Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias
A mulher no setor automotivo: o que há para comemorar?

Indústria | 08/03/2019 | 16h54

A mulher no setor automotivo: o que há para comemorar?

Ainda que tenha uma série de desafios pela frente, indústria acumula avanços

GIOVANNA RIATO E SUELI REIS, AB

As mulheres são apenas 6% da alta liderança das empresas que compõe a indústria automotiva, conforme apurou pesquisa feita por Automotive Business em 2018. Quando consideradas todas as áreas, a força de trabalho feminina representa apenas 17% do quadro total do setor, com salários que chegam a ser 33,8% inferiores ao de homens em cargos equivalentes (veja neste estudo).

Muito além de evidenciar uma situação de desigualdade, os levantamentos buscam gerar conhecimento e ser o ponto de partida para fomentar transformações positivas na indústria automotiva. Neste Dia Internacional da Mulher, a boa notícia é que se há tanta desigualdade existe também uma série de oportunidades para causar impacto social e, ainda, gerar negócios, receitas e lucratividade, como apontam os indicadores a seguir:

- A igualdade de gênero adicionaria US$ 12 trilhões à economia global e US$ 850 bilhões ao PIB do Brasil (McKinsey)
- Empresas com mulheres em cargos de liderança aumentam em 21% a chance de ter desempenho financeiro acima da média (Mckinsey)
- O número de lares chefiados por mulheres saltou 105% de 2005 a 2018 (Escola Nacional de Seguros)
- Organizações com mais diversidade geram 19% mais receitas a partir de inovação (Harvard Business Review)
- Mulheres decidem sozinhas ou em parceria com homens as compras em 97% dos lares brasileiros (J. Walter Thompson).

EMPRESAS INVESTEM NA TRANSFORMAÇÃO


Automotive Business fomenta a promoção da igualdade de oportunidades no setor por meio da Rede AB Diversidade, um campo para a troca de conhecimento e boas práticas pela diversidade entre empresas automotivas. A iniciativa já conta com o apoio da ONU Mulheres e do Movimento Mulher 360.

Este trabalho começa em 25 de março e, até o fim do ano, vai fomentar a inovação inclusiva e a diversidade na indústria em oito encontros que reunirão diversas empresas. No segundo semestre haverá a divulgação dos resultados da segunda edição da pesquisa Presença Feminina no Setor Automotivo.

Enquanto o levantamento não é divulgado, listamos a seguir alguns bons exemplos de organizações automotivas que já começaram a trilhar o longo caminho para reduzir a desigualdade no setor:

BRIDGESTONE


“Faz parte da missão global da Bridgestone recrutar e desenvolver uma força de trabalho diversificada, que englobe o multiculturalismo”, aponta Lucila Del Grande, diretora executiva de Recursos Humanos da Bridgestone. Segundo a executiva, este esforço é claro no processo de contratação. Ela cita um caso recente em que duas mulheres descobriram a gravidez ao longo da seleção e isto não foi empecilho para que fossem escolhidas, já que eram as profissionais mais qualificadas para as posições. Del Grande conta que a empresa tem tradição em ter participação feminina em cargos ocupados tradicionalmente por homens. “Contamos com a única engenheira de testes de desenvolvimento de pneus na Bridgestone na América do Sul”, exemplifica.

CNH INDUSTRIAL


Com o quase o dobro de mulheres em posição de liderança em comparação com o mercado brasileiro em geral, a CNH Industrial também reforça sua posição em buscar reverter a desigualdade de gênero por meio de iniciativas internas que promovam a diversidade e debates sobre o assunto. “Ainda estamos buscando entender como, e também, criar ambientes mais inclusivos, além de consolidar, de uma vez por todas, uma cultura mais centrada na valorização da diversidade em todas as suas dimensões”, defende a vice-presidente de RH da empresa, Telma Cracco. Em 2018, a companhia criou o Comitê da Diversidade, composto por pessoas de diversas áreas, idade, cargos e gênero. O grupo tem alguns direcionadores estratégicos que buscam tratar a diversidade de forma mais ampla, focando em PCDs (pessoas com deficiência), negros, mulheres, LGBTIs e todas as minorias que tanto têm a contribuir para os negócios. Segundo a executiva, as ações da empresa dedicados ao tema têm contribuído para torná-la mais reconhecida em diversos aspectos. Pela oitava vez, a CNH Industrial foi apontada como líder pelo Índica Dow Jones de Sustentabilidade (DJSI) do mundo e da Europa. “O tema diversidade está entre os que nos levaram a esse reconhecimento e tem se tornado, ano a ano, uma prioridade em todas as nossas unidades”, destaca.

CUMMINS


Em 2010 a empresa fundou um grupo de afinidade voltado às mulheres, o WAG - Women’s Affinity Group. “Desde a sua criação, dados apontam para a crescente participação das mulheres em todos os níveis hierárquicos da Cummins na América Latina: de 33% em 2015 para 36% em 2017”, conta Adriano Rishi, diretor de Engenharia da empresa para a região. Segundo ele, o aumento representa o ingresso de mais de 270 mulheres na organização. “Só na engenharia o salto foi de 17% para 34% nos dois últimos anos na unidade de negócios de motores.”

