Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias

Conjuntura | 29/08/2019 | 20h59

Crescimento atual do mercado é sustentável, diz VWCO

Vice-presidente Ricardo Alouche indica que cenário positivo se estende para 2020 e que Resende pode adotar 2º turno

SUELI REIS, AB

O último trimestre de 2019 ainda nem chegou, mas a perspectiva para 2020 já existe e ela é positiva. É com essa premissa que Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas, marketing e pós-venda da Volkswagen Caminhões e Ônibus, avalia o momento atual de crescimento do mercado brasileiro e indica que o bom momento deve se estender para o ano que vem. Em sua avaliação, o crescimento atual é mais sustentável do que em anos recentes: o mercado está mais maduro e consciente de suas necessidades.

“O sentimento agora é positivo. Nos períodos anteriores, era difícil avaliar, estava truncado, tinha incertezas. Agora está fluindo [mercado de caminhões]. Não está no patamar espetacular, o que é bom, porque não gera falta de peça. É um crescimento sustentável”.

Ele lembra que em 2011 o boom das vendas foi puxado pelos juros subsidiados aliado ao próprio aquecimento dos negócios com PIB em alta na época, além de uma antecipação de compra devido à chegada dos modelos Euro 5, cujos preços teriam um aumento médio de 15%. Depois disso, a depressão geral instalada com a crise só foi revertida em meados do ano passado e o desde então o próprio mercado mostra que essa curva continua ascendente.

Para o segmento de caminhões em geral, ele adianta que a Anfavea, associação das fabricantes, trabalha com um cenário de crescimento para 2020. Em sua análise, aponta que não há nenhum elemento que indique algum risco iminente para a saúde atual do mercado. “A economia está reagindo bem, os empresários estão voltando a investir, a aceitação da política econômica tem sido positiva e a aprovação das reformas está começando a dar bons sinais. Muitos empresários resistentes estavam com dúvidas se elas passariam, mas tudo indica que vão passar. Com isso, todos os sinais indicam que haverá crescimento da economia. E gerando PIB, gira o mercado de caminhões: é diretamente proporcional.”

FÁBRICA DE RESENDE PODE GANHAR SEGUNDO TURNO


Além da consolidação do mercado brasileiro, outros fatores podem alavancar a indústria nacional. Alouche indica que após as eleições de outubro, a Argentina poderá ter um início de reação a partir do segundo ou terceiro trimestre de 2020. O México, que no início do ano apresentou certa queda no mercado, deve voltar a crescer em 2020.

“A Anfavea projeta crescimento para o ano que vem e caso se consolide vamos ter que pensar sim no segundo turno em Resende”, afirma Alouche se referindo à situação atual da fábrica da VWCO, que opera no limite de sua capacidade produtiva.

No início da crise argentina, a produção chegou a ser prejudicada, mas com o crescimento exponencial do mercado brasileiro, principalmente no segmento de caminhões pesados e extrapesados, a fábrica chegou a adotar turnos aos sábados e horas extras. “Talvez no primeiro momento não seja um segundo turno cheio, mas com algumas alternativas flexíveis para gerar incremento da produção”, explica.

Atualmente, a fábrica possui duas linhas de montagem e a que opera em turno único é a responsável pela montagem de caminhões e ônibus Volkswagen. Uma segunda linha que monta o pesado MAN TGX já trabalha em dois turnos de trabalho.

“A Argentina voltando em meados do ano que vem, o México se recuperando, além dos novos mercados que estamos prospectando gerando alguns frutos, mais o mercado brasileiro apresentando essa crescente demanda, certamente teremos que ir para o segundo turno.”

AGRONEGÓCIO PUXA, MAS CARGA URBANA REAGE


Ainda para 2020, Alouche acredita que o caminhão pesado continuará liderando o mercado, mas em proporção menor com relação ao que tem sido visto em 2019. Só no primeiro semestre, o volume de vendas da categoria cresceu acima dos 100% e representou 40% das vendas totais de caminhões no Brasil. “Vai continuar aquecido, mas deve manter-se no patamar entre 35% e 40% de participação do mercado no ano que vem.”

Parte disso está no crescimento gradativo que vem sendo percebido nos outros segmentos, como leves e médios. “Acredito que este segundo semestre será melhor do que mesmo período do ano passado, mas com uma mudança no mix: as vendas do extra-pesado foram concentradas no primeiro semestre, uma vez que já passou a sazonalidade da safra, e agora percebemos os modelos urbanos reagindo.”

A VWCO trabalha com a mesma perspectiva da Anfavea, de que o mercado total de caminhões crescerá 15% em 2019. Mas a própria Anfavea já deu indícios de que esta projeção poderá ser maior.

“Acima desse índice, vai depender muito da economia. Não há nenhum indício de que vai passar dos 15%. Até porque ano passado veio num ritmo de crescente contínua. Não teve sazonalidade em 2018: o segundo semestre foi mais forte. O que se pode dizer é que o crescimento para o segundo semestre de 2019 não será o mesmo que registramos no primeiro semestre deste ano.”

Além do agronegócio, ele acredita que as intenções de privatizações e investimentos em outros setores, como a construção civil, mesmo que demore um pouco, acaba refletindo no segmento de caminhões. “Muitas das empresas anunciadas para serem privatizadas têm frotas antigas ou obsoletas: elas também podem renovar.”

FENATRAN: NOVO STATUS PARA OS NEGÓCIOS


Outro fator que pode influenciar o mercado logo no início do ano é o reflexo que a Fenatran ainda deverá causar nos próximos meses. Agendada para acontecer entre 14 e 18 de outubro, a feira ganhou novo status de feira de negócios.

“Até três edições atrás, era mais uma feira de demonstração. Nas duas últimas ficou mais forte a vocação para fechar venda, fechar negócios. A expectativa é boa atrelada ao momento atual do mercado.”



Tags: Mercado, caminhões, vendas, agronegócio, economia, PIB, Ricardo Alouche, exportações, Argentina, projeções.

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

AB Inteligência