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Para chegar à equidade nas empresas é preciso medir diferenças e igualar salários

Indústria | 02/05/2019 | 16h23

Para chegar à equidade nas empresas é preciso medir diferenças e igualar salários

Estas foram algumas das conclusões do segundo encontro da Rede AB Diversidade

NATÁLIA SCARABOTTO, PARA AB

A igualdade de gênero dentro das empresas ainda está longe de ser uma realidade, sobretudo em cargos de diretoria. A participação das mulheres, no entanto, é uma contribuição cada vez mais valiosa que pode impactar resultados financeiros e ajudar a promover a inovação no setor automotivo. Esta foi uma das conclusões do segundo encontro da Rede AB Diversidade, promovido por Automotive Business, no fim de abril.

Segundo especialistas, engajar as lideranças na busca por oferecer igualdade de oportunidades, estabelecer políticas estruturadas e contar com o comprometimento tanto das mulheres quanto dos homens para superar as barreiras à equidade são passos essenciais para driblar o problema.

No Brasil, 67% das empresas não têm mulheres diretoras, segundo dados da FGV (Fundação Getúlio Vargas), o que mostra a baixa representatividade feminina em cargos de liderança no País. Ao mesmo tempo, a ambição feminina de crescer dentro das empresas é similar quando comparada à dos homens: 66% delas e 72% deles desejam chegar a líderes de negócios de nível sênior, de acordo com dados da Bain & Company. Os números derrubam o mito de que a mulher é menos ambiciosa na vida profissional.

“É um problema complexo que só será resolvido com visão sistêmica, com a junção de muitos conhecimentos e times que enxerguem as coisas por ângulos diferentes. Sem isso não é possível encontrar soluções para os problemas”, afirmou a gerente de projetos da ONU Mulheres, Adriana Carvalho – a organização é apoiadora da Rede AB Diversidade.

A especialista apontou que as mulheres de diferentes raças e classes sociais vivem realidades e problemas distintos e, por isso, devem ser amparadas nas organizações de acordo com suas necessidades e particularidades.

EQUIDADE DE GÊNERO É VANTAGEM COMPETITIVA


A igualdade entre os gêneros não é apenas uma forma de justiça social, mas pode impactar positivamente a economia. Se até 2025 todos os países avançassem em direção à paridade de gênero nas empresas, o PIB mundial aumentaria em até 12 trilhões de dólares, de acordo com o Mckinsey Global Institute.

Para a sócia-diretora da Goldenberg Consultoria e gestora executiva do Movimento Mulher 360, Margareth Goldenberg, a diversidade e a promoção da igualdade de gênero podem ser ainda uma alternativa para a indústria automotiva encarar as atuais transformações na mobilidade urbana das grandes capitais. “Estamos falando do diferencial competitivo das empresas e essa questão é muito forte em um setor que está sendo questionado, passando por um grande desafio conforme os novos meios de locomoção que estão surgindo”, diz. E prossegue:

“Para ter soluções inovadoras, as empresas precisam de diversidade de colaboradores.”

BARREIRAS PARA A EQUIDADE DE GÊNEROS


Atingir a equidade de gêneros não é uma tarefa fácil e ainda existe muita resistência dentro das empresas, conforme aponta Margareth. Baseada na sua experiência, a Goldenberg Consultoria aponta como as principais barreiras: a falta engajamento das lideranças; o não alinhamento com a estratégia do negócio; a falta de dados e de indicadores claros dentro das organizações; a ausência de metas específicas; o desenvolvimento de ações isoladas e, por fim, os preconceitos, muitas vezes inconscientes.

Outro problema está nas políticas que contribuem para a desigualdade, mas que são muito presentes nas empresas como, por exemplo, basear a remuneração da mulher no último salário dela.

“Se temos um ambiente no qual as mulheres ganham menos que os homens, contratar e oferecer um salário usando como base a última remuneração dela é uma atitude que vai continuar a perpetuar a desigualdade. Ela vai continuar ganhando menos”, explica Adriana Carvalho.

Com a pressão social em cima das marcas, o silêncio dentro das companhias também é um desafio velado. “Falar hoje publicamente contra a diversidade pode sair caro para as empresas, mas isso não quer dizer que todo mundo ali dentro apoia as ações de inclusão. Em reuniões às vezes não é possível identificar isso porque as pessoas não falam realmente o que estão pensando. Precisamos descobrir o que está por trás”, afirmou o editor-chefe do PapodeHomem e membro do Comitê #ElesporElas, da ONU Mulheres, Guilherme Valadares.

OS HOMENS SÃO PARTE DA TRANSFORMAÇÃO


Alcançar a equidade de gêneros é também incluir os homens na discussão, sobretudo para pensar a construção da masculinidade e de como certas pressões sociais sobre eles contribuem para aprofundar o problema da desigualdade na sociedade e dentro do ambiente corporativo.

Um levantamento realizado pelo PapodeHomem apontou que muitos têm o desejo de viver de forma diferente do padrão socialmente imposto. Por exemplo, cinco em cada dez homens gostariam de ter mais tempo para os prazeres da vida, mas não o fazem porque têm medo de serem julgados como frouxos ou pouco ambiciosos. Outros oito em dez entrevistados também gostariam de cuidar melhor da própria saúde.

“Esses números são importantes porque mostram que existe uma pressão social sobre eles. De um lado falta estímulo para as mulheres no ambiente de trabalho e do outro existe um excesso de estímulo para os homens, mas nem todo homem quer ser o campeão, o diretor ou o presidente. Às vezes tudo o que eles querem é trabalhar menos, mas sentem que vão ser percebidos menos homens se fizerem isso”, explicou Valadares.

Além de pensar e discutir masculinidades, trazer os homens para o debate e incentivar o engajamento deles é importante, aponta Valadares. O gerente geral da TE Connectivity, Daniel Malufi, destaca que para isso é essencial não ter um ambiente polarizado. “Trabalhamos a diversidade e a inclusão como um todo, criando um ambiente que respeita quem a pessoa é. Também é importante buscar dialogar com quem está disposto a pensar e participar dessa mudança. Quem não se enquadrar, mais cedo ou mais tarde, vai acabar saindo por não se encaixar mais naquele ambiente.”



Tags: diversidade, equidade de gênero, Rede AB Diversidade, desafios.

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