Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias
Venda de importadores da Abeifa recua 11,4%

Mercado | 03/04/2019 | 18h08

Venda de importadores da Abeifa recua 11,4%

Cenário econômico ainda lento dificulta retomada do mercado, aponta Abeifa

SUELI REIS, AB

O segmento de veículos importados encerrou o primeiro trimestre do ano com vendas 11,4% abaixo do volume registrado em mesmo período do ano passado, de acordo com o balanço divulgado na quarta-feira, 3, pela Abeifa, associação que reúne importadoras e fabricantes. O total emplacado de janeiro a março ficou em 7,5 mil unidades contra as mais de 8,4 mil registradas há um ano, considerando apenas os veículos importados pelas dezesseis marcas associadas.



- Faça aqui o download dos dados da Abeifa
- Veja outras estatísticas em AB Inteligência



Para o presidente da entidade, José Luiz Gandini, alguns fatores ainda sustentam a letargia do cenário econômico, o que refletiu no mercado ao longo dos três primeiros meses do ano. Ele cita a queda do otimismo geral desde o fim de novembro e a volatilidade cambial. O executivo também reclama da proteção às montadoras instaladas no Brasil, que gozam de incentivos no IPI e no ICMS diferenciado entre veículos nacionais e importados.

“Essas dificuldades refletem muito nos volumes de vendas”, reforça Gandini durante coletiva de imprensa realizada em São Paulo. “Março é um mês para esquecer”, completou ao comentar sobre o desempenho do setor no último mês.

Os números mostram que os emplacamentos de março totalizaram pouco mais de 2,5 mil unidades, representando queda de 27% sobre os mais de 3,4 mil veículos importados vendidos em igual mês de 2018. Contudo, mesmo com três dias úteis a menos do que fevereiro, as vendas de março aumentaram 1,2% no comparativo mensal, o que para Gandini não reflete a situação do setor.

“Março foi bom para o mercado, mas para nós [importadores] foi terrível”, disse. Ele se refere ainda ao agravamento das dificuldades enfrentadas com a alta do dólar. “Iniciamos janeiro de 2018 com o dólar cotado a R$ 3,30 e, no fim do primeiro trimestre deste ano, atingiu a casa dos R$ 3,89. Em quinze meses, o setor de veículos importados anotou um acréscimo de 17,8% em seus custos diretos”, revela Gandini.

Apesar disso, o presidente da Abeifa mantém as projeções para o ano: “Ainda continuo trabalhando com a estimativa de 50 mil carros este ano”, disse. Para ele, o primeiro trimestre foi atípico: “Se analisarmos pelo trimestre, este ano fica nos 30 mil [veículos vendidos]. Mas mantemos a expectativa na retomada da economia ainda ao longo deste ano, que vai depender muito do câmbio”, atesta.

A entidade também mantém sua projeção para o volume de unidades produzidas por suas associadas que têm fábricas no Brasil. Para este ano, a Abeifa estima a produção de 55 mil unidades vendidas contra os 37 mil do ano passado. Se for confirmado, a entidade totalizaria 105 mil veículos emplacados contra os 50 mil de 2018, considerando a soma das vendas dos importados e dos fabricados por suas associadas.

DIÁLOGO COM O GOVERNO


Gandini diz ter dificuldade em manter contato com representantes do governo federal ao citar que a prioridade da reforma da previdência deixa o governo blindado para outras questões. “Ainda não consegui me encontrar com o Guedes”, disse se referindo ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

Embora o executivo afirme não ter qualquer intenção de pedir nada ao ministro, Gandini diz que ouviu uma fonte afirmar sobre uma possível redução do imposto de importação de 35% para 15%, o que segundo ele, poderia acontecer ainda neste primeiro semestre.

“Se isso acontecer, anula a alta do câmbio e ajuda o setor. Vamos torcer para que seja verdade. Vou tentar ouvir isso dele [do ministro].” Além disso, Gandini criticou a possibilidade de as montadoras reunidas pela Anfavea serem a favor da volta do sistema de cotas entre Brasil e México afim de reduzir o índice de nacionalização exigido, que aumentou de 35% para 40% com o livre comércio, que entrou em vigor no dia 19 de março.

“Em nossa avaliação entendemos que é uma política salutar de competitividade internacional”, analisa Gandini.



Tags: Vendas, importados, Abeifa, câmbio.

Comentários

  • CALILCOTAIT NETO

    Lamentável,Gandini esqueceu de comentar sobre a portaria Denatran 1556/18 patrocinada pela ABEIFA em que praticamente proibibe a importacao de veiculos para pessoas fisicas, retirando sumariamente o direito do cidadão brasileiro em consumir o que bem entender.

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

ABTV

AB Inteligência