FAURECIA


Uma série de ações tem sido desenvolvida pela Faurecia para ampliar a contratação de mulheres, o que resulta em um balanço bastante positivo. No último ano, o número de funcionárias aumentou mais de 40%, uma das metas da empresa e que foram determinadas pelo próprio diretor geral, Abdo Kassisse, envolvido de forma intensa com o tema diversidade. Entre as ações propostas, estão a política de igualdade da empresa, na qual homens e mulheres têm as mesmas condições e oportunidades, além de atividades pontuais entre os funcionários relacionadas à diversidade, com destaque para a presença feminina nos ambientes. Em 2019, a semana pós-carnaval é dedicada às ações que visam a integração dos empregados, com debates sobre valores e respeito ao diferente, com destaque para o Dia Internacional da Mulher (08 de março). Segundo a empresa, nos últimos anos, esse têm sido um tema de destaque com um olhar não só para a mulher, mas também para a diversidade como um todo e que se faz presente dentro e fora da empresa. Atualmente, a companhia mantém mulheres em todas as áreas e níveis hierárquicos.

FCA


Como parte da estratégia para promover ambiente mais igualitário a FCA passou a fazer parte do Movimento Mulher 360, iniciativa que busca fortalecer políticas e boas práticas relacionadas ao tema. Segundo a diretora de Recursos Humanos da companhia na América Latina, as discussões sobre o assunto não ficam restritas ao departamento, mas contam com envolvimento de um time multifuncional e envolvem a liderança da empresa.

GERDAU


A Gerdau firmou seu compromisso com os Princípios de Empoderamento das Mulheres (WEPs) da ONU em 2017 e desde então vem reforçando sua política e iniciativas na busca pela igualdade de gênero e empoderamento. Entre as missões tratadas pelo tema diversidade na empresa, a questão do gênero foi a primeira vertente a ser trabalhada com o objetivo de aumentar a participação das mulheres em todos os níveis da companhia. Oficinas de conscientização com a alta liderança e treinamentos sobre vieses inconscientes para mais de 1 mil líderes têm feito parte do escopo do trabalho, além da capacitação de todos os componentes do comitê de diversidade, o que garante o comprometimento com o tema a fim de estimular o ambiente inclusivo por meio da educação para a diversidade. A empresa também experimentou o recrutamento às cegas e estruturou um projeto para a contratação de mulheres para a área de logística, com o intuito de elevar a participação delas nas áreas operacionais nos complexos industriais.

MERITOR


Como primeiro grande passo para promover a liderança feminina na operação brasileira, a Meritor implementou localmente um programa de mentoria. Em encontros mensais, as colaboradoras da empresa discutem seus desafios, pontos fortes e caminhos para a evolução profissional. Atualmente as mulheres são 3% da força de trabalho da companhia no Brasil.

NISSAN


A fabricante de carros aponta que o esforço para garantir igualdade de oportunidades entre os gêneros vem crescendo internamente. Rosane Santos, presidente do Instituto Nissan e gerente de sustentabilidade da empresa na América Latina, destaca que há acompanhamento cuidadoso da presença da mulher em todos os níveis hierárquicos. Segundo ela, a empresa também trabalha para estruturar um amplo programa de diversidade e inclusão, atendendo a diretrizes globais. “O Instituto Nissan também está patrocinando, pela primeira vez, um projeto social chamado Mulheres da Maré, no Rio de Janeiro, cujo objetivo principal é a profissionalização das mulheres desta região da cidade. Isso reforça que a Nissan considera relevante o tema do empoderamento feminino tanto internamente quanto externamente”, aponta.

VOLKSWAGEN


A Volkswagen destaca ter promovido uma série de ações nos últimos anos que já refletem em aumento da participação feminina no quadro de funcionários: as colaboradoras são 7,5% dos 15,4 mil funcionários da companhia – o maior número dos últimos três anos. A empresa aponta ter adotado a busca por equilíbrio de gênero nos processos seletivos para cargos executivos e no programa de trainee, além de plano de desenvolvimento para talentos femininos. A busca da empresa acompanha a meta imposta pela matriz alemã de que 13,74% dos cargos de gestão devem ser preenchidos por mulheres – no Brasil este índice está 12% após as ações promovidas recentemente.

VOLVO


No Grupo Volvo, as iniciativas sobre diversidade se intensificaram com o objetivo de aumentar o número de mulheres não só no chão de fábrica, mas também em cargos administrativos. Desde 2013, a empresa promove a Semana da Diversidade & Inclusão, evento que acontece simultaneamente em todas as filiais do grupo pelo mundo. O objetivo principal é debater e disseminar os conceitos com os funcionários por meio de diversas ações. Relacionado à diversidade de gênero, os resultados são animadores: a presença feminina aumentou de 15% para 18% entre 2014 e 2018 nas unidades que a Volvo tem no Brasil, em Curitiba (PR) e em Pederneiras (SP). O índice é similar ao apresentado globalmente pelo grupo.



Tags: Presença Feminina, indústria, diversidade, gênero, ONU, mulheres.

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

AB Inteligência