Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias
Schaeffler faz 60 anos no Brasil em crescimento
O complexo industrial da Schaeffler em Sorocaba (SP): 14 prédios, 140 mil m2 construídos, 3,5 mil funcionários, mais de mil tipos de componentes produzidos

Autopeças | 28/11/2018 | 20h00

Schaeffler faz 60 anos no Brasil em crescimento

Faturamento na América do Sul avança acima de dois dígitos porcentuais por ano

PEDRO KUTNEY, AB

Ao fim do ano em que completa 60 anos de atividades no Brasil, a alemã Schaeffler registra desempenho acima da meta que propôs a si mesma de crescer, na média, 6% ao ano na América do Sul de 2018 a 2023. No ano passado a expansão do faturamento na região já foi de 10% e este ano está assegurado “novo avanço maior de dois dígitos porcentuais”, informa Marcos Zavanella, CEO da operação sul-americana da empresa, com sede em Sorocaba (SP), onde produz diversos tipos de componentes automotivos e industriais – notadamente vários modelos de rolamentos e embreagens, presentes em 90% da frota brasileira de veículos.

O faturamento da operação na América do Sul não é divulgado. A região faz parte da divisão Américas da Schaeffler, englobando também América Central e do Norte, que respondeu por 21% do faturamento global de € 14 bilhões em 2017. Na Europa está a maior parte dos negócios, com 50% das receitas, enquanto Ásia/Pacífico contribui com 10% e restantes quase 20% vêm da China.

Em visita ao Brasil para participar da festa para clientes e parceiros de negócios em comemoração aos 60 anos da Schaeffler no Brasil, o CEO global do grupo Klaus Rosenfeld afirmou que a empresa é lucrativa na região e seguirá com o mesmo nível de investimento no País nos próximos anos – no período 2017-2018 foram investidos € 23 milhões. A companhia aplica os recursos em desenvolvimento de produtos e modernização de processos industriais. “No momento capacidade não é um problema, não precisamos expandir, mas vamos nos manter eficientes e oferecer novos produtos”, pontua o CEO brasileiro Zavanella.

Ele destaca que a subsidiária brasileira segue os mesmos padrões globais do grupo, por isso é competitiva e exporta cerca de 25% da produção para outras fábricas da Schaeffler em países como Alemanha, Estados Unidos, México e China. “Temos capacidade e tecnologia”, afirma Zavanella. Nos últimos dois anos a Schaeffler Brasil lançou 53 novos produtos e serviços, apresentou mais de 200 propostas de inovações e o centro de pesquisa e desenvolvimento e registrou sete patentes internacionais. A operação no País é referência mundial para projetos e produção de rolamentos de embreagem – 70% desses componentes feitos aqui são exportados.

“Temos uma longa história no Brasil, um dos primeiros representantes de nossa estratégia de ser uma empresa global com presença local”, afirma o CEO Klaus Rosenfeld.




O CEO global da Schaeffler, Klaus Rosenfeld, e Marcos Zavanella, presidente América do Sul

TENDÊNCIAS E ELETRIFICAÇÃO



Rosenfeld avalia que boa parte das tendências tecnológicas da indústria também serão replicadas no Brasil, ainda que com graus e tempos diferentes, como redução de emissões de CO2, digitalização de veículos e linhas de produção, indústria 4.0 e demanda crescente por energia elétrica.

Uma dessas tendências é a propulsão elétrica, uma área na qual a Schaeffler vem investindo fortemente, dentro de seu plano estratégico chamado “Mobility for Tomorrow” (Mobilidade para o Amanhã). “Nesse sentido temos de pensar necessariamente em mobilidade elétrica”, diz o executivo. Para isso foi criada a divisão e-Mobility, que faturou € 500 milhões em 2017. “Ainda é uma pequena fração do faturamento, mas sabemos que irá crescer, só não sabemos quanto exatamente”, afirma.

A Schaeffler trabalha com a projeção que 30% dos carros no mundo serão movidos puramente a bateria até 2030, outros 30% continuarão a usar somente motores a combustão interna, enquanto 40% vão usar os dois, serão híbridos. “Portanto, em uma combinação, teremos de continuar a fornecer componentes de motores a combustão para 70% dos veículos produzidos”, destaca Rosenfeld.

