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Nissan consegue remover Ghosn da presidência do conselho
Ghosn segue preso no Japão e perdendo seus cargos

Indústria | 22/11/2018 | 21h35

Nissan consegue remover Ghosn da presidência do conselho

Em reunião, sete conselheiros aprovam por unanimidade afastamento do executivo acusado de fraudes financeiras

PEDRO KUTNEY, AB, COM AGÊNCIAS

Após reunião de quatro horas na quinta-feira, 22, sete diretores (seis homens e uma mulher) do conselho de administração da Nissan aprovaram por unanimidade o pedido de remoção de Carlos Ghosn do posto de presidente (chairman) daquele colegiado. Conforme prometido na segunda-feira, 19, após a prisão do executivo no Japão, a proposta de afastamento foi apresentada aos conselheiros pelo CEO da Nissan, Hiroto Saikawa, junto com provas de investigação interna conduzida pela companhia, que acusa Ghosn de informar às autoridades japonesas remuneração muito abaixo da realmente recebida, usar recursos de fundo de investimento da empresa em benefício particular e cobrar indevidamente da empresa por despesas pessoais.

Na mesma reunião o conselho aprovou o afastamento de Greg Kelly da posição de diretor-representante da Nissan. Também preso desde segunda-feira, Kelly é acusado pela empresa de estar “profundamente envolvido” e acobertar todos os desvios de Ghosn. Na prática, mesmo presos, ambos permanecem conselheiros da companhia, pois para tirá-los do conselho a Nissan precisaria convocar uma assembleia extraordinária de acionistas e votar pela saída dos dois, ou aceitar um pedido oficial voluntário de demissão.

Por esse motivo, como Ghosn segue no conselho mesmo afastado, a Nissan recusou o pedido de indicação pela Renault de um conselheiro substituto feito pela sócia francesa na Aliança Renault Nissan, que detém 43% do controle acionário da fabricante japonesa. Em carta, a Nissan informou que não permitiria que a Renault apontasse um conselheiro adicional.

A Nissan também negou o pedido do conselho da Renault de enviar à sócia de Aliança todo o conteúdo das investigações sobre Ghosn, alegando que isso poderia ser visto como interferência no inquérito aberto pela procuradoria japonesa em Tóquio. Na quarta-feira, 21, a Renault nomeou dois substitutos interinos para Ghosn: Philippe Lagayette irá liderar interinamente o conselho da empresa, enquanto Thierry Bolloré foi nomeado vice-CEO e temporariamente irá comandar a gestão da fabricante francesa.

Ambas as recusas da Nissan em aceitar um substituto para Ghosn no conselho e enviar mais informações sobre as acusações contra ele, indicam um acirramento de ânimos entre as duas maiores sócias da Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, e colocam em risco o futuro do grupo que o executivo estava trabalhando para unir “de forma irreversível”. A Mitsubishi também avisou que reunirá em breve seu conselho para decidir o papel de Ghosn na empresa em que desde o ano passado ele ocupa a posição de chairman.

Analistas apontam que a Nissan levantou as ações contra Ghosn para afastá-lo da empresa e assim ganhar mais poder na Aliança, ou mesmo se retirar do acordo. A Nissan produz 60% mais veículos do que a Renault, mas a francesa tem desde 1999 o controle da japonesa com 43% de suas ações, enquanto esta tem apenas 15% de papeis sem direito a voto do Grupo Renault. Mais recentemente, no ano passado, em uma operação liderada por Ghosn, a Nissan comprou 34% do controle da Mitsubishi, que assim passou a integrar a Aliança e formou o maior conglomerado fabricante de veículos do mundo, com 10,6 milhões de unidades produzidas em 2017.

Ghosn está detido em Tóquio e até o momento a justiça japonesa manteve o executivo incomunicável. Na terça-feira a prisão foi estendida por 10 dias. Caso seja condenado por sonegação fiscal, Ghosn poderá pegar até 10 anos de reclusão e pagar multas de até 10 milhões de ienes (algo próximo de US$ 97 mil), o que parece ser nada para quem ganhou US$ 17 milhões das três empresas que representava em 2017.



Tags: Nissan, Carlos Ghosn, fraude fiscal, má conduta, demissão, prisão, Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi..

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