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Anfavea confirma negociação para adiar metas de Rota 2030 e Proconve
Moraes, da Anfavea: “Só queremos ajustar o cronograma”

Legislação | 06/07/2020 | 17h25

Anfavea confirma negociação para adiar metas de Rota 2030 e Proconve

Entidade não divulga prazos, mas defende que prorrogações de prazos serão necessárias

PEDRO KUTNEY, AB



A associação dos fabricantes, a Anfavea, confirma que está na sua extensa lista de negociações com o governo o adiamento da próxima fase da legislação brasileira de controle de emissões (Proconve), bem como de metas regulatórias de eficiência energética e de segurança do programa Rota 2030. Luiz Carlos Moraes, presidente da entidade, não respondeu ao questionamento sobre de quanto tempo seria essa prorrogação de prazos.

Em entrevista a Automotive Business, Vilmar Fistarol, presidente da CNH Industrial América Latina, disse que o setor defende o adiamento por três anos do Proconve P8, a oitava fase do programa brasileiro de emissões para veículos pesados diesel, que a partir de 2022/2023 tornaria obrigatória a adoção de tecnologia Euro 6 para caminhões e ônibus no País com o objetivo de atender os limites propostos pela legislação. Também poderá ser prorrogado o L7 e L8, que limita as emissões de veículos leves a partir de 2022 e 2025, respectivamente.

A Anfavea também negocia a prorrogação das metas de eficiência energética e de adoção de sistemas de segurança que passariam a vigorar a partir de 2023, conforme o Rota 2030, programa do setor automotivo aprovado em 2018 que prevê três ciclos de desenvolvimento, em 2022, 2027 e 2032. A entidade também não confirma qual o tamanho do adiamento em negociação. Em entrevista a Automotive Business, Francisco Tripodi, da consultoria Pieracciani, disse que o setor estaria pleiteando a extensão de seis meses nos prazos do Rota 2030.

“A pandemia atrasou todo o trabalho de desenvolvimento que vinha sendo feito pelos times de engenharia nos laboratórios e em testes de campo. Por isso o cronograma já foi afetado. Também é necessário lembrar que esses programas representam investimentos altíssimos, que não podem mais ser feitos com a queda do faturamento das empresas e a impossibilidade neste momento de ajuda financeira das matrizes”, justifica Luiz Carlos Moraes.



Segundo o dirigente, o setor discute o problema no momento com o governo para traçar os próximos passos. Ele ressalta, no entanto, que “não se trata de cancelamento, mas de adiamento” para atravessar o período mais difícil da crise.

“Nós defendemos os marcos regulatórios que nós mesmos ajudamos a criar. A questão do desenvolvimento tecnológico deve ser retomada no País, o que existe é um problema de falta de tempo e recursos momentâneo que temos de superar. Isso não significa fugir do desafio tecnológico que temos pela frente, até porque os avanços em emissões, combustíveis alternativos, eletrificação e sistemas de segurança avançados vieram para ficar. Só queremos ajustar o cronograma disso tudo”, relatou Moraes.



Tags: Anfavea, legislação, metas, regulação, Rota 2030, eficiência energética, segurança, emissões, Euro 6, Proconve P8, Anfavea, governo, indústria, investimento, pandemia, coronavírus, Covid-19.

Comentários

  • OlimpioAlvares

    Acreditoque se a Anfavea procurar meios ela achará para evitar a terceira grande catástrofe do Covid-19 (When there is a will, there is a way). Entretanto, em caso de insucesso, o mínimo que a Anfavea poderia fazer, para amenizar um pouco o constrangimento nacional que causa essa proposta de adiamento do Proconve, é apresentar de modo transparente, um estudo honesto, isento, de contabilização das toneladas anuais de emissões adicionais de MP cancerígeno e NOx que serão lançadas na atmosfera nos próximos 25 anos em função de mais esse atraso fatal da entrada de Euro 6 no Brasil, que traria os filtros de material particulado, limpando quase que totalmente os gases de escapamento. Além de saber das toneladas a mais a cada ano nos próximos 25 anos, o estudo deve indicar quantas mortes prematuras por doenças cardiorrespiratórias ocorrerão a cada ano nesse período. E não apenas esse estudo essencial: para demonstrar seu apreço pela preservação da vida dos brasileiros - e como retribuição a uma eventual flexibilização das metas do Proconve pelo Governo brasileiro - a Anfavea deveria propor seu apoio técnico e político ativo a favor da regulamentação e implementação de um pacote de medidas compensatórias possíveis imediatas para redução das emissões de MP cancerígeno pela frota circulante. Só para exemplificar algumas medidas essenciais: agilizar os testes de prova de processos de produção e ajudar na antecipação da produção comercial de HVO no País (substituto renovável drop-in do diesel), ações concretas na área do transporte pesado e biometano, inspeção veicular obrigatória já dos veículos a diesel, programas imediatos de retrofit de filtros em grandes frotas cativas diesel, antecipação da introdução de catalisadores com o dobro da durabilidade operacional e outras medidas pontuais que poderão surgir nas discussões que seguirão com os órgãos ambientais e entidades de defesa do interesse público, como o Ministério Público Federal e outros.

  • ErwinFranieck

    Postergartrês anos os marcos legais para implantação de legislação de segurança veicular, emissão de CO2 e Poluentes perigosos à saúde, principalmente das vias respiratórias, resultará em mais de 6 milhões de veículos, que continuarão desfasados em relação aos demais mercados de mesma dimensão gerando perdas de vidas desnecessárias além de nós desafar ainda mais em relação ao mundo desenvolvido, que ao contrário da ANFAVEA resolveu investir em tecnologias mais sustentáveis. A Pamdemia não foi somente no Brasil !! A decisão de postergar 3 anos seria desastrosa para a evolução da nossa indústria automotiva em relação aos avanços tecnológicos globais !! Vamos voltar a conviver com carroças fabricadas no Brasil e com uma forte tendência da população buscar por soluções imigradas mais avançadas . Seria o começou do fim da indústria automotiva nacional !!

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