Automotive Business
  
ABLive

Notícias

Ver todas as notícias
Renault quer abrir PDV e cortar 800 empregos no Paraná
Assembleia de sexta-feira, 17, na porta da fábrica da Renault em São José dos Pinhais: empregados rejeitaram plano de demissões proposto pela empresa

Trabalho | 20/07/2020 | 19h00

Renault quer abrir PDV e cortar 800 empregos no Paraná

Empregados rejeitaram proposta e sindicato ameaça com greve a partir de quarta-feira, 22

PEDRO KUTNEY, AB

A Renault apresentou semana passada um plano demissões voluntárias (PDV) para a fábrica de São José dos Pinhais (PR) com o objetivo de cortar 800 empregos do quadro total de 7,2 mil (5,1 mil na produção). Caso o número de cortes planejado não seja alcançado, a empresa informou que irá começar a demitir a partir de agosto com menos benefícios do que os propostos no PDV. Reunidos na tarde de sexta-feira, 17, em assembleia convocada pelo Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) em frente ao Complexo Ayrton Senna, os empregados rejeitaram a proposta da fabricante, que também prevê novo acordo coletivo de trabalho, reajustes (data-base) e programa de participação nos resultados (PPR) até 2022. Os trabalhadores ameaçaram entrar em greve caso a Renault não desista dos cortes e apresente nova proposta até a quarta-feira, 22.

A empresa vem enfrentando resistência dos empregados para adotar medidas de ajustes trabalhistas na planta do Paraná desde que a produção foi paralisada por causa da pandemia de coronavírus, em março. No início de abril, com a fábrica parada, os trabalhadores rejeitaram a aplicação de redução de jornada e salários permitida pela Medida Provisória 936 editada pelo governo. Com isso, os funcionários continuaram em férias coletivas e voltaram ao trabalho em 4 de maio. Duas semanas depois eles aceitaram a flexibilização, mas na ocasião a Renault não renovou o contrato de 300 temporários. Os que ficaram seguiram trabalhando em três turnos com diminuição de 70% no tempo de trabalho e manutenção de 100% dos vencimentos líquidos pelo prazo que foi estendido a dois meses e terminou esta semana.

A avaliação da direção da Renault no Brasil é que não é possível manter o mesmo quadro de funcionários diante do cenário de demanda e produção muito reduzidas nos próximos anos. A marca esteve entre as que mais sofreram com a retração e fechou o primeiro semestre com queda de quase 48% nas vendas (apenas 60 mil emplacamentos) em comparação com a primeira metade de 2019; resultado nove pontos porcentuais pior do que o recuo médio do mercado de veículos leves no período, de 39%. Por isso, segundo a montadora, não há intenção no momento de estender o uso de redução de jornada e salários – o que há duas semanas foi aprovado pelo Congresso para durar por até 120 dias.

RENAULT VAI INSISTIR NO PDV



A Renault informa que vem negociando propostas de acordo coletivo com o sindicato de Curitiba desde fevereiro e que a chegada da pandemia ao País impediu a evolução para um entendimento. Agora, diante da nova realidade de recessão econômica, a empresa defende que não tem proposta melhor a fazer.

O plano de demissão voluntária apresentado pela empresa, além das verbas rescisórias legais, prevê o pagamento para quem quiser sair de 1,5 a 4 salários extras, conforme o tempo de casa, em graduação que começa de zero a seis anos (1,5) e aumenta para até oito (2,0), onze (2,5), quinze (3,5) e mais de dezesseis anos (4,0). A empresa também pagará mais dois salários referentes aos dois meses de estabilidade que os funcionários têm pela adesão por igual período da redução de jornada e salários conforme as regras da MP 936.

Entre os benefícios adicionais previstos está a manutenção do plano médico integral, incluindo dependentes, até junho de 2021; vale mercado até o fim deste ano; além do pagamento da primeira parcela do PPR deste ano, de R$ 8,5 mil. Em nota, a Renault argumenta que “em alguns aspectos esta proposta é melhor do que a aprovada pelo mesmo sindicato e colaboradores de outra empresa da região (a Volvo)”.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba, Sérgio Butka, criticou a proposta da Renault e dias antes da assembleia veiculou um vídeo aconselhando os trabalhadores a rejeitarem integralmente o plano.

