Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias
Governo de SP quer intermediar venda da Ford em São Bernardo
O governador Doria e o secretário Meirelles prometem ajudar a vender operação da Ford em São Bernardo

Indústria | 21/02/2019 | 18h32

Governo de SP quer intermediar venda da Ford em São Bernardo

Empresa promete a governador manter 2,88 mil empregados no Estado; sindicato vai negociar nos EUA

PEDRO KUTNEY, AB

Dois dias após anunciar que até o fim do ano vai encerrar todas as suas atividades industriais em São Bernardo do Campo, a Ford ganhou um dublê de corretor que vai tentar vender a operação para outra montadora. Após reunião na manhã da quinta-feira, 21, com representantes a diretoria da empresa no Brasil, o governador de São Paulo, João Doria, comprometeu-se a buscar um comprador para a unidade fabril.

“O objetivo da reunião foi a preservação de empregos. Foi uma atitude de governo. Fui eu que os procurei. O Governo de São Paulo ajudará a Ford a encontrar um comprador para o parque fabril de São Bernardo”, afirmou Doria.



O governador fez a declaração durante entrevista coletiva logo após o encontro, que além de Doria contou com a participação de Henrique Meirelles, secretário de Fazenda e Planejamento do Estado, Lyle Watters, CEO da Ford América do Sul, Rogelio Golfarb, vice-presidente de assuntos governamentais, comunicação e estratégia da montadora, e Orlando Morando, prefeito de São Bernardo. Nenhum representante dos trabalhadores foi convidado.

Doria informou que, como contrapartida à pretensa corretagem oferecida pelo seu governo, conseguiu dos diretores da Ford a promessa de manter 1,2 mil funcionários que trabalham na sede administrativa instalada no mesmo complexo do ABC Paulista, além de não fazer mudanças ou cortes nas demais unidades paulistas da empresa: a fábrica de motores de Taubaté (hoje com 1.260 funcionários), o campo de provas de Tatuí (250 pessoas) e o centro de distribuição de Barueri (170), que somam assim 2.880 empregos no Estado.

Nesse sentido, não parece haver nenhuma concessão da empresa, que até o momento não demonstra intenção de fechar outras operações no Estado. Muito pelo contrário, há menos de um ano a Ford finalizou investimentos importantes na fábrica de motores e transmissões em Taubaté, com completa modernização de equipamentos e aumento de capacidade para 500 mil unidades/ano, para fazer o motor 1.5 Dragon e câmbio manual MX65 que equipam Ka e EcoSport produzidos em Camaçari (BA). Portanto, aparentemente a empresa não tem intenção de fechar esta planta.

Os maiores prejudicados com a reestruturação da empresa, portanto, são os 1,6 mil quase desempregados que trabalhavam até o início desta semana em São Bernardo nas linhas de produção dos caminhões Cargo e Série F e do hatch Fiesta (sabidamente em fim de vida já há dois anos). Acumulando prejuízos na América do Sul (declarado em cerca US$ 600 milhões no balanço de 2018), a Ford decidiu parar de fazer esses veículos no Brasil e, por consequência, encerrar atividades em sua mais antiga unidade industrial no País, adquirida da Willys-Overland em 1967.

Embora tenha prometido à Ford se empenhar para encontrar um comprador “nacional ou internacional” para a fábrica de São Bernardo a partir da segunda-feira, 25, o governador não se comprometeu em manter os empregos da unidade: “O governo não fará imposições à compradora. Nós buscaremos uma solução de mercado ao lado da Ford”, disse Doria, que embora não tenha conseguido nenhum recuo aparente da empresa, classificou o encontro como “positivo”.

A própria Ford admitiu que ao longo do ano passado tentou vender a fábrica, sem sucesso – rumores de mercado indicavam que houve negociações infrutíferas com a fabricante de caminhões DAF. Portanto, parece difícil a perspectiva de se encontrar um comprador agora. “A indústria automotiva está vivendo uma mudança global. Tivemos a ideia de trabalhar juntos para uma alternativa em relação à unidade fabril. Acharemos uma solução criativa para a instalação”, afirmou o secretário estadual de Fazenda e Planejamento, Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda no mandato-tampão de Michel Temer e ex-presidente do Banco Central na gestão do presidente Lula.

SINDICATO VAI À FORD NOS EUA E PROMETE RESISTIR



Em comunicado, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC confirmou que representantes da entidade vão à sede da Ford em Dearborn, nos Estados Unidos, onde serão recebidos pela direção mundial da companhia para discutir o futuro da fábrica de São Bernardo. A reunião foi solicitada pelo sindicato logo após o anúncio de fechamento da planta, na terça-feira, 19. A data do encontro está sendo acertada entre os participantes e deverá ser definida nos próximos dias.

O presidente do sindicato, Wagner Santana, lamentou que representantes dos trabalhadores não foram convidados para o encontro entre diretores da empresa e membros do governo de São Paulo. Na quinta-feira o sindicalista se reuniu com a procuradora do Ministério Público do Trabalho de São Bernardo, Sophia Villela de Moraes e Silva, para discutir a situação dos empregados da Ford. Ele afirma que a entidade vai buscar de diversas formas reverter a decisão da companhia.

