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Caoa reduz ritmo de nacionalização; compras somam R$ 2,9 bilhões em 2019
Linha de montagem da Coa em Anápolis (GO) cresceu com a chegada dos modelos Chery: mais fornecedores

Autopeças | 28/03/2019 | 22h30

Caoa reduz ritmo de nacionalização; compras somam R$ 2,9 bilhões em 2019

Fabricante de Chery e Hyundai aumenta número de fornecedores nacionais e premia os melhores de 2018

PEDRO KUTNEY, AB

As compras de componentes usados na produção de modelos Hyundai e Chery do Grupo Caoa em Anápolis (GO) e Jacareí (SP) estão orçadas em R$ 2,9 bilhões em 2019, mais que o dobro do orçamento de R$ 1,3 bilhão em 2018. A consolidação das operações da Caoa Chery, com quatro novos veículos lançados em menos de um ano, fez a conta crescer e o número de fornecedores nacionais aumentar de 92 para 101, mas o ritmo de nacionalização foi reduzido com o fim das obrigações impostas pela legislação do Inovar-Auto (encerrado em 2017) e maior volume de importações da China para montar os Chery no Brasil.

Ivan Witt, diretor de compras e RH do Grupo Caoa, avalia que os índices de nacionalização vão continuar subindo nos próximos anos, “mas em ritmo menos acentuado porque não existem mais as obrigações do Inovar-Auto”, explica. No programa Rota 2030, que entrou em vigor este ano, os incentivos estão mais direcionados a pesquisa e desenvolvimento, redução de emissões e aumento de equipamentos de segurança. “Claro que se aumentarmos nossa escala deveremos comprar mais aqui, como também existe a possibilidade de soluções da manufatura 4.0 tornarem viáveis a produção local de peças mesmo com baixa escala”, pondera o diretor.

Apesar do incentivo do Rota 2030 para nacionalizar componentes sem produção nacional, “o investimento no desenvolvimento de ferramentaria para fazer aqui peças plásticas e metálicas é elevado, os volumes produzidos no Brasil pela Caoa ainda não compensam esse gasto para localizar, só vale a pena se for para atender a legislação, como no caso de importação de vidros da China, em que o governo brasileiro aplica uma sobretaxa antidumping e deixa o produto nacional mais competitivo”, explica o gerente de compras Julio Ishida.

“Criamos um programa simulador de nacionalização, que leva em conta muitos fatores, como preço, legislação, tributação, riscos e custos logísticos de trazer peças importadas que levam 90 dias no mar para chegar, variação cambial e comparação de qualidade. Levando tudo isso em consideração, as importações da China ainda são muito competitivas, porque eles têm escala, produzem lá em um mês o que levamos um ano para fazer aqui”, diz Ivan Witt.



Segundo ele, o volume de autopeças brasileiras usadas na produção dos Caoa Chery está estacionado em 11%, enquanto os modelos Hyundai montados em Anápolis, que tinham elevado o grau de localização de 6% em 2014 para 33% em 2017, no ano passado aumentaram ligeiramente o nível para 36%. “Essa proporção varia muito de modelo para modelo. No caminhão Hyundai HD80, por exemplo, já chegamos a 65% para atender as exigências de financiamento pelo BNDES-Finame”, diz Witt.

“Conseguimos aumentar os componentes nacionais de ambas as marcas, mas no caso dos Chery elevamos as compras locais para os modelos mais antigos em produção, mas os novos chegam com mais componentes importados, assim não houve variação de um ano para outro. Nos próximos anos esse índice tem potencial para subir para 25% ou 30%”, explica o executivo.

Com a rápida ascensão das vendas da Caoa Chery, este ano orçamento de compras será invertido. Em 2018, o gasto com suprimentos para fazer em Anápolis os Hyundai Tucson, ix 35, New Tucson, HR e HD80 foi de R$ 997 milhões, ou 72% do total, enquanto R$ 385 milhões (28%) foram para os Chery QQ, Tiggo 2 e Arrizo feitos em Jacareí e um pouco para o Tiggo 5x em Anápolis, que entrou em linha na planta goiana só no fim do ano passado. Já em 2019, com a montagem dos Tiggo 7 e 8 em Goiás, estão nos planos gastar R$ 1,66 bilhão em peças para a Caoa Chery (57% do orçamento) e R$ 1,23 bilhão para os Hyundai (43%).

