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Garrett Motion é nova empresa independente separada da Honeywell
Olivier Rabiller, CEO da Garrett Motion, em frente à Bolsa de Valores de Nova York, onde a nova empresa lançou ações em 1º de outubro e se separou oficialmente do grupo Honeywell

Autopeças | 05/10/2018 | 19h07

Garrett Motion é nova empresa independente separada da Honeywell

Empresa lançou ações em bolsa e vai focar negócios em turboalimentação, eletrificação e digitalização dos veículos

PEDRO KUTNEY, AB

Desde o dia 1º de outubro, com lançamento de ações próprias na Bolsa de Nova York, a Garrett Advancing Motion é uma nova empresa independente, não mais somente a marca de turbocompressores da Honeywell Transportation Systems, que há cerca de um ano decidiu requalificar as atividades-fim da companhia e optou por separar do grupo sua unidade de negócios mais voltada ao setor automotivo, com o objetivo de aumentar seu valor. Feito o spin-off acionário, a Garrett continuará a operar sob a mesma estratégia atual e futura, mas agora, segundo a nova companhia, com maior flexibilidade e agilidade para atender as demandas de seus clientes – leia-se 40 fabricantes globais de veículos – que precisam cumprir exigências cada vez mais apertadas de eficiência e redução de emissões de CO2.

As operações da Garrett Motion estão apoiadas em três vertentes: redução de emissões, eletrificação e digitalização – não por acaso as três megatendências que estão moldando o futuro da indústria automotiva. A nova empresa pretende atender cada uma dessas demandas com a sua atual operação principal de fornecimento de turboalimentadores para aumentar a eficiência de motores a combustão, enquanto foca no futuro com projetos já em andamento de fabricação de turbos eletrificados (o chamado e-turbo, que aproveita os gases de escape também para gerar eletricidade) para veículos híbridos e elétricos com célula de hidrogênio, além do nascente negócio de desenvolver softwares de gerenciamento automotivo, com aplicações de segurança cibernética e manutenção preditiva.

A Garrett nasce com faturamento global que em 2017, quando ainda era parte do grupo Honeywell, somou US$ 3,1 bilhões que rendeu Ebtida de US$ 623 milhões (lucro antes de pagamento de impostos e juros), 7,5 mil funcionários, 13 fábricas instaladas nas principais regiões de crescimento (incluindo duas na China), 1,2 mil engenheiros e cinco centros de pesquisa e desenvolvimento. Existem atualmente 100 milhões de veículos em circulação no mundo equipados com turbos da empresa, que soma 65 anos de atividades.

CRESCIMENTO GLOBAL TURBINADO



Apesar de ter nascido nos Estados Unidos, já há alguns anos a sede da Garrett foi transferida para a Europa, na Suíça, região que hoje concentra o maior mercado de turbocompressores do mundo, com 18,4 milhões de unidades consumidas em 2017 e expectativa de chegar a 19,3 milhões/ano até 2022 – mas que nesse período deverá ser superado pela China, onde no ano passado foram vendidos 14,5 milhões de veículos turbinados e em mais cinco anos calcula-se que esse número vai atingir 24,7 milhões, segundo projeções da consultoria IHS.

Mesmo que com números bem mais tímidos a mostrar, na América do Sul – onde a Garrett tem fábrica no Brasil, em Guarulhos – também se espera crescimento vigoroso da adoção de turbos em todos os tipos de veículos, das atuais 700 mil unidades/ano para 2,4 milhões até 2022, também segundo a IHS.

“A turboalimentação é hoje a maneira mais viável e rápida de reduzir consumo e emissões dos motores a combustão, também haverá nos próximos anos grande penetração dos e-turbos nos veículos híbridos. Com legislações de emissões cada vez mais rígidas, a projeção é de crescimento consistente de veículos turbinados em todo o mundo”, diz Eric Fraysse, presidente global de aftermarket e da operação brasileira da agora Garrett Motion.



A maior integração dos turbos elétricos em veículos eletrificados é esperada nos chamados mild hybrids, que usam circuito elétrico de 48 V para alimentar um pequeno propulsor elétrico para dar impulso ao carro nas partidas, evitando assim a aceleração de partida com consequente economia de combustível, associado a sistema que desliga o motor nas paradas no trânsito (start-stop) ou quando se trafega por inércia. No caso, o e-turbo funciona para sobrealimentar o motor a combustão e também gera energia que é canalizada para recarregar as baterias.

Também está na mira o desenvolvimento de compressores para carros elétricos alimentados por geradores eletroquímicos a hidrogênio, as células de combustível, com a função de injetar ar sob alta pressão no sistema para reduzir o tamanho do equipamento. A Garrett já fornece um protótipo do e-compressor para o Clarity, o modelo elétrico a célula de combustível da Honda, mas ainda sem produção comercial de escala. “É um desenvolvimento para o futuro”, diz Fraysse.

Já a posta no negócio de softwares de gerenciamento veicular está lastreada na presunção que, a partir de 2021, perto de 100% dos veículos vendidos no mundo devem estar conectados. A Garrett atualmente tem cerca de 200 pessoas trabalhando no desenvolvimento desses softers que deverão estar presentes em carros e caminhões, para monitorar os sinais de diversos sensores de bordo e assim programar manutenções preditivas. Outra vertente é nos programas de segurança, para “defender” automóveis conectados de possíveis ataques cibernéticos de hackers. A Garrett Motion herdou parte dessa especialidade da divisão aeronáutica da Honeywell e agora pretende aplica-la com maior intensidade no setor automotivo.



Tags: Garrett Motion, Honeywell, spin-off, separação, turbocompressores, e-turbo, digitalização, eletrificação.

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