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Meritor tenta encaixar eixo elétrico no Brasil
O eixo elétrico 14Xe da Meritor: em testes nos EUA e com visita confirmada ao Brasil

Autopeças | 04/06/2019 | 20h00

Meritor tenta encaixar eixo elétrico no Brasil

Empresa negocia possível desenvolvimento local com IPT e fornecimento ao VW e-Delivery

PEDRO KUTNEY, AB

Enquanto realiza testes nos Estados Unidos há cerca de um ano com seu primeiro eixo elétrico para tracionar caminhões e ônibus, a Meritor negocia com clientes e parceiros tecnológicos a possível introdução do dispositivo no Brasil. Segundo o diretor de vendas e marketing Kleber Assanti, a empresa já negocia com fabricantes locais a adaptação do equipamento eletrificado em veículos produzidos aqui, que primeiro seria importado, para na sequência ser iniciado o processo de nacionalização. Como primeira degustação para o mercado brasileiro, Assanti confirma que vai expor no estande da Meritor na Fenatran, em outubro próximo, o eixo 14Xe, o mesmo que está sendo testado na América do Norte.

Assanti diz que inciciou conversas com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) de São Paulo, para desenvolver um eixo elétrico nacional com fundos criados pela legislação do Rota 2030, que prevê a aplicação de recursos vindos da isenção do imposto de importação de componentes sem produção no País para a localização desses itens.

O primeiro cliente preferencial da Meritor para seu eixo eletrificado é o Volkswagen e-Delivery, primeiro caminhão elétrico desenvolvido no País. O protótipo, com motor elétrico central da brasileira Weg e transmissão automática da americana Alisson, foi apresentado há quase dois anos e colocado para testes de entregas urbanas de bebidas da Ambev que já fez uma pré-encomenda de 1,6 mil unidades a serem entregues até 2023. Em média, veículos para essa aplicação rodam cerca de 70 km por dia, por isso a empresa pode incorporar sem problemas à sua frota modelos elétricos de baixa autonomia, mais baratos, que são recarregados à noite. “Quanto mais baixa a necessidade de quilometragem, mais rápida a adoção de elétricos”, pontua Assanti.

A Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO) ainda testa possibilidades, entregou o segundo protótipo à Ambev no fim do ano passado , e a Meritor negocia sua entrada como parceira no desenvolvimento do e-Delivery – a empresa é uma das parceiras no consócio modular da fábrica da VWCO em Resende (RJ), onde executa a montagem dos eixos aos chassis de caminhões e ônibus.

“A eletrificação dos caminhões também chegará ao Brasil, principalmente para modelos leves de entregas urbanas, que fazem rotas curtas e cumprem as restrições de baixos índices de emissões e ruídos. Muitas empresas, como a Ambev, têm programas globais de sustentabilidade e estão interessadas em adotar veículos elétricos limpos em suas frotas para cumprir certas metas ambientais. Por isso vemos chances de introduzir nosso eixo elétrico nessas aplicações”, avalia Kleber Assanti.



Outro alvo seria o desenvolvimento de ônibus escolares elétricos. “São veículos que ficam parados boa parte do dia, entre o começo e o fim das aulas, e podem ser recarregados durante esses períodos, por isso não precisam de bancos de baterias muito grandes e são mais baratos, o que pode viabilizar o custo de operação”, explica Assanti.

TRAÇÃO DIRETA NO EIXO



Ao contrário de boa parte dos fornecedores e fabricantes de veículos que estão desenvolvendo modelos com motores elétricos integrados às rodas, a Meritor tenta achar seu espaço no mundo da eletrificação com uma proposta um pouco diferente: um motor elétrico central de duas velocidades, que gira a até 5.000 rpm como um pinhão fixado diretamente no diferencial do eixo trativo, sem nenhuma transmissão ou eixo cardã. “Com isso usamos um só motor – e não dois. Essa configuração é mais barata e também abre muito espaço no chassi, que pode ser usado para alocar um banco de baterias maior e assim aumentar a autonomia”, explica Assanti.

Nada impede que a solução seja usada também em veículos híbridos, com motor a combustão a diesel, etanol ou gás, que gera energia para o powertrain elétrico.

Em sua estratégia de eletrificação, a Meritor aposta no fornecimento modular de todo o sistema, que inclui o eixo com motor elétrico, central eletrônica de gerenciamento e softer, pacote de baterias e os subsistemas necessários, como inversores, atuadores e regeneração de energia. “Podemos entregar só o eixo eletrificado ou o sistema completo, o cliente escolhe o que precisa”, diz o diretor.

Para elevar adiante essa estratégia, a Meritor continua focada na fabricação de eixos trativos para veículos comerciais, mas faz parcerias com outras empresas para projetar e fornecer todo o sistema eletrificado. Nos Estados Unidos, por exemplo, o motor elétrico em testes no eixo 14Xe é fornecido pela UQM. No Brasil, caso vá adiante a nacionalização do projeto, o propulsor poderia ser da brasileira Weg.

Até 2022 a Meritor tem projeto de lançar quatro modelos de eixos elétricos: o primeiro, em testes e mais próximo da realidade, é o 14Xe com potências de 150, 180 e 200 kW para aplicações em veículos de 9 a 26 toneladas de peso bruto total (PBT), que já tem mais de 80 pedidos nos Estados Unidos – e no Brasil pode ser adaptado a diversas versões do VW Delivery. O segundo deve ser o 12Xe, para caminhões leves de 6 a 11 toneladas. Mais para frente está no horizonte o 17Xe com motor de 450 kW, para extrapesados de 26 a 44 toneladas, e o eUltra para ônibus de piso baixo de 15 a 26 toneladas.

“Com o eixo elétrico eu deixo de ter um concorrente direto para ter mais de 10, mas passo a ser um fornecedor de powertrain. Apostamos na maior agilidade e flexibilidade de nosso projeto para ganhar clientes”, afirma Assanti.





Tags: Meritor, eixo elétrico, eletrificação, caminhão elétrico, VW e-Delivery, VWCO, IPT.

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