NOVOS FORNECEDORES



Anápolis concentra hoje 75 fornecedores nacionais e Jacareí tem 26, sendo sete novos em 2018 com a entrada em produção do Tiggo 2 e Arrizo: Michelin, Aptiv, Estamparia Paulista, Continental, Coplac, EQ Max e Puncron. Do total de 101 fornecedores produtivos no Brasil do Grupo Caoa, 11 fornecem para as duas fábricas e nove passaram a integrar a lista em 2018 por causa da Caoa Chery: Aptiv, Bosch, Castrol, Continental, Coplac, EQ Max, Moura, Pancron e Sulfix.

O número de peças nacionalizadas usadas na produção de Anápolis alcança 580 itens, até agora apenas 98 para os Caoa Chery Tiggo 5x e 7. Em Jacareí esse número chega a 248. Witt explica que estratégia é nacionalizar componentes mais pesados, de difícil transporte, como rodas, pneus, vidros e bancos. Mesmo assim, em certos casos os chineses continuam sendo mais competitivos. “Temos bons fornecedores de rodas de liga leve no País, mas a China compra alumínio mais barato do que a cotação feita em Londres e vende as rodas mais baratas e com qualidade similar”, pontua.

Também os sistemas multimídia estão no alvo, porque compensa a montagem na Zona Franca de Manaus (AM), com componentes eletrônicos importados isentos de tarifas de importação.

Witt lembra que a nacionalização também depende da nacionalidade das marcas. “A Hyundai tem muitos fornecedores cativos na Coreia, alguns do próprio grupo, quando começou a produzir carros em Piracicaba (SP) trouxe alguns deles e isso nos beneficiou. Exemplo disso é a fabricante de ar-condicionado Doowon, que tem um espaço próprio dentro da fábrica de Anápolis para montar os sistemas de climatização que usamos nos Hyundai feitos lá”, conta. “A Chery e outras montadoras chinesas também deverão nos próximos anos atrair fornecedores da China e se fizer sentido vamos comprar peças deles aqui”, acrescenta.

PREMIAÇÃO AOS FORNECEDORES




Grupo Caoa premiou os melhores fornecedores nacionais de 2018

Apesar das dificuldades em nacionalizar, Ivan Witt afirma que deve “gratidão” aos fornecedores nacionais do Grupo Caoa, “porque sempre nos trataram da mesma forma de quem compra em grande escala”. É o que o diretor disse aos presentes na cerimônia da terceira edição do Prêmio Melhores Fornecedores Caoa.

Este ano a premiação foi adaptada ao novo momento da empresa. Os fornecedores foram divididos em três categorias: fornecimento para a Caoa Montadora (que faz os modelos Hyundai em Anápolis), Caoa Chery (em Jacareí e Anápolis) e Pós-Venda – esta categoria para os que fornecem peças, insumos e serviços às 130 concessionárias Ford, Hyundai, Caoa Chery e Subaru do grupo, que em 2018 representaram compras de R$ 895 milhões.

Com base em avaliações de qualidade, redução de custos e pontualidade de entrega durante 2018, este ano o Grupo Caoa premiou 12 fornecedores, um da operação de concessionárias, seis da operação Caoa Chery em seis subcategorias (incluindo “O Melhor do Ano”) e seis da Caoa Montadora (Hyundai) nas mesmas seis categorias.

