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Indústria quer adiar por 3 anos caminhões Euro 6 no Brasil

Legislação | 30/06/2020 | 19h10

Indústria quer adiar por 3 anos caminhões Euro 6 no Brasil

Por causa da crise provocada pela pandemia, fabricantes pedem ao governo postergação para atender limites de emissões do Proconve P8, agendado para 2023

PEDRO KUTNEY, AB



Os fabricantes de veículos representados pela Anfavea querem adiar por três anos a próxima fase da legislação brasileira de emissões para veículos pesados a diesel, o Proconve P8, agendado para 2023, que exigiria a adaptação para caminhões e ônibus no Brasil da tecnologia de tratamento Euro 6, já adotada há dois anos na Europa. Já era de conhecimento público que a indústria iria pedir o adiamento ao governo, devido à crise trazida pela pandemia de coronavírus que encurtou recursos e tempo para desenvolver a solução no País.

Não se sabia, contudo, por quanto tempo seria essa postergação, que foi revelada por Vilmar Fistarol, presidente do grupo CNH Industrial na América Latina, em mais uma seção da série de entrevistas Lives #ABX20 (veja aqui esta e todas as já gravadas) promovida por Automotive Business na terça-feira, 30.

Após a entrada em vigor do Proconve P7 em 2012, com implantação de tecnologia Euro 5 em veículos a diesel, houve um vácuo legislativo de quase sete anos até que fosse desenhada e programada a oitava fase do programa brasileiro de emissões veiculares. Somente em novembro de 2018 o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) publicou os limites e regras do P8, que foi negociado com a indústria para vigorar a partir de janeiro de 2023, mas os novos projetos de caminhões ou ônibus têm obrigação de seguir a legislação um ano antes, em janeiro de 2022.

“Esperamos que o governo tenha sensibilidade de atender o pedido de adiamento. Lançar veículos Euro 6 no momento errado será muito problemático, não só por falta de recursos [para desenvolver a tecnologia no Brasil], mas porque isso tornará os veículos muito mais caros e impactar negativamente o mercado”, disse Vilmar Fistarol.



Na entrevista, o executivo avalia que até existe tempo suficiente para adotar motores Euro 6 no País até 2022/2023, mas os investimentos exigidos para isso, calculados em R$ 14 bilhões, deveriam neste momento ser melhor aplicados no esforço que a indústria precisa fazer para atravessar o momento de recessão econômica e voltar ao caminho do crescimento.

“Esses recursos poderiam ir para outras atividades. Ninguém é contra a redução de emissões, mas é necessário adiar [o Proconve P8] por três anos para acomodar esses custos. Seria mais inteligente no momento a adoção de um plano de reciclagem e renovação da frota, com a substituição de caminhões velhos, que trazem muitos problemas de acidentes e poluição, por veículos Euro 5”, defende Fistarol.

Procurada para confirmar se de fato encaminha aos órgãos públicos de controle o pedido de adiamento de três anos do Proconve P8, a Anfavea confirmou que negocia alternativas com o governo, mas que não comentaria prazos.

A entidade enviou o seguinte posicionamento oficial: “A Anfavea entende que, em função do impacto da pandemia nos processos de desenvolvimento e na capacidade de investir, será necessário avaliar uma adequação da vigência das legislações, caso a caso. O fechamento das fábricas interrompeu os trabalhos de desenvolvimento e os testes em laboratório ou de rodagem, e o retorno parcial também provoca atrasos. Além disso, todos os fabricantes passam por um momento de queda abrupta de receita, sem possibilidade de contar com as matrizes, que também sofrem os efeitos da pandemia”.

Assista abaixo a entrevista completa da Live #ABX20 com Vilmar Fistarol, presidente da CNH Industrial América Latina:





Tags: Emissões, legislação, Euro 6, Proconve P8, Anfavea, governo, indústria, investimento, pandemia, coronavírus, Covid-19, Lives #ABX20.

