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Governo brasileiro tentará aproximação com Tesla
Carros da Tesla: ainda longe do Brasil

Elétricos | 19/02/2020 | 18h00

Governo brasileiro tentará aproximação com Tesla

Fabricante de carros elétricos não demonstrou interesse em instalar fábrica no Brasil

PEDRO KUTNEY, AB

Por meio do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações(MCTIC), o governo brasileiro deverá tentar uma aproximação com a Tesla, nos Estados Unidos, para que o Brasil seja lembrado pela fabricante de carros elétricos caso exista interesse da empresa em instalar uma fábrica na América Latina. O processo é incipiente e o primeiro contato sequer foi tentado ainda.



Isso é tudo que de fato existe até o momento, ao contrário de diversas matérias publicadas por alguns veículos de imprensa nos últimos dias, que davam a negociação como certa e indicavam que uma Gigafactory (como são chamadas as fábricas modulares da Tesla projetadas para crescer muitas vezes conforme o aumento da demanda) poderia ser instalada em Criciúma (SC) até 2023. Até agora a Tesla sequer tem importador oficial no Brasil.

INTERPRETAÇÕES APRESSADAS



Os rumores foram alimentados após uma reunião no último dia 12, na sede do MCTIC em Brasília, entre o ministro da Pasta, Marcos Pontes, o deputado federal Daniel Freitas (PSL-SC) e o diretor de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação na Prefeitura Municipal de Criciúma, Claiton Pacheco Galdino, que esclarece: “Participei de uma missão ao Vale do Silício (nos EUA) e soube que a Tesla vai construir fábricas na China e Alemanha, pensei que o Brasil deveria entrar nessa lista caso existisse interesse na América Latina. Eu e o deputado Daniel Freitas, que é da nossa região e defensor da maior adoção de carros elétricos no País, aproveitamos a oportunidade de nos encontrarmos com Marcos Pontes para sensibilizar o MCTIC em atrair uma indústria como essa para o Brasil. Não há nenhuma negociação direta com a empresa. O ministro comprou a ideia e disse que iria tentar um contato inicial com a embaixada dos Estados Unidos, para saber o que é necessário, que tipo de política adotar. É tudo que existe até agora.”

Em entrevista a Automotive Business, Galdino também afirmou que o município de Criciúma não ofereceu quaisquer incentivos à empresa, nem existem planos nesse sentido no momento.

“Claro que gostaríamos de atrair uma empresa como a Tesla. A região tem bom nível educacional, estamos a poucos quilômetros do porto e temos ligação ferroviária direta, temos terrenos a oferecer, mas não começamos nenhuma negociação, nem sabemos se podemos ser escolhidos para isso. Não é trazer para cá uma montadora como outra qualquer. A Tesla é uma empresa de alta tecnologia que tem demandas muito específicas para serem atendidas”, explica Claiton Galdino.



Segundo Galdino, os rumores de fábrica da Tesla em Criciúma só foram alimentados porque ele e o deputado Freitas são da região. Mas um quarto participante, incluído na agenda da reunião do dia 12 com o ministro Pontes, contribuiu muito para alimentar as interpretações apressadas de que as negociações com a fabricante já estivessem mais avançadas. Anderson Pacheco, engenheiro de manufatura de motores elétricos da Tesla, de fato participou por videoconferência do encontro, mas não como representante da Tesla.

Galdino esclarece novamente: “Anderson e eu somos amigos, estudamos na mesma escola técnica do SATC, em Criciúma. Quando o ministro Pontes esteve na cidade e visitou a instituição, contei que a Tesla tinha um engenheiro formado ali. Ele ficou curioso em conhecer a história de como um menino de família humilde, que fez ensino técnico no interior de Santa Catarina, chegou a trabalhar fora do País em posição de destaque em uma empresa de alta tecnologia. Aí aproveitamos a ida a Brasília na semana passada e combinamos o contato por videoconferência, porque o Anderson estava viajando, na Alemanha. Mas ele só participou de uma parte do encontro, nem ouviu o que conversamos depois, não negociou nada pela Tesla, nem tinha autoridade para isso, foi só uma apresentação dele ao ministro”, afirma o diretor de Desenvolvimento Econômico de Criciúma.

MOTIVAÇÃO PARALELA



Daniel Freitas teve motivação paralela para promover o encontro com o chefe do MCTIC. O deputado bolsonarista também foi defender o Projeto de Lei 4285/2019, de sua autoria. Ainda em fase inicial de tramitação na Câmara, a proposta isenta carros elétricos de pagamento de IPI e do imposto de importação – desde o ano passado veículos movidos exclusivamente a energia elétrica já são isentos da alíquota de importação e recolhem IPI reduzido, aplicado conforme peso e eficiência energética. O PL 4285 também garante incentivos fiscais para modelos elétricos ou híbridos que sejam produzidos no Brasil.