Confira abaixo os vencedores do Prêmio Melhores Fornecedores Caoa 2018

PÓS-VENDA CAOA



• EXCELÊNCIA EM PADRÕES OPERACIONAIS DE PÓS-VENDA
Autoware
Empresa responsável pela construção do portal de atendimento das concessionárias Caoa, Caoa Chery e Subaru




CAOA MONTADORA (HYUNDAI)



• MELHOR FORNECEDOR DO ANO
Michelin
Pneus para Hyundai ix35, New Tucson e Caoa Chery Tiggo 5x e Tiggo 7




• QUALIDADE EM FORNECIMENTO
Axalta Coating
Tintas automotivas e derivados químicos




• INOVAÇÃO EM CUSTOS
Humax
Sistema multimídia para Hyundai ix35 e New Tucson




• COMPRAS INDIRETAS – MATERIAL
DCCO Distribuidora Cummins
Peças para manutenção de geradores da fábrica de Anápolis




• COMPRAS INDIRETAS – SERVIÇOS
AON Corretores de Seguros
Gerenciamento de riscos, corretagem de seguros e soluções para recursos humanos e administração de planos médicos




• COMPRAS INDIRETAS – INOVAÇÃO
Z 515 Propaganda
Agência responsável por ações de marketing da Caoa na mídia




CAOA CHERY



• MELHOR FORNECEDOR DO ANO
Bosch
Desenvolvedor do sistema flex fuel dos novos Caoa Chery




• QUALIDADE EM FORNECIMENTO
Moura
Baterias automotivas




• INOVAÇÃO EM CUSTOS
Aptiv
Chicotes elétricos




• COMPRAS INDIRETAS – MATERIAL
Beta Equipamentos de Segurança
Equipamentos de proteção individual




• COMPRAS INDIRETAS – SERVIÇOS
Engeko
Serviços de construção civil e manutenção




• COMPRAS INDIRETAS – INOVAÇÃO
Engeseg Vigilância Computadorizada
Serviços de segurança e monitoramento eletrônico da fábrica



Tags: Caoa Montadora de Veículos, Caoa Chery, Hyundai Caoa, compras, 3º Prêmio Melhores Fornecedores Caoa 2018, autopeças, nacionalização, Inovar-Auto, Rota 2030.

Comentários

  • GeraldoCampos

    Emuito gratificante ver um brasileiro brigando com grandes e se destacando dando mostra que nos brasileiros somos capazes. Parabéns. Meus comprimentos s.r. Carlos Alberto Oliveira andrade

  • Inaciobecker

    Éo que se espera de empresas sérias . a caoa é o que temos de melhor.porem sou um que está naspera de poder desfrutar no que temos de melhor .na minha região não tem loja física .estou na espera desde o lançamento da Tiggo 5x , aguardo resposta sou de Farroupilha RS e na região serrana gaúcha não temos loja.abracos..!!!

  • OlegárioHugo machuca

    Ficocontente de ver o emprendimento da caoa em apostar nos carros chineses, porque em Chile a quantidade de carros chineses é bastante estou pensando no tiggo Parabéns

  • JoséRicardo vasconcelos

    Acaoa estar no caminho certo com seus investimentos automotivos para o Brasil. Parabéns pelo bom custo benefício em seus modelos comparados aos concorrentes Premium. Money ponto de vista a Cherry com a entrada do tigo2 e tigo5 os suvs em alta chegou em boa hora Em um mercado tão competitivo eu sou um futuro consumidor para o tigo5x. Sou proprietário de um Renault Duster tech-road aut. Por falta de opção no mercado de um veículo a autura.

  • AlexandreAlves Paranhos

    Muitobom saber que podemos ter mais , sem ter que nos submeter aos importados , pena que a tradição nao acompanha o desenvolvimento dos produtos e mercado dos importados , na compra tudo lindo , maravilhoso ,mas no pós venda ( concessionarias) , atendimento para manutenção ou troca de peças , nao temos ainda um respaldo que deveríamos ter ! , A revenda tambem ainda fica a desejar !!! Gostaria muito de comprar o modelo que fiz test drive (tiggo 5x) mas o medo de faltar peças e a desvalorização me impedem de comprar . Mas fica a impressão de que estao melhorando e muitos aspectos so me resta esperar !!!!!!

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