2017 (incluindo o teste de impacto lateral), levando a um resultado de zero estrela. De acordo com a montadora, esse resultado se deu quando o modelo já passava por ajustes, com reforços no chassi, para atender a ecolução da legislação brasileira, o que já estava dentro do planejamento da empresa.

Ainda de acordo com a GM, a avaliação feita em janeiro de 2018, quando o Onix recebeu três estrelas novamente, atesta que o carro não foi zero estrela entre 2012 e 2018. “O carro sempre atendeu todas as especificações legais de segurança veicular exigidas no Brasil”, conclui a GM no comunicado.

Outro argumento favorável à GM é que o Onix foi aprovado pelo Latin NCAP em outro teste feito em dezembro de 2014. Na ocasião, o modelo obteve três estrelas para adultos e apenas duas na proteção de crianças. Naquela época, os protocolos não incluíam o impacto lateral nem a batida contra o poste nos testes, que são exigidos atualmente.

No entanto, para o promotor de Justiça, Fernando Martins, a montadora sabia da periculosidade que esses automóveis podiam proporcionar aos seus proprietários. Por isso, inclusive, ela fez as alterações para que fosse minimamente resistente a impactos laterais. Martins se refere aos reforços estruturais feitos no hatch.

Embora a ação reconheça a melhora na segurança do veículo, que vem cumprindo as novas normas nacionais, reforça que os modelos vendidos antes da alteração feita pela GM continuam circulando e alega que isso coloca em risco iminente seus ocupantes, por isso exige que a GM convoque recall para todos os proprietários do modelo. O processo pede urgência no julgamento alegando que o Onix é o carro mais vendido do Brasil há anos e por isso, a demora na tramitação pode trazer risco à vida de milhares de pessoas no País.

Caso a Justiça defira a ação do MP e ordene a realização de recall, poderá ser impossível fazer esse tipo de ajuste, que pode exigir mudanças no projeto original do carro.

Reveja o vídeo do crash-test do Chevrolet Onix realizado pelo Latin NCAP em maio de 2017:



Tags: Recall, GM, General Motors, Onix, Latin NCAP, Denatran, Ministério Público.

Comentários

  • LuizRoberto Imparato

    Parabénsao Ministério Público! Se bem que suas providências foram um pouco tardias. Quero lembrar que esse modelo, o mais vendido do país, era também o preferido para ser locado ou adquirido pelos motoristas de aplicativos, aumentando as chances do modelo em provocar lesões graves ou a morte dos usuários. Chamo atenção que o Brasil é o segundo mercado da UBER no mundo e São Paulo é a cidade que mais usa esse aplicativo no Planeta. Essa é mais uma das diversas gigantescas polêmicas que a GM se envolve em sua trajetória. Iniciou com o processo movido nos anos 1960 pelo RALPH NAIDER autor do livro "Inseguro em qualquer velocidade", posteriormente no final do anos 1990 ele tirou de circulação seu elétrico SATURN a revelia dos clientes que o tinham adquirido através de leasing e sucateou todos. Recomendo assistirem o documentário "Quem matou o carro elétrico". No início do anos 2000 ela começou a ser processada por parentes de vítimas fatais do GM COBALT que vitimou mais de 300 pessoas. Assistam o vídeo no YouTube. Vejam que apesar dela estar pagando indenizações vultuosas no EUA devido ao problema do COBALT, isso não a impediu de lançar um carro com nota ZERO em segurança em nosso país. Quando teremos legislações equivalentes às mais restritivas existentes no mundo? Ou para as montadoras a vida do brasileiro tem menos valor do que a dos seus clientes em outros países? Ou ainda se justificar que a legislação brasileira é deficiente? Qual é a política? Atender a legislação ou levar em conta a vida dos clientes?

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

ABTV

AB Inteligência