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No Traton Group, Scania Brasil segue premium e exportadora
Pela primeira vez Scania se apresenta no IAA Hannover junto com as outras marcas do Traton Group: marca sueca admite sinergias, mas quer o protagonismo tecnológico do grupo

Indústria | 25/09/2018 | 20h50

No Traton Group, Scania Brasil segue premium e exportadora

Fábrica de São Bernardo abriu segundo turno e deverá continuar a exportar cerca de 70% da produção da nova geração de caminhões

PEDRO KUTNEY, AB | De Hannover (Alemanha)

Operando dentro da nova estrutura global do recém-criado Traton Group, a sueca Scania continuará a ser a marca mais premium do grupo, o Brasil seguirá sendo seu maior mercado individual e a fábrica brasileira em São Bernardo do Campo (SP), inaugurada há 60 anos, deve permanecer na posição de importante polo exportador, enviando para fora do País algo como 70% da produção – mesmo após o início da fabricação da nova geração de caminhões, marcada para janeiro próximo (leia mais aqui).

Em resumo, essa é a estratégia declarada pelos principais executivos da Scania durante o Salão de Hannover, na Alemanha (o IAA Nutzfahrzeuge 2018, de 20 a 27 de setembro), quando pela primeira vez a marca se exibiu sob o mesmo teto, no mesmo pavilhão, ao lado das outras marcas de veículos comerciais do Traton Group (MAN e Volkswagen Caminhões e Ônibus/VWCO). Ficou bastante clara a posição que a marca sueca quer sustentar dentro do grupo de liderança tecnológica – e não quer dividir tudo que desenvolve com as “marcas irmãs”, para manter seu “diferencial” sobre as outras.

“Algo como 60% da tecnologia que desenvolvemos vamos dividir em sinergias com as outras marcas do Traton Group, mas primeiro para a Scania e 40% não serão divididos com ninguém. Nós seremos o único desenvolvedor de powertrain, mas com diferenças entre as marcas”, explicou Henrik Henrikson, CEO global da Scania.



Uma das sinergias “permitidas” em curso é o desenvolvimento na Europa de caminhões Scania e MAN que se interconectam para rodar em comboio, o platooning, em que o veículo da frente conduz os demais numa espécie de trem eletrônico virtual, permitindo que os motoristas de trás descansem sem precisar dirigir. Outro exemplo de troca de tecnologias entre marcas estava bem ao lado no Salão de Hannover, no estande da VWCO, onde um novo protótipo do caminhão eDelivery foi exposto com powertrain elétrico da Scania, que será testado e comparado com a motorização Weg apresentada ano passado.


Roberto Cortes, CEO da VWCO, e Andreas Renchler, CEO do Traton Group, assistem à apresentação de Henrik Henrikson, CEO da Scania, no IAA em Hannover: de olho nas “sinergias tecnológicas” do parceiro sueco do grupo.

“Estamos vivendo essa transição há quase quatro anos e posso dizer que tivemos discussões muito ‘energéticas’ a respeito do papel de cada uma das marcas do grupo. Mas ficou claro que a liderança de engenharia será da Scania, os principais centros desenvolvimento são da Scania. Seguiremos sendo uma marca premium e isso quer dizer que nossos caminhões são mais caros, mas que entregam custo operacional menor em consumo de combustível e manutenção. Este é e continuará sendo nosso diferencial. E seguimos com redes de vendas 100% separadas”, afirmou Christopher Podgorski, CEO da Scania Latin America, sediada no Brasil.

No mercado brasileiro as marcas do Traton Group têm baixa concorrência, Scania habita o topo do mercado com caminhões extrapesados, a VWCO fica com todos os outros segmentos e causa poucas perdas à sueca vendendo poucos modelos MAN em sua rede. Mesmo assim, Podgorski garante que não há alívio na competição dentro do grupo: “O [Ricardo] Alouche (vice-presidente de vendas e marketing da MAN Latin America/VWCO) é meu amigo pessoal e inimigo cordial no mercado”, brinca.

