Automotive Business
  
ABLive

Notícias

Ver todas as notícias
Após demissões e fim do March, Nissan nega desinvestimento no Brasil
O compacto March inaugurou a produção da Nissan na fábrica de Resende (RJ) em 2014 e deixa de ser produzido a partir de setembro

Indústria | 28/08/2020 | 18h00

Após demissões e fim do March, Nissan nega desinvestimento no Brasil

Marco Silva, CEO da empresa, garante que cortes e redução da produção em Resende são ajustes de curto prazo e novos investimentos virão

PEDRO KUTNEY, AB

Algumas notícias seguidas sobre a operação da Nissan no Brasil indicam redução drástica das atividades e investimentos. Primeiro, há cerca de dois meses, a empresa anunciou a demissão de 398 funcionários e o fechamento do segundo turno na fábrica de Resende (RJ) , passando a trabalhar em apenas um. Foi a primeira montadora no País a demitir pelo impacto da pandemia de coronavírus, tomando a decisão antes mesmo do fim do período de estabilidade após a adoção do regime de afastamento temporário emergencial dos emrpegados. Agora, esta semana, a fabricante confirmou que a partir de setembro não produzirá mais o compacto March na unidade – o modelo inaugurou em 2014 a produção da planta brasileira, mas vinha importado do México desde 2011.

Antes ainda da decisão de parar de fazer o March no País, desde o ano passado já se sabia que outro modelo ainda produzido em Resende, o sedã compacto Versa em sua nova geração passaria a ser importado do México ABPlanOn. O novo carro, maior e com novo design, chega ao mercado brasileiro entre setembro e outubro, enquanto a antiga geração segue em produção aqui rebatizado como Versa V-Drive.

Com isso, a Nissan produz agora apenas dois modelos em Resende: além do V-Drive, o SUV compacto Kicks, seu campeão de vendas no País, lançado em 2016 e que deve ser renovado em 2021.

Apesar da desaceleração, Marco Silva, CEO da Nissan no Brasil, negou que esteja em curso qualquer intenção de desinvestimento no País. Em entrevista no #ABPlanOn na sexta-feira, 28, o executivo sublinhou que as medidas recentes de redução de um turno em Resende e o fim da produção do March no Brasil “são ajustes de curto prazo diante de uma situação sem precedentes, para adequar a fábrica à demanda que infelizmente não está voltando na mesma velocidade que caiu”, disse.

“De forma alguma [as medidas recentes significam desinvestimento]. Só temos de adequar a questão de curto prazo. No futuro com certeza novos investimentos virão. Mas temos de nos manter competitivos para poder ganhar novos projetos que são disputados por vários outros países que têm processos produtivos tão bons quanto os nossos”, afirmou Marco Silva.



A QUEDA DO MARCH



Já há cerca de três anos o compacto March vinha perdendo relevância no mercado brasileiro, que mudou o foco para modelos mais caros, especialmente SUVs, que já respondem por um quarto das vendas de veículos no Brasil.

Este ano, de janeiro a julho foram emplacados 2,2 mil March, o que correspondeu a apenas 6,7% das vendas no mesmo período da Nissan, que já há alguns anos se consolidou como décima marca de veículos leves mais vendida do País.

Em 2019 o desempenho do March também não foi bom: com 6,9 mil emplacamentos, representou 7% das vendas da Nissan, não figurou nem entre os 50 carros mais vendidos do País e registrou volume 42% inferior às 11,9 mil unidades emplacadas em 2018. O declínio comercial acentuado nos últimos anos, acentuado pelo impacto da pandemia, acabou ppor decretar o fim da história do hatch no País.

Na quinta-feira, 27, a montadora enviou a alguns veículos uma nota oficial sobre o fim da produção do hatch no Brasil: “Como parte natural do ciclo de vida do produto e para a adequação de sua capacidade de produção à realidade do mercado, a Nissan decidiu encerrar a fabricação do March em seu Complexo Industrial de Resende. A Nissan assegura que mantém inalterado todos os serviços de manutenção e reposição de peças para os proprietários das diferentes versões do modelo, que teve uma longa trajetória de sucesso no país”.



Tags: Nissan, Brasil, investimento, fábrica, Resende RJ, produção, demissões, March, Versa, Kicks, pandemia, coronavírus, Covid-19.

Comentários

  • JEFFERSONDE AQUINO GUATURA

    Oshatchs continuam a ser o segmento que mais vende no Brasil. Vide o exemplo de seus líderes como o Onix e o HB20. A queda de vendas do March é específica do modelo e não de seu segmento. Jjá havia sido descontinuado na Europa há 4 anos.

  • RenatoAlmeida

    Àdespeito do que querem fazer crer os números, as vendas no Brasil devem estacionar em patamares muito abaixo dos 3 milhões de veículos. E há outros players disputando uma fatia do bolo, como os chineses. A pandemia colocou o segmento "on hold", mas os efeitos do desemprego e do freio econômico serão sentidos por muitos anos no país e isso deve acertar em cheio à indústria automotiva. Praticamente todos os novos projetos com start de produção em 2021/2022 tiveram suas projeções de vendas até 2028/2030 reduzidas entre 15 e 35%. A Nissan não será a única a cortar (e muito).

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

AB Inteligência