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Setor automotivo tem alta concorrência no Brasil e baixa competitividade fora dele

Indústria | 06/08/2019 | 20h01

Setor automotivo tem alta concorrência no Brasil e baixa competitividade fora dele

Levantamento da Anfavea indica que os custos locais de produção inibem potencial exportador

GIOVANNA RIATO, AB

O Brasil reúne atualmente operações de 61 marcas de veículos, incluindo fabricantes locais e importadores. São 66 fábricas de automóveis, caminhões, ônibus e máquinas agrícolas e rodoviárias, que oferecem quase 2,2 mil modelos e versões ao mercado. Se as empresas conseguem atuar em um cenário tão competitivo localmente, por que não são capazes de exportar volumes maiores? A resposta está na falta de competitividade, garante Luiz Carlos de Moraes, presidente da Anfavea, associação que representa as montadoras instaladas no Brasil.

“Somos um dos países com maior nível de concorrência, mas quando se trata de competitividade ficamos entre os piores colocados”, disse o executivo em coletiva de imprensa na terça-feira, 6. Ele cita o exemplo do setor financeiro, em que apenas cinco grandes instituições compartilham a maior parte da população bancarizada do País. Vale lembrar, no entanto, que estas empresas disputam mercado em diferentes segmentos com uma série de bancos menores, além de recentemente precisarem enfrentar a ameaça da ascensão das fintechs.

Apesar da diversidade de concorrentes, assim como os bancos, as vendas da indústria automotiva também passam longe de serem altamente pulverizadas: quando se trata de veículos leves, quase 55% dos emplacamentos entre janeiro e julho ficaram concentradas em quatro grandes marcas (GM Chevrolet, Volkswagen, Fiat e Renault).

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A longa lista do custo-Brasil que inibe exportações inclui a ineficiência causada pela falta de infraestrutura e pelo excesso de burocracia. O presidente da Anfavea acrescenta a isso o bilionário saldo credor que os governos estaduais e o federal têm com empresas exportadoras pela cobrança de alíquotas de ICMS, PIS/Cofins e IPI que deveriam ser isentas no caso das vendas externas. Segundo o executivo, as empresas demoram muito para receber o reembolso desses tributos, de um a dois anos, o que resulta em custo pesado.

Moraes diz que as perdas giram em torno de 20% do valor total a ser devolvido pelos governos. Assim, se uma organização tem R$ 100 milhões a receber em créditos tributários acumulados, vai acabar ficando com apesar R$ 80 milhões ao considerar todas as perdas financeiras que teve pelo caminho.

“É uma distorção do sistema tributário que gera custo para as empresas e, no fim das contas, para o consumidor. Esta ineficiência é uma das razões para a nossa falta de competitividade fora do Brasil”, diz o executivo.

Pelas contas da Anfavea, em junho o governo devia algo como R$ 13 bilhões às fabricantes automotivas por impostos cobrados sobre veículos exportados. Deste valor, cerca de R$ 7 bilhões correspondem ao ICMS cobrado em diferentes estados.

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No acumulado de 2019, apenas 15,2% da produção brasileira de veículos foi exportada. Um porcentual baixo, segundo Moraes. “Deveríamos vender 30% a 50% da nossa produção a outros países”, diz. O executivo lembra que, se isso acontecesse, a organização reduziria o alto nível de ociosidade das fábricas locais, que está em torno de 40%.

A maior parte das exportações brasileiras tem como destino a Argentina. No ano passado, 63,1% dos veículos emplacados lá foram levados do território nacional para o país. Já a penetração em outros mercados está longe de ser relevante: na América Latina como um todo, tirando Argentina e México, o market share chegou a apenas 9,2% no ano passado. Fora do continente a conversa fica ainda mais difícil, com resultados inferiores a 1%.

Moraes coloca tudo na conta do custo-Brasil, sem citar, no entanto, o perfil dos veículos, que nem sempre são atrativos aos consumidores de outras regiões e, ainda, a concorrência dentro das próprias fabricantes de veículos por exportar a partir da matriz, por exemplo.



Tags: exportação, setor automotivo, Anfavea, Luiz Carlos de Moraes, custo-Brasil, imposto.

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