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Concessionárias terão de se reinventar para sobreviver
Eder Polizei, da MSX International: concessionárias devem ir além de vender carros. Foto Luis Prado

Distribuição | 21/08/2019 | 16h22

Concessionárias terão de se reinventar para sobreviver

Tecnologia e novas formas de ver o negócio serão fundamentais

WILSON TOUME, PARA AB

O futuro da distribuição de automóveis no País e das concessionárias esteve entre os temas abordados no Workshop Planejamento Automotivo ABPLAN 2020, realizado por Automotive Business na segunda-feira, 19, no WTC Events Center, em São Paulo. As discussões giraram em torno de como as revendas continuarão existindo, como os veículos serão comercializados e como as concessionárias podem se adaptar ao futuro.

José Maurício Andreta Jr., vice-presidente da Fenabrave, associação que reúne os concessionários, acredita que o cenário não vai passar por grandes alterações nos próximos vinte anos. “Eu garanto a vocês que as concessionárias vão continuar existindo no Brasil”, afirmou. “Elas serão diferentes, mas não muito, em relação a hoje”, acrescentou. “A experiência me ensinou que tudo tem o seu tempo, não adianta querer implantar grandes inovações de maneira apressada, pois o mercado pode não estar preparado para elas”, explicou.

Carlos Campos, diretor da consultoria Prime Action, concordou em partes com Andreta. “As concessionárias podem manter as características básicas ou se transformar completamente, ainda não há como afirmar como elas serão daqui a 15 anos”, disse.

Para o consultor, fatores como a oferta de serviços de compartilhamento de carros, a melhoria do transporte público, a popularização dos carros autônomos e a preocupação cada vez maior com o meio ambiente e a qualidade de vida vão impactar diretamente na venda de automóveis no Brasil, como já está começando a ocorrer em alguns mercados mais avançados. “Por aqui já temos alguns serviços de car sharing e de carro por assinatura, mas ainda incipientes”, observou.

Já Sergio Sanchez, gerente sênior de práticas automotivas da J. D. Power, explicou que, de acordo com uma pesquisa realizada pela empresa, a experiência de consumo do cliente de uma concessionária, atualmente, é definida pelo atendimento que o consumidor teve em todas as lojas pelas quais passou, não apenas em concessionárias. “O cliente questiona: se eu tive um ótimo atendimento numa loja de roupas, por que não posso ter esse mesmo padrão de atendimento na hora em que vou comprar um carro?” Os ramos de atividade são diferentes, mas a comparação faz sentido, e a adoção de boas práticas realizadas por empresas líderes de outros setores é uma possibilidade a ser explorada.

“Reforce o aspecto premium na sala de espera da loja, ofereça um lanche mais requintado ao cliente, em vez de simplesmente instalar uma máquina de venda”, explicou. “Outra dica simples: deixe uma garrafa de água gelada no console do carro quando o cliente for retirá-lo após uma revisão.”

DIVERESIFICAÇÃO DO NEGÓCIO



Eder Polizei, da MSX International, adotou um tom mais provocador em sua apresentação, na qual lembrou uma frase divulgada pela World Future Society, comunidade de pensadores com sede em Chicago, EUA: “Todo conteúdo das mudanças ocorridas entre 1980 e 2000 não passa de 10% do que ocorrerá entre 2000 e 2020”.

Além disso, Polizei lembrou que os jovens já não veem o carro como símbolo de liberdade e muitos deles já nem se preocupam em ter carteira de habilitação. A concessionária, então, precisa repensar a sua função principal, pois simplesmente vender carros novos não é uma atividade que se sustenta.

Todos os palestrantes concordaram que as concessionárias precisam se adequar aos novos tempos. Incorporar outros serviços, como os grandes postos de serviço, que têm farmácia, padaria e lanchonete, por exemplo, é uma alternativa, de acordo com José Maurício Andreta Jr., da Fenabrave.

“Transformar a visita à concessionária em uma experiência agradável” foi a ideia unânime. Eder Polizei lembrou que, hoje, levar o carro à concessionária é visto como um aborrecimento, mas que é possível reverter essa imagem. “Proporcionar comodidade ao cliente é a chave”, afirmou. “Mas, sem deixar de lado a atenção com a agilidade e a qualidade dos serviços”.



Tags: Distribuição, concessionárias, futuro, ABPLAN 2020, Workshop Planejamento Automotivo 2020.

Comentários

  • Otávio Granieri

    Emqualquer área de atuação temos que agregar valor ao cliente !! No pós venda agregamos valor ao cliente quando o veículo sai do concessionário o mais rápido possível !! Nao importa ter uma aconchegante sala de espera se o veículo permanecer por horas dentro do concessionário por causa de processos burocráticos e falta de eficiência !!!

  • Nicolas

    OEder me parece o mais realista, pois achar que as coisas mudam na mesma velocidade de 20 anos atrás é um pensamento tão ou mais antigo que 20 ano atrás . Oq antes eras fazer 50 anos em 5, hoje para mim são 50 anos em 1.

  • WalterBahia da silva

    Precisamosnos re-inventar, nos últimos anos foram desenvolvidos inúmeros e volumosos processos ou metodologias para melhorar a satisfação de nossos Clientes, muitos deles que nem ao menos são percebidos.São investidos milhões de reais por Montadoras e Concessionários em busca da melhor estrutura e padrão de atendimento, quando, na minha opinião, tudo se torna tão simples, quando buscamos tratá-los na sua individualidade, cada pessoa, deposita em nós, que representamos esse mercado, uma expectativa, e serão vencedores, quem estiver na ponta, mais atento, disponível. Na minha mera e humilde opinião, não existe um padrão que atenda plenamente, conheci muitos, mas o diferencial é a prontidão, é buscar com interesse cada necessidade de cada pessoa, é deixarmos de encherga-lo como "cliente", como "cliente" muitos o tratam,como Pessoa, Única e Individualmente, poucos o fazem...aliado à isso, inovar em tecnologias que une cada vez mais a essas "pessoas"..

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