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Ford sairá mais forte do sofrimento atual, diz Lyle Watters
Lyle Watters no lançamento da Ranger 2020: perspectivas de recuperação no Mercosul

Indústria | 27/06/2019 | 21h45

Ford sairá mais forte do sofrimento atual, diz Lyle Watters

Presidente da montadora na América do Sul vê novas oportunidades para desenvolver veículos na região

PEDRO KUTNEY, AB | De Mendoza (Argentina)

O presidente da Ford América do Sul, Lyle Watters, garante que a empresa vai superar as más notícias do começo deste ano, quando anunciou sua saída do mercado de caminhões e o fechamento da fábrica de São Bernardo do Campo (SP), e deverá sair fortalecida do momento de sofrimento atual. Em rápida conversa durante o evento de lançamento da Ranger 2020 em Mendoza, na Argentina, o executivo sugere que os planos globais da companhia abrem oportunidade para o desenvolvimento de novos produtos na operação da montadora no Mercosul, que envolve a fábrica de Camaçari (BA) no Brasil e Pacheco na Argentina.

“Estamos passando por um momento de dor com o fechamento da operação em São Bernardo, que era necessário fazer. Mas seria pior para a imagem da empresa deixar tomar as decisões difíceis. A Ford sairá mais forte deste momento, mesmo que seja menor, é preferível ser uma empresa viável”, avalia Lyle Watters.



Sobre o fim da produção de caminhões, mesmo figurando como a quarta ou terceira marca mais vendida do segmento no Brasil, com mais de 10% de participação até o fim de 2018, o executivo repete que a operação não era rentável, estava fora do planejamento global da Ford e exigiria altos investimentos nos próximos anos, especialmente para adaptar os veículos à nova legislação de emissões Proconve P8, equivalente à Euro 6, que entra em vigor no Brasil a partir de 2022.

Além do fim dos caminhões, a Ford executa também um expressivo enxugamento do portfólio de veículos leves na região, pondo fim à produção das linhas Fiesta e em São Bernardo e Focus em Pacheco, restando assim apenas três carros fabricados no Brasil (Ka, Ka Sedan e EcoSport) e uma picape média na Argentina (Ranger). Com isso, a marca vem perdendo terreno, de janeiro a maio desceu para a quinta posição do ranking dos mais vendidos no País, perdendo quase um ponto porcentual de participação (de 9,4% um ano antes para 8,3% agora), com 86,4 mil emplacamentos, volume cerca de 2% menor do que o registrado nos mesmos cinco meses de 2018, na contramão do crescimento do mercado.

Apesar do desempenho negativo, Watters diz que “a operação no Mercosul tem boas perspectivas”. Segundo ele, a decisão da companhia de sair de alguns segmentos, como o de sedãs na América do Norte, para centrar investimentos no desenvolvimento de picapes e SUVs mais rentáveis, abre oportunidades de desenvolver novos carros na região.

“Se a empresa parar de desenvolver certos tipos de carros nos Estados Unidos, por exemplo, [a operação] no Mercosul tem a oportunidade de desenvolver modelos para mercados de renda menor. Teremos novos e bons produtos na região que nos colocarão em outro nível anos à frente”, afirma Watters.

Recentemente, em apresentação de mercado durante a divulgação de seu balanço do primeiro trimestre deste ano, a Ford informou que pretende lançar cinco novos produtos globais na América do Sul este ano. Dois deles, o novo Edge importado e a Ranger argentina renovada, já foram lançados. Existe agora a expectativa que a região receba novos SUVs maiores que o EcoSport, como o Escape (Kuga na Europa) e o Territory, desenvolvido para a China e apresentado ao público brasileiro no Salão de São Paulo do ano passado.



Tags: Ford, Lyle Watters, América do Sul, Mercosul, indústria.

Comentários

  • EduardoTeixeira Küll

    Carropara emergente a gente sabe a merd@ que costuma ser. Não é isso que o consumidor quer, pelo menos não é isso que eu e a maioria das pessoas que eu conheço quer. A gente até aceita algo menos tecnológico, menos equipado e até com um acabamento algo pior do que na matriz, mas carro para emergente, na imensa maioria das vezes, É PORCARIA, pois se fosse bom, seria produto dito mundial. Puma "para europeu"? Tenho (muitíssimas) dúvidas que o Eco sobreviva lá depois deste modelo chegar lá. Fora as suas limitações de projeto, existe o fato de que o modelo envelheceu, já cumpriu sua tarefa e o Puma vai acabar sendo mesmo é o substituto do Eco. É bom lembrar que a plataforma do novo Fiesta É EXATAMENTE A MESMA DO ATUAL, DO ECO, ETC., COM ATUALIZAÇÕES, então, um Puma algo piorado aqui, seria bem factível, mas a questão é que com tudo que a Ford NÃO está fazendo, será que a operação da empresa aqui sobrevive até que estes novos produtos cheguem ao mercado? Ford, como Renault, tem linha defasada, com imensos buracos em termos de escalonamento de modelos, tudo bem envelhecido, então, a questão, como disse é será que vai dar tempo de tais produtos chegarem antes da falência da operação por aqui. Sem contar se o consumidor, quando comparara design e equipamentos deste novos produtos aqui e lá fora e com os concorrentes internos, vai querer tais produtos.

  • EduardoGomes

    Èlamentável que a Ford esteja fechando a unidade em São Bernardo. Muitos empregos serão perdidos e quantos aos executivos que tomaram decisões erradas? Foram demitidos também?Acredito que não né. Saliento aqui no comentário que a Ford não anunciou um plano de investimento na unidade que continua na Bahia. Como ficarão Ka e Ecosport daqui para frente? Sem atualização? E os consumidores serão tratados como donos de marcas que foram embora, tipo daewoo, kia(anos 90)? O consumidor esta atento e decisões drásticas trazem muita insegurança. Complemento que cambio powershift foi a maior lambança da marca, alem da alta desvalorização para quem comprou. Em fim, o quem mais desejo como entusiasta é que a direção da Ford tenha vergonha na cara e seja mais responsável em conduzir a administração que resta aqui no Brasil. Se não, pode preparar para ser adquirida por outra empresa. (Volks tá de olho).

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