BRASIL, MERCADO NÚMERO UM



Ao contrário do que ocorre com a maioria dos grandes fabricantes estrangeiros de veículos instalados no Brasil, que fazem do País um satélite subdesenvolvido para fazer de produtos inferiores, há mais de uma década a Scania fez de sua fábrica brasileira um polo importante de sua rede global de produção, que exporta atualmente perto de 70% dos caminhões fabricados em São Bernardo do Campo, e não só para países latino-americanos que consomem metade das exportações, mas também para 30 outros mercados em todo o mundo, incluindo Indonésia, Índia e Nova Zelândia, por exemplo.

“O Brasil é o mercado número um da Scania no mundo e deverá seguir assim por muito tempo. O País tem imensas potencialidades energéticas com etanol e biogás e nós podemos aproveitá-las em produtos globais que já desenvolvemos. Fazemos [em São Bernardo] produtos com a mesma qualidade e tecnologia que na Europa, em 2019 a nova geração de caminhões também começa a ser fabricada e acreditamos que fará tanto sucesso quanto já faz no mercado europeu, onde já recebemos 45 mil encomendas em menos de dois anos”, destacou o CEO Henrikson.




Executivos da Scania, incluindo o CEO global Henrik Henrikson (segundo da direita para a esquerda), conversam com a imprensa brasileira no Salão de Hannover: Brasil segue sendo o mercado número um para a marca sueca

Com a entrada em produção da nova geração de caminhões na Europa, a fábrica brasileira permaneceu sendo a única no mundo a fazer os veículos da família anterior e com isso foi responsável por abastecer o resto do mundo com esses modelos até agora, que deixam de ser produzidos em 27 de dezembro próximo – o último cavalo mecânico desta linha já foi encomendado este mês. Com o início da fabricação dos novos caminhões em São Bernardo em janeiro, Podgorski avalia que não haverá baixa nas exportações.

“O mercado europeu está extremamente aquecido, com previsão de compra de 310 mil caminhões este ano e a Scania tem de 16% a 17% de participação (52 mil unidades), por isso as fábricas na Suécia e França terão de produzir só para os 27 países da União Europeia, enquanto nós ficamos com o todos os outros mercados”, explica o executivo. Ele conta que o Brasil só não exporta também para a Europa porque lá os caminhões brasileiros pagam imposto de importação de 16%, o que inviabiliza o negócio.

Graças à inserção no Sistema Global de Produção Scania, mesmo com o aprofundamento da crise econômica no Brasil que nos últimos anos derrubou o mercado de caminhões a menos de um terço do que já foi, a produção da fábrica brasileira não caiu e a empresa não precisou demitir mesmo durante o período mais difícil entre 2014 e 2016. “Isso aconteceu porque não dependemos só das vendas domésticas, que foram só de 4 mil unidades/ano no auge da crise e nós produzimos 20 mil”, destaca Podgorski.

A linha de montagem de veículos em São Bernardo voltou a operar em dois turnos há um mês para produzir de 80 a 85 caminhões/dia, enquanto linhas de motores e eixos trabalha em três turnos. Recentemente foram contratadas mais 170 pessoas para se integrarem ao quadro de 4,6 mil funcionários da unidade e acelerar a produção. Para produzir a nova geração de caminhões, a fábrica já recebeu investimentos de R$ 1,5 bilhão desde 2016, dentro do programa total de R$ 2,6 bilhões no período 2016-2020.



*Esta cobertura é oferecida pela Delphi Technologies
O jornalista viajou a convite do pool de imprensa da Anfavea patrocinado por Mercedes-Benz, Scania, Volkswagen Caminhões e Ônibus, Volvo e ZF





Tags: Salão de Hannover 2018, veículos comerciais, IAA Nutzfahrzeuge 2018, Scania Brasil, Traton Group, estratégia, exportação, fábrica São Bernardo do Campo.

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