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Mercedes aumenta 34% exportação para África e Oriente Médio
Inovação logística: caminhões Atego são embarcados sobre rampas para países da África e Oriente Médio

Indústria | 22/08/2018 | 19h11

Mercedes aumenta 34% exportação para África e Oriente Médio

Caminhões Atego e Accelo feitos em São Bernardo ganham novos mercados externos

PEDRO KUTNEY, AB

A fábrica da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo (SP) vem ampliando seus horizontes de exportação, com significativo aumento de 34% nos embarques de caminhões Accelo e Atego para 20 países da África e do Oriente Médio. Em 2017 as vendas externas para esses mercados totalizaram 260 veículos e as encomendas já projetam volume de 350 este ano. Mas existe potencial para avançar bem mais.

Roberto Leoncini, vice-presidente de vendas e marketing da Mercedes-Benz, estima que os negócios com esses países podem superar mil unidades/ano depois que foram superados alguns problemas logísticos este ano, com a introdução de algumas soluções criativas para embarcar dois a dois os Atego sobre plataformas e os Accelo em contêineres. Essa configuração facilitou a operação, pois os veículos podem ser embarcados em maior número de rotas e navios, evitando-se a espera pelas embarcações roll-in-roll-out, em que os caminhões entram e saem rodando.

“Já esperávamos embarcar perto de mil caminhões para África e Oriente Médio este ano, mas algumas dificuldades atrasaram um pouco esse objetivo, foi um ano de aprendizado para lidar melhor com esses destinos. Mas agora encontramos uma boa solução logística. Também estamos conversando com compradores maiores da área de distribuição de bebidas e coleta de lixo, o que deve aumentar os embarques no ano que vem”, avalia o vice-presidente.

Outro fator de crescimento no horizonte é que recentemente a Daimler deixou de produzir o pesado Axor na Turquia e o Brasil passará a ser o único fornecedor mundial do modelo. “Em 2019 vamos assumir alguns desses negócios a partir de São Bernardo”, destaca o executivo.

“O Brasil antes era uma ilha. Apesar de produzir ótimos caminhões, São Bernardo só exportava para a América Latina. Agora isso mudou, entramos na gama complementar global de modelos da Daimler Trucks”, diz Leoncini.



Para demonstrar a integração global de portfólio, a Mercedes-Benz vai expor em setembro próximo no salão de veículos comerciais de Hannover, na Alemanha, dois modelos feitos no Brasil para exportação: um Accelo implementado com baú e um Atego com tanque de água e tração 4x4, com pneus para rodar no deserto. “Será uma vitrine de exposição para clientes do mundo todo”, afirma.

DIVERSIFICAÇÃO EXTERNA




Lote de Atego com tanque de água para Serra Leoa, na África

Com a queda do mercado interno, as exportações da Mercedes-Benz no Brasil têm crescido, representaram cerca de 40% da produção em 2017, contra apenas 10% em 2014. Foram quase 8 mil caminhões enviados a 50 países (mais de 60% deles seguiram para a Argentina), em expansão de 25% sobre 2016. Este ano o avanço parou: já sob influência da crise cambial argentina que deve derrubar em mais de 40% as vendas no país vizinho, de janeiro a julho foram exportados 4,6 mil caminhões feitos em São Bernardo, número parecido ao verificado nos primeiros sete meses do ano passado. Por isso, aumentou a importância de se integrar à gama global de produtos da Daimler Trucks e diversificar clientes externos.

“O objetivo é manter as exportações em 40% da produção, mas vamos precisar nadar muito para compensar a queda de vendas para a Argentina. Especialmente com o dólar no nível que está, se não exportar para compensar as importações de componentes vou ter custo aumentado de 20% a 30%. Se eu estiver exportando, ganho em dólar e não importa se a cotação for a quatro ou cinco reais”, destaca Leoncini.

Ele avalia que os novos mercados conquistados são perenes, com prática de preços parecida com a do Brasil e demanda que deve aumentar nos próximos anos, sem preocupação com variações cambiais muito fortes. “Fizemos o plano de exportação com o dólar em torno de R$ 3 e já valia a pena, agora que subiu ficou até melhor, e se baixar continua sendo viável”, afirma.

O executivo explica que o crescimento das vendas da Mercedes-Benz do Brasil para países da África e do Oriente Médio é possível “graças à similaridade de produtos e condições de uso nessas regiões, que não podem ser atendidas por um Atego feito na Alemanha, que não tem nada a ver com o que fazemos aqui”, diz. “Competimos principalmente com marcas asiáticas nesses mercados e precisamos garantir robustez e assistência técnica confiável para ganhar da concorrência, em alguns escritórios até mandamos pessoal nosso de peças e serviços para atender clientes e fazer treinamentos”, conta.

DIFERENCIAL DE ROBUSTEZ




Caminhões Atego fabricado no Brasil roda no deserto dos Emirados Árabes

Segundo Leoncini, o principal diferencial competitivo dos caminhões feitos em São Bernardo “é a robustez, essa é a principal qualidade exigida por clientes desses mercados, pois aqui temos experiência em fazer produtos para rodar em condições adversas e transportar peso acima da capacidade, projetamos para durar até 900 mil quilômetros”. Ele recorda ainda que a planta brasileira também tem maior flexibilidade para produzir veículos com motorização Euro 2, 3 e 5 para atender a diversas legislações de emissões, além de configurações de eixos e tração específicas para esses mercados.

A maior parte dos embarques para estas duas regiões compreende modelos chassi-cabine leves Accelo de 8 toneladas de PBT (com motorização Euro 3) e 9 toneladas (Euro 5), e semipesados Atego de 14 e 17 toneladas Euro 5, muitos deles com tração 4x4 para rodar em ambientes de deserto. São quatro tipos de implementações mais usadas: plataforma de socorro (guincho), compactador de lixo, tanque de água e transporte militar.

Para países onde não há fornecedores de implementos, os veículos já saem do Brasil com as carrocerias; e quando existe os implementadores locais recebem treinamento para executar o serviço. Em relação aos caminhões vendidos no Brasi, as principais adaptações são instalação de escapamento vertical, pneus especiais, dispositivo de proteção frontal obrigatório em alguns países e painel com indicações em árabe.

Normalmente as especificações dos modelos exportados são simples, com pouca tecnologia de conectividade e maior foco na robustez e segurança. O recém-inaugurado campo de provas de Iracemápolis (SP) facilita a adaptação para algumas aplicações específicas.

Uma venda inusitada aconteceu recentemente para uma startup dos Emirados Árabes Unidos, que comprou um Atego 4x4 para iniciar um serviço de entrega de comida para camelos no deserto, com encomenda feita por aplicativo de smartphone – uma espécie de Ifood para camelos. Em meio à tamanha diversidade de clientes, a Mercedes-Benz brasileira se mostra flexível para avançar, mas agora precisa provar que está lá para ficar.



Tags: Mercedes-Benz do Brasil, exportação África e Oriente Médio, caminhões Atego, caminhões Accelo.

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