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Indústria nacional de motos volta a crescer após sete anos
Estratégia da BMW em Manaus (foto) é homologar mais fornecedores a cada novo produto nacionalizado

Duas Rodas | 26/09/2018 | 17h48

Indústria nacional de motos volta a crescer após sete anos

No entanto, crise deixou como rastro alta capacidade ociosa, fechamento de vagas e envelhecimento da frota

MÁRIO CURCIO, AB

A indústria de motos terá um pequeno crescimento em 2018 após quedas seguidas desde 2012. Depois do recorde de 2011, com 2,14 milhões de unidades, o setor foi minguando até chegar a menos de 900 mil motocicletas montadas em 2017. No acumulado até agosto de 2018 a produção somou 696,3 mil motos e a projeção das fabricantes é encerrar o ano com 980 mil unidades e pequena alta de 11% sobre o ano anterior.

O resultado de ano após ano de retração foi uma capacidade ociosa em Manaus acima dos 60% nos dois últimos anos. Em 2017, o mercado interno absorveu pouco mais de 850 mil motos e as exportações ficaram abaixo de 82 mil unidades.

A sequência de quedas começou em 2012 por causa da maior dificuldade na concessão de crédito. O problema se agravou em 2013. A retração de mercado encolheu também a indústria, cuja capacidade instalada chegou a 3,24 milhões de unidades em 2013 e caiu para os atuais 2,27 milhões de unidades com o fechamento de algumas fábricas em Manaus (como a Kasinski, por exemplo) e o encolhimento de outras.

Em 2010 a Honda havia investido R$ 90 milhões em um setor dedicado à produção de motonetas e scooters, que aumentou sua capacidade de 1,5 milhão para 2 milhões de unidades por ano. Em 2016 teve de transferir a montagem desses veículos para a ala principal.


A capacidade da brasileira Dafra recuou de 300 mil para 30 mil motos por ano. Inaugurada em 2007 com um investimento de R$ 100 milhões (R$ 178 milhões em valores atualizados), a empresa teve seu melhor momento em 2008 com a produção de 119,4 mil unidades.

Em 2017 ficou em 3,7 mil motos na soma dos modelos da própria Dafra e da KTM, marca austríaca sobre a qual detém os direitos de produção e venda no Brasil. Perguntas como o tamanho atual da rede ou como sobreviver com um volume tão baixo ficaram sem respostas da fabricante. A J.Toledo Suzuki declara capacidade instalada de 300 mil motocicletas por ano, mas fabricou 3,9 mil em 2017.

8,2 MIL VAGAS FECHADAS


De acordo com a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), em 2011 o setor de duas rodas empregava 20,5 mil trabalhadores. Atualmente, são 12,3 mil. Outro problema decorrente da retração nas vendas foi a queda de produtividade. Em 2011 cada trabalhador montou em média 104 motos em Manaus. Esse total caiu para 66 motocicletas por operário em 2016.

Outra consequência da queda nas vendas de motos novas foi o aumento da idade média da frota, que saltou de cinco anos e meio para sete anos e meio entre 2012 e 2017, de acordo com o estudo anual elaborado pelo Sindipeças, entidade que reúne fabricantes de componentes (leia aqui).


Desde 2016 a Honda (à esquerda) concentra a produção das motos em um só setor. Kawasaki (acima) se recupera com a ajuda de novos modelos

DIFICULDADE PARA EXPORTAR


Recentemente, a Abraciclo revisou a projeção de 85 mil para 80 mil motos exportadas até o fim do ano. A nova projeção decorre da queda no mercado argentino, mas este é apenas um dos problemas quando se pensa em enviar produtos ao exterior a partir de Manaus.

Os fabricantes se queixam da logística ruim. Outro ponto é que as motos brasileiras atuais atendem a uma legislação de emissões comparável à europeia, o que e as torna pouco competitivas diante dos modelos asiáticos vendidos em toda a América Latina.

“Diversos fatores influenciam o volume exportado, mas acreditamos ser de grande valia melhorias em pontos como o ‘custo Brasil’ e investimentos em logística para impulsionar as exportações”, alegou a Honda. Somente esta montadora e a Yamaha exportam motos a partir de Manaus, embora haja outras oito marcas em produção na capital amazônica.

PERSPECTIVAS


Apesar de pequena, a recuperação nos primeiros oito meses de 2018 é bem vista pelas fábricas: “Somos uma empresa que pensa em longo prazo e temos planos consistentes para o Brasil que seguem inalterados”, afirma o gerente de marketing da Harley-Davidson na América Latina, Flávio Villaça. As vendas da empresa no Brasil começaram a se recuperar já em 2017, assim como ocorreu no mercado de automóveis.


Linha de montagem de motores da Harley-Davidson em Manaus e Flávio Villaça, gerente de marketing

A BMW registrou alta de 9% no acumulado até julho de 2018 na comparação com iguais meses do ano passado por causa da ajuda de novos modelos de baixa cilindrada. Uma das estratégias da empresa para se consolidar no País é aumentar o conteúdo local.

“Em cada novo produto, novos fornecedores são homologados e vamos seguir com essa estratégia”, garante o diretor da BMW Motorrad para a América Latina e Caribe, Alejandro Echeagaray.



A empresa produz no Brasil desde 2009 e inaugurou a própria fábrica em 2016. A oferta de modelos de baixa cilindrada também fortalece a Kawasaki, cujas vendas cresceram 21,9% no acumulado até agosto sobre iguais meses de 2017: “Estamos felizes com o desempenho da Versys-X 300 e acreditamos no potencial para crescer nessa faixa de cilindrada”, afirma a gerente comercial e de marketing, Sônia Harue. A Kawasaki tem outros dois modelos nessa faixa de cilindrada, a Z300 e a Ninja 400, recém-lançada.



Tags: Motos, Motocicletas, Abraciclo, Honda, Yamaha, Dafra, Suzuki, BMW, Kawasaki, Harley-Davidson, KTM, Kasinski.

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