“O acordo proposto é ruim para quem sai e para quem fica. PDV deve ser voluntário, sem essa meta de 800 cortes e a ameaça de demitir sem benefícios para quem não aceitar. É muito pouco o que a empresa oferece para demitir agora”, defendeu Sérgio Butka.



Caso a meta de 800 adesões ao PDV não seja atingida, a empresa pretende completar os cortes com demissões sem incentivos a partir de agosto, mantendo plano médico só até o fim de 2020 e vale mercado até outubro.

ACORDO COLETIVO ATÉ 2022, MAS SE NOVO INVESTIMENTO FOR APROVADO



A Renault também propôs aos empregados acordo coletivo de três anos, mas condicionado à aprovação de um plano de investimento para fazer novos produtos na fábrica do Paraná, que está sendo negociado com a matriz na França – o programa atual de R$ 3,2 bilhões de 2017 a 2019 terminou com o lançamento do novo Duster, em março passado.

Caso o acordo tivesse sido aprovado até a última sexta-feira, os funcionários ficariam sem correção salarial pela inflação em 2020 e 2021, que seria substituída por abonos fixos de R$ 1,5 mil e R$ 2 mil, respectivamente, a serem pagos de uma só vez ainda este mês, junto com a primeira parcela de R$ 8,5 mil do PPR. Em 2022 seriam retomados os reajustes pelo INPC, a empresa poderia terceirizar 350 cargos não ligados à sua atividade fim e o piso para novas contratações seria reduzido em 20%. “Isso é ruim para quem fica porque vai correr o risco de ser demitido para dar lugar a quem ganha menos”, afirma Butka.

A Renault também apresentou um novo programa de participação nos resultados (PPR) de R$ 13.500 e R$ 13,750 em 2021 e 2022, mas que só será pago integralmente se for atingida produção mínima de 376 mil veículos/ano – resultado que o sindicado considera “impossível” de ser alcançado diante das condições atuais do mercado. “Não vamos atingir esse número em 2020 ou 2021, nem em 2022. Ou seja, a empresa só vai pagar de 40% a 60% do PPR proposto”, criticou Butka. A montadora contrapõe, informando que nos últimos anos pagou os maiores valores de PPR do Brasil e que agora não pode premiar se a produtividade cai.

Segundo a Renault, a fábrica do Paraná opera com redução de 70% na jornada, mas seguiu em três turnos para acomodar os protocolos sanitários e evitar o contágio pela Covid-19 em suas instalações. Uma dessas regras é afastar não só o funcionário que tenha sido contaminado, mas todos que trabalham com ele no setor. Com isso, 7% do contingente da produção estão afastados em quarentena. Para contornar o problema, na semana passada foi necessário realocar trabalhadores do terceiro turno para cobrir ausências nos outros dois períodos.

O Complexo Ayrton Senna abriga atualmente quatro fábricas: Curitiba Veículos de Passeio (CVP), onde são produzidos os modelos Kwid, Sandero, Stepway, Logan, Duster, Oroch e Captur; Curitiba Veículos Utilitários (CVU), que produz a van Master; Curitiba Motores (CMO), responsável pela produção dos motores 1.0 SCe e 1.6 SCe, além do K4M para exportação; e a Curitiba Injeção de Alumínio (CIA), inaugurada em 2018, que faz blocos e cabeçotes.



Tags: Renault, trabalho, PDV, PLR, PPR, PDI, corte, Paraná, São José dos Pinhais, Complexo Ayrton Sena, pandemia, coronavírus, Covid-19, Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, SMC.

Comentários

  • Carlos

    Porquenão fazem a proposta fe ficar 5 anos sem aumento e nem plr a ninguém, com isso não mandaria ninguém embora. É difícil isso alguem ter uma idéia assim??? Eu toparia, com isso todos ganhariam. Que absurdo, mandar funcionário embora para ficar desempregado e sem emprego, pois no mundo não tem, alias com essa miséria de dinheiro, que não dura nem 6 meses.

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

AB Inteligência