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Mangels chega aos 90 anos de volta ao caixa positivo
Produção de rodas de alumínio da Mangels em Três Corações (MG): carro-chefe do portfólio

Autopeças | 02/10/2018 | 19h01

Mangels chega aos 90 anos de volta ao caixa positivo

Empresa ganhou eficiência após três anos em recuperação judicial encerrada em março de 2017

PEDRO KUTNEY, AB

A Mangels completou 90 anos na segunda-feira, 1º, com motivo adicional para comemorar sua rara longevidade: a empresa de capital nacional renasceu com eficiência e o caixa voltou a ficar positivo após o processo de recuperação judicial que durou pouco mais de três anos e foi encerrado em março de 2017 (leia mais aqui). Fabricante de rodas de alumínio, eixos traseiros, cilindros de ar, botijões de gás e distribuidora de aço cortado, durante o período de recuperação a Mangels cortou custos, renegociou sua pesada dívida (no fim de 2017 contabilizada em R$ 568,6 milhões), multiplicou por quase 10 vezes o lucro antes de despesas financeiras e impostos – o Ebtida saltou de R$ 4,9 milhões em 2014 para R$ 41,6 milhões no ano passado – e assim voltou a ser economicamente viável, pavimentando o caminho para se tornar uma das poucas companhias nacionais centenárias.

Graças à ampla carteira de clientes – principalmente de rodas de alumínio fornecidas a cerca de 20 fabricantes de veículos instaladas no País, negócio que corresponde a pouco mais da metade do faturamento líquido, que somou R$ 446 milhões em 2017 –, a Mangels conseguiu manter as receitas estáveis durante os anos de recuperação judicial, enquanto enxugou custos administrativos para voltar ao lucro operacional; o Ebtida cresceu 72% entre 2016 e 2017.

No processo de enxugamento, o número de executivos foi cortado de 52 para 25, a antiga unidade de laminação de aço em São Bernardo do Campo foi fechada, mas segundo a diretoria nenhum empregado do chão de fábrica foi demitido por causa do período de reestruturação, pois os pedidos continuaram a chegar e a Mangels ganhou contratos de fornecimento para 60 novos projetos de veículos. A empresa também retomou investimentos, que totalizaram R$ 45 milhões nos últimos quatro anos e tornaram a produção mais eficiente com aumento da automação das linhas produtivas.

“É difícil uma empresa nacional completar 90 anos. Passamos por momentos difíceis e a recuperação judicial foi a nossa virada de jogo. Aprendemos muito com esse processo. Readequamos os custos, deixamos de ter ociosidade e aumentamos consistentemente a geração de caixa”, explica Fábio Mazzini, diretor geral da Mangels.



O executivo projeta que o Ebtida deve continuar a crescer este ano, ainda que em avanço mais modesto, em torno de 15%, agora que os negócios estão melhor estabilizados. O endividamento continua alto, mas Mangels conseguiu diluir o pagamento da maior parte por prazo superior a 10 anos. Parte do acerto de contas com os credores já começou logo após o fim da recuperação judicial, e por esse motivo foi registrado prejuízo líquido de R$ 23 milhões ao fim de 2017, conforme balanço apresentado à Bolsa de Valores de São Paulo – a Mangels tem capital aberto desde 1971, mas 100% das ações ordinárias com direito a voto continuam com a família fundadora.

Robert Max Mangels, neto do fundador Max Mangels Jr., que até o ano passado era o diretor presidente e entregou suas atribuições executivas a Mazzini, relata que “a decisão de entrar em recuperação judicial foi difícil, mas a mais acertada para nos proteger da dívida e garantir a sobrevivência”. Hoje Mangels segue na presidência do conselho de administração da companhia e afirma que “a indicação do administrador judicial (vindo de uma consultoria) foi fundamental para recuperar a rentabilidade, a empresa saiu mais forte do processo e hoje cresce de forma sustentável”.

DOS BALDES ÀS RODAS



Após quase ser morto na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), Max Mangels Jr. foi aconselhado pelo pai as mudar-se para o Brasil para trabalhar com um cliente brasileiro, a cervejaria Antárctica. Em 1920 Mangels desembarcou em Santos trazendo junto com ele uma bala hospedada no ombro que o acompanhou até o fim da vida. A noiva Anita veio da Alemanha três anos depois. Logo o imigrante conheceu o também alemão Heinrich Kreutzberg, com quem fundou em 1928, no bairro da Mooca, uma pequena fábrica de baldes galvanizados – era uma época em que o País dava seus primeiros passos rumo à industrialização e havia muitas oportunidades de nacionalizar produtos importados.

Em mais uma dessas oportunidades, a convite de uma grande distribuidora de gás liquefeito de petróleo (GLP), em 1938 a empresa começou a fazer botijões – negócio que mantém até hoje. A fabricação de rodas de aço começou em 1958, depois que os dois filhos de Mangels Jr., Peter e Max, regressaram dos estudos de engenharia nos Estados Unidos com ideias de atender à nascente indústria automotiva brasileira. Na virada daquela década os Mangels assumiram integralmente os negócios depois que os sócios da outra família decidiram regressar à Alemanha.

O negócio de distribuição de aço plano começou em 1966 e em 1975 foi aberta a fábrica de Três Corações (MG), para dar início à produção de cilindros de ar comprimido, hoje fornecidos a fabricantes de compressores e sistemistas que fornecem sistemas de freios a ar para fabricantes de caminhões e ônibus. Na mesma unidade, em 1989, a Mangels começou a produzir o que é hoje o carro-chefe de seu portfólio: as rodas de alumínio, inicialmente fornecidas só no aftermarket como acessório.

Só há 20 anos, em 1998, a Mangels começou a fornecer rodas de liga leve diretamente aos fabricantes de automóveis. A Toyota, que começou a montar o Corolla em Indaiatuba (SP) naquele mesmo ano, foi o primeiro cliente. Logo depois Volkswagen, Fiat e Renault também começaram a comprar. Com a escalada dos pedidos de rodas de alumínio pelas montadoras, em 2008 foi encerrada a produção de rodas de aço e, em 2010, a empresa saiu do aftermarket e hoje 100% do fornecimento é destinado a cerca de 20 marcas de automóveis, com medidas de 13 a 20 polegadas de rodas personalizadas de acordo com marca e modelo. A exportação é pequena, apenas para a Toyota Hilux fabricada na Argentina.



Tags: Mangels, rodas, autopeças, 90 anos Mangels, indústria, recuperação judicial.

Comentários

  • SamaraJunqueira

    Mangels, Empresade exemplo profissional, social e superação. Sua história é motivante e de muito orgulho aos que participam ou já participaram de alguma forma. A técnica e tecnologia envolvida no processo de fabricação de ambos produtos é encantador, na minha opinião, em especial rodas de alumínio. Atualmente tem resgatado e lançado vários projetos sociais, beneficiando colaboradores e seus familiares, dando ainda mais credibilidade e evidência aos dizeres Missão e Valores da empresa. Tenho orgulho de ser colaboradora Mangels. PARABÉNS!!

  • MarceloLico

    Desdegaroto lia a Exame. Em uma dessas edições daquela época, me lembro da reportagem de quando o Robert estava assumindo a presidência. Não me lembro o ano, mas ficou na memoria, pois gostava muito do nome “Mangels”. Me ajudem a lembrar em qual ano foi isso.. Depois de tanto tempo, fico feliz em saber que a empresa se recuperou e está preparada para seguir em sua rota de crescimento. Parabéns!

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