A Schaeffler já comprou meia dúzia de pequenas empresas estratégicas no segmento – esta semana anunciou a aquisição de uma fabricante alemã especializada em induzidos de fios de cobre que impulsionam os motores elétricos. Em outra frente, desde 2015 é dona em conjunto com a Audi de uma das equipes da Fórmula E, a Audi Sport ABT Schaeffler, cujo piloto brasileiro Lucas di Grassi foi campeão da temporada 2016/2017.

No Brasil, Rosenfeld avalia que a política industrial para o setor automotivo, recentemente estipulada pela aprovação do programa Rota 2030, não endereça esforços em aumentar a eletrificação dos veículos, mas ele vê como “positiva” a oferta de incentivos à pesquisa e desenvolvimento e a legislação que promove o aumento da eficiência dos carros e consequente redução de emissões. A Schaeffler ainda não decidiu se vai aderir ao Rota 2030 para usufruir de seus benefícios fiscais em troca de investimentos em engenharia local. “Ainda estamos avaliando”, diz Zavanella.

“Queremos estar prontos para atender as demandas de nossos clientes em qualquer lugar do mundo”, afirma Rosenfeld. Ele diz que essa será a estratégia utilizada, por exemplo, para um dia fabricar no Brasil transmissões automáticas, que vêm ampliando substancialmente sua participação nos veículos brasileiros, mas não tem nenhum fabricante local, 100% das caixas automáticas são importadas. “Vamos participar desse mercado assim que os clientes tenham um plano para nacionalizar o produto”, promete.

HISTÓRIA DE RÁPIDA ASCENSÃO



Os rolamentos deram origem ao negócio familiar dos irmãos Wilhelm e Georg Schaeffler na Alemanha, em 1946, com a fundação da INA (nome inicial da empresa e hoje uma de suas três marcas, ao lado de LuK e FAG). Foram necessárias bem menos do que as sete décadas de sua história para que a empresa se convertesse em gigante multinacional, uma das maiores ainda mantida sob o controle de uma mesma família. Hoje o grupo Schaeffler é um dos maiores fabricantes de autopeças do mundo, com 170 plantas em 50 países, 92 mil empregados e faturamento de € 14 bilhões em 2017.

A internacionalização começou no Reino Unido em 1957, com a primeira planta fora da Alemanha, e em 1958 foi instalada no Brasil a primeira subsidiária fora da Europa, para acompanhar a chegada da indústria automotiva que começava a se instalar no País. Um galpão no bairro de Santo Amaro, em São Paulo, abrigou a produção dos primeiros rolamentos brasileiros da INA.

No Brasil a empresa também cresceu rápido. Em poucos anos o galpão se expandiu para um quarteirão inteiro, até que, em 1983, a empresa começou a se mudar gradualmente para a grande área de 700 mil metros quadrados em Sorocaba, no complexo industrial que abriga todas as suas operações em 14 prédios, que somam 140 mil m2 construídos, onde trabalham 3,5 mil funcionários em escritórios e linhas de produção que fabricam mais de mil tipos de componentes, fornecidos a 550 clientes na América do Sul. O maior deles é a indústria automotiva, que responde por 80% das receitas na região.

A fabricante de embreagens LuK, também fundada pelos irmãos Schaeffler em 1965, iniciou as operações brasileiras em 1972. Mais tarde, em 2001 o grupo adquiriu a FAG, outra empresa alemã à qual se atribui a invenção dos rolamentos de esferas, em 1905, e incorporou os negócios no Brasil em uma única corporação.



Tags: Schaeffler 60 anos no Brasil, autopeças, rolamentos, indústria, desempenho.

Comentários

  • WilsonMartins

    Empresafamília. Muito boa. Trabalhei 7 anos em Santo Amaro/SP e fiz parte com um grupo de amigos da primeira etapa de transferência do setor de agulhas e inicio da fabricação de esferas conhecida como BSA na epoca para o bairro ÉDEN/SOROCABA EM 1980. Desejo que continuem a terem o sucesso merecido. Obrigado.

  • Carlos

    Aconsagração da marca se vale da qualidade,e responsabilidade.Nos idos dos anos 80,trabalhei com a conceituada Distribuidora Borghoff ,distribuidora,de auto peças,sempre oferecendo aos clientes as melhores marcas. Parabéns Schaeffler

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

AB Inteligência