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Anfavea reclama que “bancos sentaram na liquidez” e sufocam economia
Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea: “Não queremos incentivos, só taxas justas para contornar esse momento”

COVID-19 | 06/04/2020 | 18h27

Anfavea reclama que “bancos sentaram na liquidez” e sufocam economia

Presidente da entidade alerta: falta de recursos no caixa pode provocar colapso das empresas

PEDRO KUTNEY, AB

A crise econômica de enorme proporção que vem a reboque da pandemia de coronavírus já afeta severamente o caixa das empresas do setor automotivo no País. Com queda substancial de vendas em março e obrigadas a suspender as atividades industriais e comerciais para cumprir medidas de isolamento social, veio à tona a escassez de receitas para cumprir os compromissos.




“Primeiro precisamos paralisar a produção de todas as fábricas para proteger a saúde de milhares de empregados, agora a nossa prioridade é a liquidez das empresas. A situação é grave, faltam recursos. As medidas anunciadas pelo governo para liberar mais crédito não chegaram ainda à ponta final de quem precisa”, afirmou Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, que reúne os fabricantes de veículos instalados no Brasil. A entidade divulgou na segunda-feira, 6, os números de desempenho do setor no primeiro trimestre do ano.

Desde o início de março, a área econômica do governo vem anunciando medidas para irrigar o sistema financeiro com mais recursos para crédito, como a redução dos depósitos compulsórios dos bancos (reservas que as instituições financeiras são obrigadas a manter para cobrir eventuais perdas), que segundo cálculos deveriam injetar R$ 1,3 trilhão na economia. Contudo, como a crise provocada pela pandemia também aumenta os riscos de inadimplência, “os bancos preferiram sentar em cima dessa liquidez, comprando títulos públicos em vez de emprestar a quem precisa de recursos nesse momento”, acusa o presidente da Anfavea.

“Estamos na UTI e os bancos, que deveriam oxigenar as empresas, estão asfixiando. Não é por falta de dinheiro, mas por aversão ao risco. Se essa situação não for resolvida em questão de dias as consequências serão dramáticas para a indústria e seus empregados. Não queremos incentivos, só taxas justas para contornar esse momento”, alertou Luiz Carlos Moraes.



NEGOCIAÇÕES COM O GOVERNO



Segundo o dirigente, a Anfavea vem trabalhando em conjunto com o Sindipeças, que reúne cerca de 400 fornecedores de componentes, e a Fenabrave, que representa os concessionários, para negociar medidas de apoio à toda a cadeia do setor. “Conversamos com o governo, Ministério da Economia e BNDES, com foco neste momento em ampliar a liquidez das empresas, por meio da postergação do recolhimento de impostos e redução do custo do capital de giro. Já foi aprovada ao menos a isenção do IOF nos empréstimos para cobrir a folha de pagamento”, conta Moraes.

O presidente da Anfavea afirma que são importantes as medidas de flexibilização contidas na chamada MP Trabalhista, mas talvez seja necessário fazer mais. “O mercado deve demorar a se recuperar, será mais fraco, por isso será necessário reduzir encargos, jornadas de trabalho e salários. A Medida Provisória acatou várias sugestões do setor nesse sentido, agora precisa ser aprovada e transformada em lei no Congresso”, diz.

Moraes afirma que o setor ainda não negociou nenhuma medida de incentivo ao consumo com o governo, até porque isso faria pouco efeito no momento em que as pessoas estão confinadas em casa e o comércio de bens não essenciais está fechado. “Mas é possível que dentro de algo como três meses seja necessário estimular a economia para que o País volte a crescer mais rápido”, avalia.



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Tags: Anfavea, indústria, fabricantes de veículos, liquidez, bancos, sistema financeiro, resultado primeiro trimestre, crise, coronavírus, Covid-19.

Comentários

  • MONICAHELENA NASCIMENTO DA SILVA

    Osbanqueiros estão perdendo a oportunidade de mudar a visão que a população tem a respeito do setor financeiro. Quando está tudo bem, os bancos ganham, quando vai tudo mal, os bancos ganham mais ainda. Por outro lado, o governo poderia começar o movimento, praticando nos bancos oficiais, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, taxas justas para aqueles que de fato contribuem para a geração de empregos e a cadeia produtiva deste país.

  • OcimarJ Ferreira

    Passamos governos e vem aí os vergonhosos balanços dos bancos, dessa vez prometendo extrapolar todos os limites. Eu já entrei no cheque especial de 15%/mês e essa será a realidade de milhões de brasileiros a mercê de cinco famílias que controlam nosso sistema financeiro. Seria ótimo um calote geral coordenado ou um pacto impositivo da sociedade de 2%/mês, como é a média da maioria das nações. Quem nos defenderá dos urubus?

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