“Vamos à matriz discutir com a direção mundial, conversamos com prefeito da cidade, teríamos conversado com o governador na manhã de hoje se ele tivesse convidado a representação dos trabalhadores para participar, já que a pauta envolvia o futuro de milhares de metalúrgicos. Não vamos desistir de manter uma empresa com essa importância em nossa região”, destacou Wagner Santana.



O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC confirmou que foi informado sobre o fechamento da fábrica da Ford em São Bernardo somente na terça-feira, 19, durante reunião solicitada pela entidade com o presidente da empresa, Lyle Watters, pouco antes de a empresa divulgar a decisão à imprensa.

“Nossa direção foi ao encontro para discutir um calendário de negociações para a vinda de novos produtos, conforme estava previsto no acordo firmado em 2017, mas de início a empresa comunicou o fechamento, que seria em seguida anunciado para a imprensa. Deixamos a reunião para fazer de urgência uma assembleia com os trabalhadores, para que eles não fossem avisados pela internet, o que seria um absurdo. Tem gente lá com 25, 28 anos de casa”, relata Santana.

Após o anúncio, o sindicato orientou os trabalhadores a irem para casa e só retornarem à fábrica na próxima terça-feira, 26, quando haverá uma nova assembleia, em frente à empresa, às 6h30. Desde então a planta está parada. “Não tinha clima para ninguém voltar ao trabalho, até por uma questão de segurança. Estamos fazendo nossas articulações e avaliando de que forma se dará nossa mobilização e nossa resistência. Mas ela haverá e será dura”, reforçou o sindicalista.



Tags: Ford, fechamento de São Bernardo do Campo, governo de SP, governado João Dória, indústria, trabalho.

Comentários

  • ROBERTOSEABRA DA COSTA

    Comtantas obrigações a cumprir em favor dos paulistas e outros habitantes de São Paulo,vai esse governador se envolver com a venda de uma fábrica de uma multinacional. Já comprometeu seu secretário da fazenda na empreitada e eis Meirelles agora na posição de corretor de fábrica. Considero um absurdo essa oferta de Dória, ele não tem de se envolver na venda de fábrica, trata-se de um negócio entre empresas privadas. Outro absurdo é ter colocado Meirelles nessa posição, o chefe ordena que o subordinado siga num desvio de função. A Ford está fechando a fábrica por uma série de problemas administrativos e gerenciais que não enfrentou a tempo. O Estado de São Paulo com tantos problemas tão graves para fornecer os serviços que nós cidadãos merecemos e em tão difícil situação econômica, agora resolve prestar favores a uma multinacional americana que nos quer abandonar. Pára com isso Dória, tente cumprir com as suas obrigações, na vida pública já tens uma série interminável de problemas a resolver.

  • JoséGonçalves

    Émais um incentivo para empresa incompetente, se vivemos em uma econômia de mercado, quem puder que permaneça no mercado, as empresas nessa área de negócio que não aguentar que saia do mercado. O Brasil está de crise em crise por causa de aliquota de ICMS diferenciada para grupos econômicos, incentivos fiscais para empresas que não cumprem com os compromissos acordado, não geram empregos, produz concorrência desleal, falências e finalmente o 12 milhões de desempregados e acabar com a securitização de divida que é impostos que não passam pela conta do governo e nem pela contabilidade servindo de caixa dois dos partidos politicos. A crise que vivemos é isso, não tem governo e nem ministro da fazenda ou economista que de jeito se não mudar a forma de tributação e deixar o mercado se auto regular pela competencia e não pela interferencia de politicos que prejudicam o equilibrio no ambiente de negócios no Brasil.

  • Ramos

    SUGIROQUE NESTA FÁBRICA SEJA FEITA UMA SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO , ONDE A SCP IRIA ARRENDAR ESTA FÁBRICA PARA PRODUÇÃO DE COMPONENTES METALÚRGICOS PARA OUTRAS INDÚSTRIAS (COMO FIXADORES), MANTENDO ASSIM A PRODUÇÃO E OS EMPREGOS PERTINENTES . VENDER E ENCONTRAR ALGUM COMPRADOR NO MOMENTO É MUITO DIFICIL . MELHOR COISA É ABRIR A GUARDA E ARRENDAR PARA ALGUÉM QUE QUEIRA OPERAR A FÁBRICA E GERAR PRODUÇÃO

  • TOTIY

    "Areforma trabalhista aumentará a oferta de empregos ". (Michel Temer) Poucas empresas conseguem sobreviver com uma capacidade ociosa superior a 40% , os sucessivos choques fiscais a partir de 2015 beneficiam somente o mercado financeiro enquanto o setor produtivo que vive das vendas do que produz padece por falta de compradores que não se sujeitam a taxas de juros extorsivas . A politica econômica de Paulo Guedes não contempla consumo e produção ,apenas a garantia dos rendimentos dos investidores com altas taxas de rolagem da divida do governo portanto é bastante compreensível a decisão da Ford , afinal business are business !

  • Antoniode Padua Deodato

    Nãosou economista, mas vejo tudo isto, como consequencia da alta taxa tributária que o governo aplica sobre as indústrias automobilísticas e outras mais, pois mais de 40 % do preço de um carro novo, pertence aos bolsos do governo. Portanto desejo que que esta decisaõ tome outros rumos positivos, para manter todo este pessoal que lá trabalha.

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

ABTV

AB Inteligência