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Emplacamentos despencam em abril, mas venda real é maior

Mercado | 01/05/2020 | 14h03

Emplacamentos despencam em abril, mas venda real é maior

Foram licenciados 51,3 mil veículos leves no mês, 67% abaixo de março, mas número real pode chegar a 70 mil carros vendidos

JOEL LEITE, AUTOINFORME, E PEDRO KUTNEY, AB



O primeiro mês cheio de quarentena e crise econômica provocada pela pandemia de coronavírus foi um desastre para o mercado de veículos. Foram emplacados apenas 51,3 mil automóveis e utilitários leves em abril, o que representa queda 67% sobre março passado e de 77% sobre abril de 2019, segundo levantamento da Autoinforme. Mas os números oficiais de licenciamentos não refletem integralmente a realidade, pois muitos carros foram vendidos e estão circulando sem placa, devido ao fechamento de boa parte dos Detran no País.



Ninguém duvida que a quarentena provocou a forte contração do mercado, mas é certo que os números são um pouco melhores do que mostram os registros oficiais. As vendas reais podem ultrapassar os 70 mil automóveis e comerciais leves, conforme indicam fontes ouvidas pela Autoinforme. Isso porque boa parte do sistema de licenciamentos dos Detrans está paralisada desde o fim de março, ao mesmo tempo em que muitas concessionárias continuaram vendendo com ferramentas on-line, mesmo de portas fechadas ao público para atender as medidas de isolamento social.

Considerando que as concessionárias estão fechadas e o cenário de aprofundada crise econômica pela frente, até que o movimento de vendas foi razoável, porque os fabricantes e suas redes investiram na venda pela internet, com financiamento e compra de usados on-line, test drive com veículos higienizados levados aos clientes e entrega do carro comprado em casa. Assim a tendência das negociações on-line, que já vinha crescendo, foi intensificada com a quarentena e fez a rede aproveitar a demanda que ainda restava no mercado. O fluxo de loja caiu, mas o fluxo de internet cresceu.

Com emplacamentos menores do que o número real de vendas, especialistas do mercado acreditam que os volumes de veículos vendidos são entre 30% e 40% acima dos licenciamentos registrados. Ou seja, é provável que as vendas reais de abril tenham somado entre 65 mil e 70 mil unidades.

DETRANS FECHADOS REPRESAM EMPLACAMENTOS



Um fator que ajuda a desiquilibrar a relação entre emplacamentos e vendas reais é a Deliberação 185 do Contran, que desobrigou o proprietário a emplacar seu carro novo no prazo máximo de 30 dias, como ocorria antes. Com a resolução, veículos comprados durante a quarentena poderão circular sem o documento ou placa até quando perdurarem as medidas de isolamento por causa da Covid-19 – basta apresentar a nota fiscal de compra em caso de fiscalização.

Com isso, os emplacamentos tendem a ficar cada vez mais represados – e não representam o volume real de veículos efetivamente vendidos – até a reabertura completa dos Detrans. A Anfavea reconhece e tenta lidar com mais este problema trazido pela pandemia. Em recente entrevista concedida a Automotive Business na série Lives #ABX20, o presidente da associação dos fabricantes de veículos, Luiz Carlos Moraes, defendeu que os departamentos de trânsito deveriam aproveitar a crise para se reinventar e criar mecanismos on-line mais ágeis.

“Existem Detrans funcionando, outros não. Claro que isso prejudica a evolução das vendas. Estamos tentando resolver um problema por vez e o próximo é a agilidade dos Detrans, que também precisam se reinventar, assim como toda a indústria tem de fazer neste momento. Lanço um desafio: por que não fazer um licenciamento virtual, usar placa uma virtual enquanto o carro não pode ser emplacado? Isso facilita a compra, o seguro. Assim como fazemos vendas virtuais, o sistema público poderia também atender de forma virtual e estimular o mercado. Tem cliente querendo comprar”, defende o presidente da Anfavea.



Segundo levantamento da Autoinforme, em todo o Brasil apenas 2.769 dos 5.570 municípios brasileiros (mais o Distrito Federal) registraram licenciamentos de veículos em abril. Ou seja, apenas cerca da metade dos sistemas de emplacamentos funcionou, e mesmo assim com movimento muito abaixo do normal: só 56 cidades emplacaram mais de 100 veículos.

No maior mercado do País, a cidade de São Paulo, em abril foram registrados pouco mais de 400 veículos, número que em fevereiro – antes da quarentena – somou 52 mil carros. Apenas 72 dos 645 municípios paulistas registraram algum licenciamento em abril e somente 12 emplacaram mais de 10 unidades. Piracicaba foi o município do interior paulista que mais licenciou no mês, com apenas 45 registros, contra volume normal de 600 antes da crise.

Pelos números oficiais, de janeiro a abril foram emplacados 583,8 mil veículos leves no País, volume 27% menor do que o verificado no mesmo período de 2019, quando foram registrados 801,3 mil carros e utilitários vendidos. Esta é a diferença, até agora, de quatro meses normais de vendas contra este ano de dois meses e meio normais e um e meio afetado pela pandemia de coronavírus.



- Faça aqui o download dos dados oficiais da Fenabrave
- Veja outras estatísticas em AB Inteligência





Tags: Mercado, vendas, emplacamentos, licenciamentos, veículos leves, automóveis, utilitários, comerciais leves, coronavírus, pandemia, Covid-19.

Comentários

  • marcos

    Creioque para Maio deve haver uma leve aproximação dos clientes....porém o diferencial para as montadoras venderem será incondicionalmente baixar os preços. As financeiras estão disponibilizando menos créditos para as Montadoras...e isto implica menos financiamentos. Assim sendo, o crédito pode se tornar mais caro e com isso mais juros. Sem contar que muitos clientes repensarão se ó o momento certo para adquirir ou trocar de carro, já que a economia está instável e não há ainda sinais de recuperação a curto prazo. Eu mesmo já ouvi diversos comentários de clientes que dizem que só comprarão veículos novos se tiver uma oferta real....sem enganação..... Eu aproveitei esse mês de abril inteiro para pesquisar. Se aparecer uma promoção real eu compro...se não esperarei. Afinal de contas em crise o dinheiro de nossas economias tem que ter mais valor...e isso não podemos abrir mão.

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