Segundo o portal NSC Total , Freitas tem relação de proximidade com o ministro Pontes e disse que a reunião no MCTIC foi marcada com o objetivo de traçar um planejamento na aproximação com “uma montadora norte-americana de altíssimo padrão tecnológico” – ele não disse abertamente que era a Tesla. De acordo com o deputado, a ideia é fazer o governo federal mostrar vantagens para viabilizar a vinda dessa “empresa” ao Brasil e, numa segunda etapa, promover esforços para a instalação de uma fábrica em Santa Catarina.



Tags: Tesla, carro elétrico, Brasil, Criciúma SC, Santa Catarina, indústria, investimento, fábrica, MCTIC Ministério da Ciência Tecnologia Inovações e Comunicações, Marcos Pontes.

Comentários

  • Orozimbo Gutiérrez de Oliveira

    Fantástico! A Tesla é o futuro da indústria automobilística, sendo que a FCA, Ford, a VW, a Renault, a Hyundai, a Toyota etc. ficaram no passado! Carro elétrico é o futuro!

  • Rogério Fontenele Brunetti

    Faz muito bem o governo do Brasil tentar trazer a Tesla, pois assim, quem sabe paramos de falar em etanol que é poluente também (pode provocar cancro).

  • Jorge Henrique Maccini

    A extinta montadora Gurgel tinha projetado o modelo Gurgel Itaipu E400, um carro elétrico 100% nacional. Logo, acho que podemos criar, novamente, um automóvel elétrico sem necessitar da Tesla.

  • ChristianAdamovich

    Euacabei de ler a PL 4285/2019 e acho que a proposta é vergonhosa. A proposta é rasa, com apenas três artigos, sem grandes explicações ou definições. A discussão é sadia, mas a intenção da lei não é inteligente. Ela beneficia A IMPORTAÇÃO de veículos elétricos e não A FABRICAÇÃO. Se o plano do nosso governo é manter o dólar nos patamares atuais, e talvez até um pouco mais altos, temos que ter leis que incentivem a fabricação e o desenvolvimento local. Privilegiar a importação só dará mais poder à concorrência dos países que já produzem estes veículos. A nossa indústria automotiva, bem como sua cadeia de fornecedores tem total capacidade para produzir localmente os componentes e peças necessárias para os veículos elétricos, basta que haja incentivo para tal. Importar no começo, para promover o mercado, faz algum sentido, porém a PL 4285 quer dar isenção por 10 anos e com a evolução tecnológica atual, em dez anos já teremos ficado para trás, tecnologicamente, e mais uma vez ficaremos com os modelos desatualizados e de gerações anteriores para produzir localmente. Não acho que esta lei seja realmente um incentivo para o desenvolvimento do nosso país. Para mim é um passo pra trás, e não para frente.

  • Maycon Botelho de Oliveira

    Defendo o carro movido a célula de combustível - hidrogênio. Trazer a Tesla ao Brasil é um erro muito grave.

  • Ícaro Vieira

    O carro elétrico está longe de ser o futuro. A bateria é muito cara e os metais utilizados em sua fabricação são muito raros e finitos. Aliás, muitos países geram energia através de termoelétricas que são poluentes. Carregar a bateria com uma fonte "suja" de energia? O futuro é o nosso biocombustível!

  • Gilberto da Cunha

    Temos tudo para criar uma montadora genuinamente brasileira, com tecnologia nacional. Não há necessidade de convidar a Tesla para investir no Brasil. As fabricantes estrangeiras apresentam margens absurdas de lucro no nosso país. A Gurgel foi a maior prova da nossa notável capacidade criativa.

  • Yasmim Flexa

    Acho que o maior problema do Brasil é que nunca houve um estímulo para ter uma indústria automobilística, de fato, nacional. Garanto que poderíamos ter montadoras capazes de competir com a Tesla, a GM, a Mercedes, a Kia, a Tata, a Ferrari etc., pois temos profissionais de notória competência. Temos a Embraer que produz alguns dos melhores aviões do mundo. Se fabricamos até aviões com tecnologia totalmente brasileira... Ou seja, capacidade nós temos.

  • Radamanthys Toledo de Lima

    É bom lembrar que a norte-americana Tesla tem tido problemas de recall (problemas na direção), acidentes por aceleração involuntária, prejuízos seguidos etc. Não seria melhor uma solução caseira? Por que não apostar em nossa engenharia?

  • Lucas Lima

    Podemos criar uma Tesla brasileira? Com certeza!

  • Samantha Rossi

    No máximo, será uma fábrica para montar carros da Tesla em sistema CKD. Confio muito na capacidade de nossos profissionais, assim, não há necessidade da Tesla.

  • DanielSantos

    Quebom que nosso governo estuda uma forma de revolucionar o mercado automobilístico brasileiro, que está muito atrasado em relação a outros países, e assim fazer com que as montadoras instaladas no Brasil acorde para um novo tipo de mobilidade.

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