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Adesão ao Rota 2030 é menor do que a esperada

Estratégia | 28/06/2019 | 19h39

Adesão ao Rota 2030 é menor do que a esperada

Programa pode ser interessante para 600 empresas, mas só tem 33 habilitadas, aponta a Pieraccciani Consultoria

GIOVANNA RIATO, AB

Sancionado ainda no fim de 2018, o Rota 2030 não registrou até agora o efeito esperado na cadeia automotiva. Até junho, 33 empresas se habilitaram para cumprir as exigências e receber os incentivos para investimentos em pesquisa e desenvolvimento. O número é baixo quando comparado ao universo estimado em 600 organizações em que o programa se encaixaria, aponta Francisco Tripodi Neto, sócio-diretor da Pieracciani Consultoria. O especialista vai participar de entrevista ao vivo sobre o tema no AB Webinar, no dia 3 de julho.



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Segundo ele, o principal motivo para a baixa adesão é a dificuldade das organizações em identificar se os incentivos oferecidos pelo Rota 2030 compensam os investimentos necessários para cumprir obrigações impostas pelo programa. “Há uma série de dúvidas sobre como ter certeza de que será possível atingir às metas da política industrial, evitando multas e garantindo os benefícios”, conta. E complementa:

“A dificuldade para avaliar corretamente se vale a pena entrar no Rota 2030 não é exclusiva das pequenas empresas. Há muitas grandes companhias automotivas com dificuldade de se encaixar no programa”, diz.

FALTA ESTRATÉGIA DE SAÍDA


O Rota 2030 é estruturado em três ciclos de cinco anos de duração. Ao se habilitar, montadoras e fornecedores se comprometem com uma fase completa com investimentos mínimos em pesquisa e desenvolvimento. Assim, se entrar em 2018 ou 2019, a empresa só têm a chance de repensar a habilitação em 2023, quando o primeiro ciclo se encerra.

Além da natural dificuldade de entender se o complexo programa é ou não benéfico para as organizações, a ausência de uma cláusula de saída ou desabilitação do Rota 2030 também pesa para as empresas, segundo Tripodi. Sem detalhar nomes, ele aponta que já há um caso de companhia que entrou no programa sem um cálculo preciso das obrigações, se arrependeu e agora enfrenta dificuldade para sair.

“Em um contexto volátil como o brasileiro, as organizações pensam duas vezes antes de assumir um compromisso de cinco anos que exigirá investimentos”, afirma.

DESCOMPASSO NO CICLO DE INVESTIMENTO


Na lista das organizações habilitadas até agora, entre fabricantes de veículos e de componentes, chama a atenção a ausência de algumas montadoras, como as japonesas. Tripodi avalia que, em muitos casos, os investimentos obrigatórios em pesquisa e desenvolvimento exigidos pelo Rota 2030 estão em descompasso com os ciclos programados pelas empresas. “Algumas fabricantes têm um grande aporte previsto para os próximos dois anos, mas depois vão diminuir drasticamente até uma possível próxima fase”, diz. Tripodi lembra que isso é algo que não está previsto no Rota 2030, que impõe aportes anuais mínimos em porcentual sobre o faturamento. Segundo o consultor, a curva de aprendizagem do setor automotivo sobre o Rota 2030 ainda é longa e, portanto, será preciso algum tempo para medir o eventual sucesso ou fracasso do programa.



Tags: Rota 2030, estratégia, setor automotivo, legislação, Pieracciani Consultoria, Francisco Tripodi, investimento, Pesquisa & Desenvolvimento.

Comentários

  • Rubens

    Aindafaltam regras bem definidas, sustentação dos meios com leis, estrutura do governo para facilitar acessos e disponibilizar regras claras, seguras e que possam dar condições para que as empresas não sejam penalizadas, já que o assunto trata-se de incentivo e não de punibilidade para os investidores

  • IvaldoNP

    Otimoscomentarios. É bom lembrar que qquer incentivo fiscal com base no IR não funciona aqui Brasil (pelas declarações do IR, a grande maioria das empresas da prejuizo, nunca dá lucro. Assim, no caso dos incentivos fiscais do Rota2030, o cálculo da contrapatida é realizado sobre o IR devido e CSSL. Na Lei 8248/81, previa incentivo fiscais do IPI, IR e Capitalização. Não deu certo, a Lei foi alterada, ficou aprnas os incentivos giscais do IPI

  • NP(especialista em politica industrial, lei de informática)

    Retificandoo comentário anterior. É bom lembrar que, historicamente, incentivos fiscais concedidos pelo Governo com base no IR devido não atingem os objetivos e metas planejadas, haja vista que a grande maioria das empresas apresenta resultados de balanços com prejuízos ou quando positivos não são tão relevantes. Como o IR devido não representa valores significativos, eventual contrapartida também não será, o que torna desinteressante o incentivo fiscal para a empresa, um dos motivos para a baixa adesão ao programa Rota 2030. Talvez, uma alternativa seria usar como base de cálculo o faturamento bruto obtido no ano base pelas empresas descontando-se os impostos incidentes na comercialização, entre outros etc. A contrapartida seria realizada em função do faturamento obtido no ano-base ou ano-calendário, mediante percentuais previamente definidos, que poderiam ser reduzidos gradativamente numa escala de tempo, o que propiciaria alternativas organizadas de investimentos em P

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