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Faurecia prevê vendas 10% maiores com Rota 2030
Abdo Kassisse, diretor geral da Faurecia Clear Mobility para o Mercosul, vê Rota 2030 como nova oportunidade para crescer

Autopeças | 13/09/2018 | 19h13

Faurecia prevê vendas 10% maiores com Rota 2030

Empresa expande portfólio na área de emissões e eficiência energética para atender novos modelos

SUELI REIS, AB

Embora a regulamentação do Rota 2030 ainda esteja nas mãos do Senado e da Câmara para análise e aprovação (leia aqui aqui), a nova política industrial já faz parte do planejamento e das expectativas das empresas da cadeia automotiva. A premissa de que exigirá um importante grau de eficiência energética em troca de crédito tributários, como foi no Inovar-Auto, pode aumentar significativamente os negócios de companhias dedicadas a componentes para este fim. É o caso da Faurecia, que está ampliando sua atuação e também o portfólio para atender a nova demanda de um mercado mais uma vez em transição, para carros ainda mais eficientes.

“O Rota 2030 é uma oportunidade, porque uma das exigências é que o carro tem que ser mais eficiente. Os investimentos em tecnologia para o desenvolvimento de autopeças já se adequam à essas exigências, que devem contribuir para um aumento de aproximadamente 10% nas vendas após 2022”, projeta o diretor geral da Faurecia para o Mercosul, Abdo Kassisse.

A projeção positiva se refere aos negócios de uma das três divisões que a companhia mantém no Brasil, a de tecnologias para o controle de emissões para veículos leves e pesados, agora denominada internamente como Clean Mobility e que tem na carteira clientes como Volkswagen, Hyundai, Toyota, GM, Ford, FCA (Fiat, Jeep), Volvo, MAN entre outros. Segundo ele, este aumento está intimamente ligado à tendência de crescimento do mercado de veículos impulsionada pela melhora da economia como um todo projetada para os próximos cinco anos.

Para isso, a divisão vem preparando uma nova linha de produtos que converge com os projetos de suas clientes no Brasil. Kassisse conta que o complexo industrial de Limeira, no interior paulista, trabalha a todo vapor para desenvolver e equipar, por exemplo, a nova plataforma modular global GEM, que vai servir de base para a renovação da linha de modelos da GM, dedicada a países emergentes e com o primeiro lançamento previsto para outubro de 2019. O primeiro modelo será fabricado em Gravataí (RS), conforme já anunciado pela montadora.

“Estamos com 100% do Clean Mobility nesta plataforma, tanto com os produtos para qualidade do ar quanto para qualidade acústica”, afirma o executivo.

Além de Limeira, onde também está localizado o centro de P&D, a divisão possui mais duas plantas produtivas no País: a de Sorocaba (SP), que atende a Toyota, e a de Piracicaba, também no interior de São Paulo que fornece para a Hyundai. Somam-se a elas outras duas na Argentina, de Córdoba e Lanus.

A empresa também ganhou o fornecimento de produtos Clean Mobility para a nova Nissan Frontier, que já é fabricada na Argentina (Córdoba), na planta da Renault, onde também serão montadas as novas Alaskan e a Mercedes-Benz Classe X, que também terão produtos Faurecia. Também entram na lista o novo VW T-Cross e a nova geração da Sprinter em 2019.

Outro bom motivo que a Faurecia também comemora é a oportunidade que vai surgir com o próximo ciclo tecnológico a partir dos incentivos para carros híbridos e elétricos, que ganharam redução no IPI. Kassisse reforça que a empresa está preparada para atender também a esses projetos, com tecnologias já existentes em mercados mais maduros, como Europa e Ásia. No entanto, para o Brasil, tudo dependerá de escala. Contudo, Kassisse comemora ainda o fato de o Rota 2030 incluir de forma mais contundente a cadeia de autopeças quando o assunto é incentivo à pesquisa, inovação e desenvolvimento.

“Muito será necessário para trazermos as novas tecnologias e ajustarmos os processos produtivos, portanto, o incentivo virá de encontro às nossas necessidades. Há outro aspecto em destaque, que é o tratamento dado a segurança veicular: uma discussão inédita que nos coloca no mesmo patamar dos países desenvolvidos e elimina a possibilidade de trabalhar com atraso tecnológico”, aponta.

FRUTOS DO INOVAR-AUTO


O processo de inclusão de componentes no portfólio, com novos desenvolvimentos e ampliação da carteira de clientes que agora considera o Rota 2030 como impulsionador é quase que um déjá vu. O mesmo foi visto há anos atrás, com a entrada em vigor do Inovar-Auto, que também exigiu certo grau de eficiência energética em troca de incentivos fiscais.

Hoje sabe-se que muito do que foi lançado nos últimos cinco anos em termos de veículos e suas motorizações, além de outros atributos, se deve à política industrial que vigorou de 2013 até o fim do ano passado. Neste período, a Faurecia investiu quase R$ 100 milhões em novas fábricas para suas três divisões a fim de garantir novos negócios no Brasil. Foi daí que surgiu a unidade de Pernambuco, mais precisamente em Goiana, para atender a FCA, que produz modelos Fiat e Jeep no local. Por lá, a fábrica da divisão de interiores começou como uma joint venture 50/50 com a Magneti Marelli. Segundo Kassisse, até 2020, a unidade será 100% da Faurecia.

As fábricas de Piracicaba e Sorocaba também fazem parte dos investimentos que vieram com o Inovar-Auto.

Também é resultado deste processo a primeira fábrica da Clear Mobility em Limeira, inaugurada em 2012 e que recebeu investimento de R$ 60 milhões. Naquela época, nascia junto o primeiro projeto para atender o mercado de veículos comerciais, em parceria com a Cummins, com a produção de sistemas de exaustão em Porto Real (RJ). Hoje, terminados os cinco anos de acordo com a Cummins, o negócio pertence à Faurecia, que atende Ford, Volvo, Volkswagen Caminhões (MAN), além de Agrale. O negócio começou representando 3% do faturamento e hoje responde por 13% das receitas. Para o segmento pesado, ele revela que a empresa também possui tecnologias para atender os índices exigentes do Euro 6 e que aguarda a decisão sobre a adoção dos novos limites para o Brasil, que podem vir antes de 2023.

“Estamos colhendo os frutos do Inovar-Auto”, recorda Kassisse. Para ele, os investimentos na hora certa, a diversificação de portfólio, a atuação em vários produtos e de diversos segmentos, além do desenvolvimento local, foram fundamentais para que a empresa enfrentasse o período da crise que veio na sequência.

O executivo recorda que 2015 foi o ano mais complicado, quando fechou no vermelho. Na época, chegou a demitir 400 pessoas no País. No entanto, conseguiu reverter a situação já em 2016, com geração de caixa e voltando ao azul, embora só tenha voltado a contratar este ano: 40 pessoas na última semana para a fábrica de Limeira. Para este ano, a expectativa é crescer acima do mercado de veículos, com índice de 24%.

Segundo o executivo, a Faurecia é hoje o oitavo maior sistemista do mundo em termos de faturamento. No ano passado, a empresa apurou ganhos de € 18 bilhões. A América do Sul representou 7% desse valor, sendo o Brasil responsável por 80% do faturamento da região.



Tags: Faurecia, vendas, Rota 2030, Abdo Kassisse, emissões, eficiência energética, elétricos, híbridos.

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