Comentários

  • AlfredSzwarc

    Omomento é grave e dificil para toda a sociedade. Portanto, é pertinente a discussão sobre as novas etapas do Proconve. Contudo, como é mencionado na matéria, os prazos para 2022 e 2023 são suficientes para a adoção da fase P8. Adiamento horizontal por três anos parece ser um prazo exagerado e que contempla apenas os interesses das montadoras. Outros setores da industria automobilistica que já vem fazendo investimentos para o P8 sofrerão prejuizos e os interesses maiores da sociedade, de melhoria da qualidade ambiental em medio e longo prazo, não estão sendo contemplados. Com boa vontade, é possivel identificar medidas que poderiam resultar em alivio econômico sem, contudo, atrasar o P8 como está sendo anunciado. Vale lembrar que não se tem noticia de atraso semelhante em outros países, especialmente os principais produtors mundiais.

  • Eduardodos Santos Costa

    Bemconveniente para as empresas, Covid-19 agora será muleta para tudo. Bom, sendo assim o governo poderia propor 4 anos ao invés de 3 mas já no regime Euro7, assim diminuiria consideravelmente a defasagem com o resto do mundo, porque sempre temos que ficar com as sucatas ? O Euro5 já é um remendo horroso que tivemos que engolir, quem sabe assim concentram os esforços no veículo elétrico para os grandes centros urbanos.

  • AlfonsoAbrami

    Mildesculpas para o sub-desenvolvimento. E assim acontece nas outras áreas também, como na saúde, afinal nossos pulmões ainda podem receber ar mais poluído do que os pulmões europeus. Nós somos mais fortes e saudáveis." O menino da favela mergulha no esgoto e não pega nada".

  • OlimpioAlvares

    Oautor do artigo uso o termo correto: houve um vácuo regulatório de 7 anos e logo após da aberração regulatória que foi a tragédia do não-cumprimento da fase P6. Esses dois rombos estão inequívocamente associados a dezenas de milhares de mortes prematuras, centenas de milhares ou alguns milhões de casos de doenças evitáveis e muita degradação e incômodo ambiental. Lembre-se que Euro 6 vigora na Europa e EUA desde 2012 e 2010 respectivamente - Sem o adiamento desejado dos colegas da indústria automotiva, já estamos defasados dos países desenvolvidos em 13 anos!!! E aturando uma tecnologia defectiva, que não funciona, ou funciona muito mal (conforme aponta estudo do ICCT) nas cidades em baixas cargas, que é o Euro 5 - cujos problemas sabidos por todos não foram corrigidos - salvo melhor juízo. Avaliem por esse completo descompasso, como as vidas humanas (e de outros seres vivos) valem tão pouco neste País. Montadoras jamais ousariam propor um adiamento, no que já está muito atrasado nos países desenvolvidos, após o escândalo do Diesel-Gate. Aqui a proposta se faz sem um mínimo de constrangimento e sem nenhum estudo ambiental e de saúde pública que indique quantas vidas serão ceifadas por mais esse iminente rombo. Além de tudo isso a crise do Covid-19 já nos trará mais de uma centena de milhares de mortes, sem contar as que virão na segunda catástrofe, associadas à recessão econômica que se avizinha (ver estudo da revista Lancet aplicado à recessão de 2012 a 2016). Imune à tragédia a Anfavea parece estar propondo uma TERCEIRA CATÁSTROFE. Que calculem as mortes associadas e ainda, as doenças decorrentes de adiamento de mais 3 anos de Euro 6 - condagrando uma defasagem de 16 anos em relação aos países desenvolvidos. Isso não pode passar.

  • MauricioLobo

    Creioque especialmente em momento que deveríamos estar focando em um Novo Amanhã , mais compromissado com a sustentabilidade e a saúde da população, me parece um retrocesso com ganhos econômicos as empresas mas perda de competitividade . Os carros elétricos estão na cola , piscando os faróis e pedindo passagem !

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