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Conheça o perfil da liderança do setor automotivo

Carreira | 13/11/2018 | 19h58

Conheça o perfil da liderança do setor automotivo

Comando das empresas automotivas é masculino, branco e tem pouco interesse em trabalhar para promover a diversidade

GIOVANNA RIATO, AB

As pessoas que ocupam posição de liderança na indústria automotiva atuam há bastante tempo no segmento e estão há 7 anos no cargo, em média. Se considerados os profissionais da alta gestão, como diretores, vice-presidentes e presidentes, são pessoas com 25 anos de atuação na indústria automotiva, com 13 anos de trabalho na mesma empresa. As conclusões são da pesquisa Liderança do Setor Automotivo, realizada por Automotive Business com coordenação técnica da MHD Consultoria Empresarial.



- Faça aqui o download dos dados da pesquisa Liderança no Setor Automotivo
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O estudo inédito foi desenhado para traçar o perfil das pessoas em posições de comando em empresas desta indústria, além de mapear desafios e anseios destes profissionais. Foram 603 entrevistados. Deste total, 28% trabalham em montadoras, 47% estão na indústria de autopeças e 25% em segmentos relacionados à cadeia automotiva, como insumos, serviços de logística e engenharia. A maioria, 65%, desempenham funções da alta gestão, enquanto parcela de 35% dos participantes têm cargos na média gestão, como gerência de área, supervisão e coordenação.



Pouco mais da metade destes profissionais sempre trabalharam na indústria automotiva. Já 45% também acumulam experiência em outros segmentos. A maioria dos homens e mulheres que lideram as empresas do setor têm mais de 36 anos, o que comprova que estas organizações valorizam trabalhadores sênior. “É natural que profissionais em posição de destaque acumulem bagagem maior, mas o outro lado da moeda é que não há pessoas mais jovens, capazes de acrescentar um outro olhar à liderança das organizações. É algo em que uma série de outras indústrias têm investido”, avalia Paula Braga, diretora executiva de Automotive Business e uma das idealizadoras do estudo.

Ela prossegue: “Outro ponto importante é que esta realidade pode desmotivar profissionais mais jovens, que entram nestas organizações e percebem que precisarão investir em uma trajetória de décadas para alcançar cargos de liderança”.

ESCOLARIDADE ESTACIONA NA ALTA GESTÃO


A maior parte dos profissionais que lideram a indústria automotiva são formados em administração e engenharia, com pequena participação de outras áreas, com especialização ou MBA, enquanto fatia menor dos entrevistados possuem mestrado. Um aspecto que chama a atenção é que o nível de graduação não muda muito entre a média e a alta gestão. O dado pode ser um indício de que as pessoas param de investir em formação após chegarem em cargos mais altos por falta de tempo, já que estas pessoas trabalham média de 10 horas por dia, ou até mesmo por ausência de estímulo para estudar.

Parcela de 37% apontam, inclusive, a sobrecarga de trabalho como o aspecto mais incômodo da posição que ocupam. A escassez de tempo aparece em seguida, à frente da pressão contínua por redução de custos e do distanciamento da família que o cargo impõe.



FALTA VONTADE DE LEVAR DIVERSIDADE PARA A INDÚSTRIA


Como é notável, a liderança da indústria automotiva é bastante homogênea. Diferentemente do que se percebe na população brasileira, que é metade feminina e metade parda ou negra, 90% dos profissionais da alta gestão entrevistados são brancos. Os homens têm participação de 93% neste nível hierárquico.

Mesmo diante deste cenário, os participantes do estudo apontaram ter baixo interesse em investir em programar para promover a diversidade étnica e de orientação sexual, a equidade de gêneros e a inclusão de portadores de deficiência. “Este indicador aponta que há uma dificuldade destes profissionais não apenas em enxergar o papel social das grandes empresas, como também de ver o potencial econômico de apostar na diversidade”, enfatiza Paula.

Ela cita a projeção da McKinsey & Company de que a presença de mulheres na liderança aumenta em 21% a chance das empresas de alcançar desempenho financeiro acima da média. Quando a variedade étnica e cultural entra nesta conta o crescimento potencial é ainda maior, de 33%.



Tags: liderança, perfil, pesquisa.

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